FMI está um mais otimista com a economia global e preocupado com os países emergentes. Relatório da instituição aponta que crescimento mundial subirá em 2014 para 3,6%, e 3,9% no ano que vem, com a expansão puxada pelos países avançados.
Países ricos lideram a recuperação global

O Fundo Monetário Internacional (FMI) está um pouco mais otimista com a economia global e bastante preocupado com os países emergentes. O crescimento mundial subirá em 2014 para 3,6% (3% em 2013) e 3,9% no ano que vem, com a expansão puxada pelos países avançados. “Os riscos agudos desapareceram” do cenário, aponta o relatório “Perspectivas da Economia Mundial”, mas ameaças persistem. O espectro da deflação ronda a Europa, as chances de mudanças não previstas no passo da normalização monetária nos Estados Unidos, com potenciais desestabilizadores, não são desprezíveis, enquanto que os países emergentes estão em pior situação do que a prevista na segunda metade de 2013. A crise na Ucrânia fez ressurgir os riscos políticos.
O relatório não traz prescrições novas para conter os desequilíbrios que podem ameaçar a recuperação global. Para a zona do euro, recomenda-se a extensão da política monetária não convencional, com redução de juros, grande expansão de recursos de crédito para as pequenas e médias empresas e uma política de juros negativos. Como a reforma do sistema financeiro não terminou, os bancos europeus ainda são motivo de atenção. A união bancária e o mecanismo de resolução único contribuirão para mitigar esses problemas, em conjunto com uma faxina geral no balanço das instituições financeiras e recapitalização das mais frágeis.
Para os países emergentes, as receitas variam de acordo com a heterogeneidade do grupo, mas também são conhecidas. O começo do fim do afrouxamento monetário americano provocou a inversão dos fluxos de capitais e tornou mais vulneráveis os países com déficits em conta corrente mais altos e mais dependentes do dinheiro externo.
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No Brasil, diz o relatório, há a necessidade de novas doses de juros porque, apesar do aperto monetário já realizado, “a inflação continua no limite superior da banda”. O FMI acha que a intervenção no câmbio tem de ser mais “seletiva” e deve ser usada primordialmente para “limitar a volatilidade e prevenir condições de mercado turbulentas”. Aparentemente, no caso, o FMI não vê com simpatias ações no câmbio para deter a inflação. As políticas monetárias e fiscal terão de fazer o que não fizeram até agora – acertar o passo. “A consolidação fiscal ajudará a reduzir a pressão da demanda doméstica e reduzir os desequilíbrios, ao mesmo tempo contribuindo para diminuir a elevada relação dívida pública-PIB”, recomenda o Fundo. Por último, as deficiências na infraestrutura têm de ser atacadas. A previsão de crescimento do Brasil foi rebaixada para 1,8% este ano e 2,7% em 2015, taxas inferiores à média de desempenho dos emergentes (4,9% e 5,3%, respectivamente).
A economia do Brasil e da América Latina terão expansão contida este ano. O impulso que lhes será dado pela recuperação mais firme dos países avançados – fim da recessão na Europa, crescimento de 2,75% nos EUA – será em parte contrabalançado, para o FMI, pelos preços mais baixos das commodities (-3,5%), condições financeiras mais apertadas e gargalos na oferta em alguns países.
A grande preocupação com os emergentes, que ocupa grande parte do relatório, se deve a seu peso crescente na economia global. Eles absorvem 20% do total das exportações dos países ricos, ou 3% do PIB. Ao mesmo tempo, 30% das importações totais dos países desenvolvidos são provenientes dos países emergentes. Os elos financeiros são igualmente relevantes e maiores do que há uma década. A exposição financeira média dos países ricos aos emergentes foi de 8,7% do PIB em 2012, considerados os ativos externos brutos.
O FMI enxerga dois perigos na situação dos emergentes, que podem vir separados ou juntos. Com o aperto nas condições monetárias e elevação do custo dos investimentos, o crescimento pode ser ainda bem menor do que o previsto. Só pelo canal do comércio, uma redução de um ponto percentual no PIB nas 20 principais economias emergentes retiraria 0,2 ponto de crescimento dos países ricos. O risco maior pode vir de uma derrapada financeira – por exemplo, se o Fed começar a subir os juros antes do previsto. Nesse caso, as turbulências seriam maiores e o contágio, generalizado.
No cenário que considera mais provável, porém, o Fundo Monetário só vê os juros se movendo para cima nos EUA em meados de 2015 e seguindo uma trajetória muito moderada por vários anos, como em todas as economias desenvolvidas, que estão na rota da estagnação.





















