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Câmbio: receita e custos limitam ganhos no mercado de carnes

A importância do câmbio foi nítida nos resultados de 2012 ante 2011.

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Câmbio: receita e custos limitam ganhos no mercado de carnes

As exportações brasileiras de proteínas animais ganham impulso com a valorização cambial, o que já pode ser observado, mas os preços em dólar e custos de produção atrelados à moeda americana limitam os ganhos. “A importância do câmbio foi nítida nos resultados de 2012 ante 2011, uma vez que o câmbio favorável ajudou a manter e até aumentar as exportações em um momento de crise mundial, com mercado menos aquecido”, destacou o diretor executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Fernando Sampaio. Até outubro, conforme dados da entidade, o volume exportado de carne bovina cresceu 12,25%, para 1,025 milhão de toneladas, enquanto a receita cresceu 6,86%, para US$ 4,767 bilhões. A tendência é de movimento parecido no ano que vem, caso o dólar se mantenha valorizado ante o real.

Nas vendas externas de carne de frango se observa movimentações parecidas. No acumulado dos dez primeiros meses, segundo dados da União Brasileira de Avicultura (Ubabef), o volume cresceu 1%, para 3,266 milhão de toneladas, enquanto a receita teve queda de 6%, para US$ 6,334 bilhões. Somente em outubro o volume cresceu 2,3% e a receita avançou apenas 1,4%. “O dólar forte é muito importante para as exportações, porque impulsiona volumes e acabamos vendendo mais em reais. Mas o mercado externo não absorve imediatamente a valorização da moeda norte-americana e a receita cambial acaba não reagindo na mesma intensidade”, explicou o presidente-executivo da Ubabef, Francisco Turra.

Para 2012, as projeções da entidade são de volumes um pouco acima das 3,942 milhões de toneladas embarcadas em 2011 e a receita ficará ao redor de US$ 7,6 bilhões ante US$ 8,2 bilhões do ano passado. Para 2013, Turra acredita em melhor rentabilidade, porque o cenário (câmbio, grãos e custos) para o setor estará mais estável. “Aí poderemos, em um ambiente mais estável, trabalhar melhor os mercados”, disse.

Já o presidente da Associação Brasileira da Indústria Produtora e Exportadora de Carne Suína (Abipecs), Pedro de Camargo Neto, alertou que o dólar valorizado pode impactar em custos maiores. “Esse câmbio somente ajuda. É preciso lembrar que milho e soja são dolarizados e sobem junto”, disse. Entretanto, o executivo ressaltou que o câmbio forte deixa a carne suína brasileira mais competitiva. “E é disso que estamos precisando. Estados Unidos e Europa estão se mostrando fortes concorrentes e estão atrapalhando nossas vendas. Uma ajuda do câmbio será bem-vinda”, declarou.

As vendas externas de carne suína, conforme dados da Abipecs, cresceram 12,25% em volume de janeiro a outubro, para 489,927 mil toneladas, e a receita aumentou 4,48%, para US$ 1,25 bilhão. Somente em outubro, na comparação com o mesmo mês do ano passado, o volume cresceu 33,64% e a receita, 23,04%.

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