Grupo Bom Futuro, do produtor Eraí Maggi Scheffer, pretende bater seu próprio recorde e plantar 100 mil hectares de milho safrinha.
Bom Futuro eleva aposta na safrinha de milho

Maior produtor de grãos e fibras do país, o grupo Bom Futuro, com sede em Mato Grosso e liderado pelo empresário rural Eraí Maggi Scheffer, planeja superar o próprio recorde e plantar na segunda safra – também conhecida como safrinha – da próxima temporada (2012/13) cerca de 100 mil hectares de milho.
O produtor avaliará nos próximos meses o andamento da primeira safra de soja – que será plantada a partir de setembro e em janeiro começará a ceder espaço para a entrada da safrinha – e o comportamento das cotações do algodão para fechar a conta, uma vez que a pluma e o milho disputam as áreas plantadas com soja no verão. Atualmente os preços do algodão estão abaixo do custo de produção no Brasil.
O Bom Futuro, que faturou R$ 1 bilhão no último ciclo, é o maior produtor de milho e soja do país. Até a safra 2010/11, foi líder também em algodão, mas em 2011/12 perdeu a posição ao plantar “apenas” 90 mil hectares, ante os 95,3 mil hectares da SLC Agrícola, companhia de capital aberto com ações negociadas na BM&FBovespa.
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Em 2011/12, que está na reta final, o Bom Futuro plantou 77 mil hectares de milho na safrinha e, se conseguir atingir os 100 mil hectares em 2012/13, o crescimento será de quase 30% e sua liderança nesse ranking será ampliada. Em 2011/12, a SLC cultivou 35,5 mil hectares com milho, a Vanguarda Agro fez 47,4 mil hectares e o Grupo André Maggi, da família do senador Blairo Maggi (PR/MT), 47 mil hectares. Eraí e Blairo são primos.
O Bom Futuro também pretende avançar no cultivo de soja, feito apenas na primeira safra. No total, a previsão para 2012/13 é plantar 200 mil hectares com a oleaginosa, 6% mais que em 2011/12 (189 mil). Além de 100 mil hectares de milho segunda safra, uma área de 1,5 mil hectares do cereal será plantada no verão, na primeira parte do ciclo.
O algodão, cujos preços dos contratos futuros mergulharam mais de 42,87% nos últimos 12 meses na bolsa de Nova York, segundo o Valor Data, perderá espaço, diz o empresário. A previsão inicial é cultivar 11 mil hectares da pluma na primeira safra (a partir de novembro) e 49 mil hectares na segunda (a partir de janeiro).
O quadro só mudará se os preços dispararem, o que é considerado improvável por analistas, visto que os últimos números do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) confirmaram um aumento dos estoques globais e a queda da demanda pelo produto. Assim, o grupo, que também cria gado e peixe, terá no ciclo 2012/13 uma área total plantada (primeira e segunda safras) de 337 mil hectares – uma ínfima parte disso cultivada com arroz e feijão para rotação e abertura de áreas.
As terras disponíveis para plantio somam 222 mil hectares, 40% próprias e 60% arrendadas, explica Scheffer. Há ainda uma área de 20 mil hectares que estava no passado com soja e que hoje é ocupada por cerca de 60 mil cabeças de gado. “Se o preço da soja continuar subindo, podemos retomar parte dessa área de pecuária para cultivar o grão”, considera Scheffer.
Já no ano passado, a plantação de soja do grupo foi bem superior à cultivada pelos maiores grupos do segmento, como SLC Agrícola (114,1 mil hectares), Vanguarda Agro (162,5 mil hectares) e André Maggi (128 mil).
A partir de uma produtividade média de 55 sacas por hectare, a empresa de Scheffer, prevê colher em 2012/13 cerca de 720 mil toneladas da oleaginosa. Metade disso já foi vendida antecipadamente a um valor médio de US$ 23 (posto na fazenda) a saca de 60 quilos, conforme o empresário.
Neste momento, o grupo começou a colher sua área de 90 mil hectares de algodão plantada no começo deste ano. A previsão é obter 150 mil toneladas de pluma. Em torno de 70% desse volume já foi vendido antecipadamente a um preço médio de 95 centavos de dólar por libra-peso. Se descontadas as despesas de exportação, como frete, o valor cai para 88 centavos.
Ainda assim, o preço fixado está bem acima do custo de produção que gira entre 72 e 75 centavos de dólar por libra-peso. O desafio será comercializar os 30% restantes da safra aos preços atuais – os contratos para outubro fecharam ontem a 74,05 centavos de dólar por libra-peso em Nova York. “Estamos começando a colheita e teremos um pouco mais de tempo para traçar estratégia para o mercado”, afirma o empresário rural.
Em torno de 80% da área de 90 mil hectares de algodão cultivada em 2011/12 foi na segunda safra e 20% na primeira parte do ciclo. “Estamos numa região muito favorável para a safrinha de algodão. As chuvas recentes foram bem-vindas, enquanto que para produtores de outras regiões mato-grosssenses, foram desfavoráveis”. Scheffer calcula que terá uma produtividade na atual colheita de 110 arrobas por hectare. Para 2012/13, que será colhida daqui um ano, o grupo tem vendido antecipadamente 47 mil toneladas.





















