Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP)R$ 70,34 / kg
Soja - Indicador PRR$ 124,10 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR)R$ 130,01 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 9,95 / kg
Suíno - Estadual SPR$ 6,92 / kg
Suíno - Estadual MGR$ 6,69 / kg
Suíno - Estadual PRR$ 6,53 / kg
Suíno - Estadual SCR$ 6,35 / kg
Suíno - Estadual RSR$ 6,63 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 171,75 / cx
Ovo Branco - Regional BrancoR$ 174,34 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP)R$ 191,17 / cx
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 198,74 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP)R$ 163,94 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP)R$ 187,34 / cx
Frango - Indicador SPR$ 6,95 / kg
Frango - Indicador SPR$ 6,95 / kg
Trigo Atacado - Regional PRR$ 1.268,96 / t
Trigo Atacado - Regional RSR$ 1.136,66 / t
Ovo Vermelho - Regional VermelhoR$ 195,44 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES)R$ 177,50 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE)R$ 160,52 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE)R$ 179,73 / cx
Insumos

Soja avança no MT

Lavoura de soja se consolida na região leste do Estado de Mato Grosso, que até pouco tempo atrás era dominada pela pecuária extensiva.

Compartilhar essa notícia
Soja avança no MT

A cada dez caminhões que cortavam as estradas de terra da região leste do Estado de Mato Grosso em 2006, dez transportavam gado. Hoje, apenas cinco anos mais tarde, oito carregam insumos agrícolas e dois são boiadeiros. O leste do Estado, a nova fronteira agrícola mato-grossense, era até pouco tempo atrás, uma área de pecuária. Essa tradição, porém, está mudando.

Lentamente, as pastagens, principal característica da porção oriental do Estado, começam a dar espaço às lavouras. Os produtores estão apostando no plantio em detrimento da pecuária extensiva. A mudança na paisagem começa a ficar mais visível agora, com várias propriedades plantando pela primeira vez nesta safra. Grandes extensões de terra ainda com cercas e currais, marcantes na pecuária, estão agora trabalhando com soja.

Os pioneiros, porém, reclamam das dificuldades de iniciar um trabalho em uma região que, até pouco tempo atrás, dedicava-se exclusivamente a outra atividade. Natural de Santo Cristo, na região noroeste do Rio Grande do Sul, Canisio Froelich, dono do grupo Nativa, juntamente com seu irmão Romeu, critica a falta de mão de obra e a alta rotatividade, mas não desanima na hora de avaliar o potencial da região.

“A mão de obra é ruim nessa nova fronteira. A tecnologia evolui sempre, mas as pessoas no campo, às vezes, não sabem operar. Quando eles aprendem vão embora. Mesmo com esse problema, a região tem muito potencial”, afirma ele. O grupo Nativa planta 40 mil hectares em sete fazendas e conta com mais de 250 funcionários.

Empolgado com o crescimento da agricultura no leste do Estado, Froelich define a atual situação da região. “Em dez anos, essa nova fronteira agrícola será uma das melhores do Estado para se produzir”, acredita Froelich, que está abrindo 12 mil hectares em uma propriedade nova.

Na fazenda Anderson, no município de Água Boa, o proprietário, Valmor Giacomolle, diz que devido à necessidade de renovar seu pasto este ano, optou por plantar soja. “Vamos testar o retorno financeiro. Se for bom vamos continuar de vez”. A previsão do proprietário é concluir o plantio até 20 de novembro nos 450 hectares.

Situação semelhante vive o produtor Carlos Alberto Petter, de 41 anos, dos quais 34 em Mato Grosso. Ele crê na tendência de transformação de pastagens em lavoura e decidiu seguir a trilha. Somente na sua propriedade foram 200 hectares convertidos.

“Só aqui na minha fazenda vou plantar 1 mil hectares. Da antiga criação de gado, me sobram 100 cabeças. As lavouras estão aumentando bem por aqui, tem muito pasto degradado que virou agricultura”, diz. A migração para a agricultura começou com a renovação do solo, muito desgastado pela criação de gado. A solução, de acordo com Petter, foi preparar a área para o plantio. A conversão custou cerca de R$ 1 mil por hectare.

Após o vazio sanitário, de junho a setembro, quando é proibido plantar para evitar a disseminação do fungo da ferrugem, os produtores de Mato Grosso já podem ligar as plantadeiras para semear uma soja superprecoce e depois acelerar a colheita para deixar o solo disponível para a safrinha. O clima no leste, por enquanto, está ajudando o agricultor. Em algumas áreas, o volume de chuvas ainda não é o ideal, mas o plantio segue normalmente.

A mudança no sistema produtivo da região é comemorada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja). “Vimos a transformação de pastagem em agricultura e sabemos que esse incremento não vai parar por aqui e vai seguir nos próximos anos”, diz o gerente técnico da entidade, Nery Ribas.

As visitas realizadas pela Aprosoja nas propriedades da nova fronteira agrícola, de acordo com Ribas, deixaram claras as melhorias na região. “Pudemos constatar a inovação tecnológica, a expansão de área de soja em área de pastagem, a transformação de uma realidade, pudemos ver as pequenas comunidades, nos pequenos municípios vislumbrando o progresso e desenvolvimento com a chegada da soja”, afirma o especialista.

Na avaliação do gerente técnico, a região ainda enfrenta algumas dificuldades. “A logística é difícil em algumas regiões por causa de estradas em péssimo estado, aumentando custos e diminuindo rentabilidade”, diz.

Nas questões ambientais, continua, “o que se viu foi o apoio dos produtores ao Código Florestal. O produtor tem interesse nessa segurança jurídica por várias questões, para buscar crédito, garantias, e poder produzir com tranquilidade. Outro anseio grande do produtor é na área de tecnologia, tanto na biotecnologia como nas cultivares, não só no potencial produtivo, mas sim naquelas resistentes a pragas, doenças e nematoides”.

