Conselhos técnicos e de manejo por Paulo Silveira
Estresse na porca e perda embrionária no início da gestação

Os procedimentos de manejo na produção suína intensiva moderna incluem uma variedade de práticas que podem atuar como estressores sobre os animais. Dentre os vários agentes estressores, podemos citar a alta densidade de lotação, o calor, a restrição alimentar, a sede, a dor, o medo (por interações agressivas com outros animais ou tratador), o esgotamento físico, o transporte e o isolamento. O efeito do calor como forma de estresse vem sendo estudado a um longo tempo e uma ampla literatura trata de seus efeitos tanto no macho como na fêmea suína.
Também já é bem estabelecido que os ambientes mais restritivos para o movimento dos animais, por exemplo, com gaiolas de gestação ou com as já banidas cintas ou correntes, são passíveis de causarem um estresse crônico na fêmea suína.
No contexto da preocupação com o bem-estar e conforto animal, foi retomada como alternativa às gaiolas, a utilização de modernas baias coletivas, embora estas ainda tenham seu efeito prático questionado por alguns produtores. Segundo autores, entre as evidências de melhorias das condições de bem-estar com a utilização de baias coletivas encontra-se a redução das estereotipias e de comportamentos agressivos.
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No que diz respeito aos indicadores de desempenho (período de gestação, duração do parto, número de nascidos vivos, mumificados, peso ao nascimento, peso ao desmame e mortalidade) grande parte dos trabalhos científicos realizados não apresentam diferença entre os sistemas. Entretanto, quando falamos de estresse, uma desvantagem com o sistema de alojamento em grupo é que o reagrupamento das porcas é inevitável em certas etapas do manejo. Existem muitas variantes sobre o sistema de alojamento em grupo durante a gestação, mas quase todos eles incluem repetidos reagrupamentos das porcas e a introdução de leitoas de reposição, ambos geradores de estresse social.
Os suínos são animais sociais com uma forte hierarquia dentro do grupo. Portanto o reagrupamento é estressante para os animais. Segundo pesquisas, as porcas reagrupadas requerem até 48 h para estabelecerem uma nova ordem hierárquica. Durante este tempo as brigas explodem, o que provoca o aumento dos níveis de cortisol e algumas vezes à privação de alimento para os animais mais submissos.
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