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Economia

BB deixa pé no acelerador em crédito para micro e pequena empresa e rural

A crise financeira mundial e seus reflexos na economia brasileira ainda não levaram o Banco do Brasil (BB) a mudar a estratégia na área de crédito. Criação da linha Flex Agro é uma das novidades da instituição.

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A crise financeira mundial e seus reflexos na economia brasileira ainda não levaram o Banco do Brasil (BB) a mudar a estratégia na área de crédito. Além de aumentar os recursos disponíveis para pessoa física – com elevação dos limites de clientes em R$ 79 bilhões -, o banco vai manter o pé no acelerador no segmento de micro e pequenas empresas (MPE) e no de agronegócio.

“Trabalhamos com um cenário normal. Não existe nada que possa diminuir nosso fôlego”, assegurou o vice-presidente de Agronegócio e Micro e Pequenas Empresas do BB, Osmar Dias. “O crescimento nessas duas áreas é sustentado”, acrescentou Dias.

O vice-presidente assegurou que não há uma orientação do governo para socorrer a economia ou para acelerar desembolsos em caso de crise. Os números oficiais de crédito computados pelo Banco Central mostram, no entanto, que os bancos públicos estão ampliando a carteira de financiamentos numa velocidade bem superior à das instituições privadas.

Apesar da recente turbulência nos mercados internacionais e do surgimento de sinais de desaquecimento na economia doméstica, a demanda por crédito segue crescendo. Entre julho de 2010 e junho deste ano, a carteira de crédito do Banco do Brasil para micro e pequenas empresas cresceu 14,7%, chegando a R$ 59,9 bilhões.

A evolução dessa carteira nos últimos nove anos foi acelerada. Em 2003, o segmento totalizava R$ 9,95 bilhões. Hoje, o BB tem 2 milhões de contratos nesse segmento – 93% dos quais enquadrados no chamado Super Simples (faturamento anual até R$ 2,4 milhões).

Tradicionalmente, o crédito para as micro e pequenas é dominado pelas linhas de capital de giro. Isso, segundo Dias, está mudando, o que indica que as empresas estão fortalecendo a musculatura, confiantes no crescimento da economia nos próximos anos.

“O crédito para investimento das MPEs cresceu 21% nos 12 meses até junho, muito mais do que para capital de giro”, revelou o vice-presidente do BB. “Hoje, a proporção entre as modalidades capital de giro e investimento é, respectivamente, de 60% para 40%.”

De acordo com o diretor de MPEs do BB, Clênio Teribele, o banco está investindo bastante também no Cartão BNDES, modalidade igualmente destinada ao pequeno empresário. Com o cartão, o cliente tem um crédito pré-aprovado de R$ 1 milhão, com juros de 0,98% ao mês e prazo de 48 meses. Os recursos são do BNDES, mas o risco da operação é dos bancos que operam com o cartão. “O BB já detém 66% desse mercado.”

Apesar do forte crescimento do crédito das MPEs, as operações estão concentradas nas regiões mais ricas do país – Sul e Sudeste, com 75% do total. Além disso, explicou o vice-presidente do BB, a participação das micro e pequenas no Produto Interno Bruto (PIB) ainda é modesta, quando comparada à de outros países – limita-se a 21%, enquanto, nos Estados Unidos, essa fatia chega a 51% e na China, a 60% do PIB.

Apesar da baixa participação no PIB, essas empresas respondem por 60% dos empregos no país. Esse índice, segundo Dias, sobe a 90% quando são contabilizados os empregos gerados pelas empresas do agronegócio. Outro dado curioso é que as micro e pequenas representam cerca de 50% do universo das empresas exportadoras nacionais, mas apuram apenas 1,7% do valor total das exportações.

A estratégia do BB para as pequenas está ligada aos planos para a agroindústria. Dias informou que pretende reforçar a atuação do banco nesse segmento, por meio da ampliação dos financiamentos a pequenas e médias empresas do agronegócio. “Podemos ajudar a qualificar essas empresas, adequando instalações, equipamentos e métodos com orientação e financiamento”, disse o vice-presidente. “O Ministério da Agricultura pode adotar o modelo que nós financiamos”.

Como primeiro esforço, Dias aponta a criação da linha Flex Agro, que beneficia agroindústrias fornecedoras e compradoras de produtores rurais, como um forte diferencial. O diretor Clênio Teribele informou que a linha já emprestou R$ 11 bilhões em apenas cinco meses de operação. “Há muita demanda”, disse.

A linha ajudou a alavancar a carteira de crédito rural do BB, que atingiu R$ 81,6 bilhões com 1,5 milhão de contratos. “Somos o maior banco agrícola do mundo”, afirmou Dias. E o resultado veio acompanhado de uma redução da inadimplência, de 2,3% para 0,9% nos 12 meses encerrados em junho.

O “rating” das operações melhorou no período. O crédito classificado entre os riscos “AA” (superior) e “C” (médio) passou de 89,5% para 92,7%. A carteira com vencimentos prorrogados recuou de R$ 9,6 bilhões para R$ 6,37 bilhões em igual período. E as perdas nessas operações caíram de R$ 419 milhões para R$ 229 milhões.

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