O aumento da área plantada já se reflete na expectativa de produção. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), ligado à federação da agricultura do Estado (Famato), estima uma área de 6,78 milhões de hectares plantados com soja nesta safra 2011/12, com estimativa de produção de 21,5 milhões de toneladas. Na temporada 2010/11, foram 6,41 milhões de hectares e 20,5 milhões de toneladas do grão. A safra de milho deve atingir 2 milhões de hectares plantados no atual ciclo, contra 1,7 milhão em 2010/11.

Mesmo com esse aumento de área plantada, ainda existem terras que podem ser convertidas de pasto para cultivo. De acordo com dados da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), há 25,7 milhões de hectares de área de pastagem no Estado, para um rebanho de 28,7 milhões de cabeças de gado. Outra fatia de 62% da área do Estado está ocupada com terras indígenas e Unidades de Conservação.

Plantio continua em ritmo acelerado

Apesar de o prazo para o plantio de soja em Mato Grosso se estender até o fim de janeiro, estima-se que o Estado já semeou mais de 70% da área disponível. A antecipação do processo garante que a área cultivada de soja esteja livre para as segundas safras, de algodão ou milho, a partir de janeiro. Muitos produtores estão apostando no clima e nos preços do mercado para investir na safrinha de milho. Com a expectativa em alta, a comercialização antecipada da commodity no Estado já atinge 50% da produção.

No município de Santo Antônio do Leste, o agricultor William Yamashita pretende usar, pela primeira vez, toda a sua área de soja para a safrinha de milho. “Temos que aproveitar os preços para plantar”, afirma Yamashita enquanto acabava de receber uma plantadeira de última geração. O plantio em sua fazenda começou no dia 4 de outubro. A expectativa dele é começar a semeadura de milho em meados de fevereiro.

Em Mato Grosso, para aproveitar a safrinha, os produtores plantam primeiro as variedades mais precoces de soja, com um ciclo de desenvolvimento mais curto, para que até fevereiro milho ou algodão estejam plantados. Na medida em que a soja é colhida, as plantadeiras já semeiam as segundas safras. “A safrinha é uma boa alternativa para lucrar com o preço em alta das commodities nos últimos tempos. É preciso acompanhar diariamente o mercado para tomar as decisões”, diz Yamashita, referindo-se ao milho.

De acordo com dados da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), a estimativa de plantio de safrinha de milho é de mais de 2 milhões de hectares, o que revela um crescimento de 14% em relação ao ciclo passado, quando foram plantados 1,752 milhão de hectares. A produção bruta deve chegar a quase 9 milhões de toneladas de milho safrinha, 27% mais que na última temporada.

Mesmo com a força do plantio da 2ª safra, nem todos os produtores vão semear a terra nessa época. O gaúcho Carlos Alberto Petter, proprietário da fazenda Estrela do Sul, só vai investir no plantio da soja. Os trabalhos começaram em 24 de outubro e devem acabar somente 25 de novembro. “É difícil investir em duas colheitas boas, por isso vou apostar só em uma”, afirma.

Produtor vê escassez de mão de obra

Francisco Gonçalves de Assis nasceu no Maranhão, em 1968. De lá para cá já trabalhou com garimpo no Estado de Goiás, com agricultura no Sul do Brasil, esteve no comércio em São Paulo e atualmente presta serviços na fazenda Taiúva. Apesar de se ausentar de casa todo ano, não esconde a saudade da família, que ficou no Nordeste. Desde maio em Mato Grosso, Francisco já pensa em voltar para casa.

Esse êxodo é uma das principais queixas dos produtores na “nova fronteira agrícola” do Estado. A carência de mão de obra qualificada para a agricultura na região, nesta época de plantio, faz com que trabalhadores sejam “importados” de outras regiões do Estado ou mesmo do país.

O trabalhador rural explica que precisa sair do Maranhão para conseguir um trabalho bom. “Lá no Maranhão é fraco de emprego. Eu quero voltar para minha casa em dezembro e ficar por lá dois meses antes de procurar um trabalho em outro lugar”, afirma. A família, segundo ele, está à sua espera em casa.

O gaúcho Canisio Froelich, proprietário das fazendas Juliana e Taiúva, critica a falta de mão de obra, mas não se permite desanimar diante do potencial da região. “A mão de obra é ruim na nova fronteira. A tecnologia evolui sempre, mas as pessoas no campo, às vezes, não sabem operar. Mesmo com esse problema, a região tem muito potencial”, diz.

O administrador da fazenda Taiúva, Jair Schneider, informa que a distância da fazenda atrapalha na hora de contratar mão de obra. Mesmo com a reclamação de Jair, a estrutura da Taiúva impressiona. São 78 funcionários morando na fazenda, que conta com igreja, refeitório, alojamentos e campo de futebol.

O mesmo problema preocupa o produtor Carlos Alberto Petter, proprietário da fazenda Estrela do Sul. Ele elege a mão de obra como primeiro fator para limitar o crescimento de sua produtividade. “Ainda falta mão de obra qualificada aqui. Eu mesmo conserto meus tratores, planto, construo, colho”, explica.

Nesse contexto, o produtor Miguel Blanco no município de Canarama, é uma exceção à regra. Nos 550 hectares de sua fazenda, trabalham apenas cinco pessoas – ele, dois filhos e dois netos. “Aqui é tudo em família”.

Assuntos Relacionados soja
Mais lidas
Cotação
Fonte CEPEA
  • Milho - Indicador
    Campinas (SP)
    R$ 70,34
    kg
  • Soja - Indicador
    PR
    R$ 124,10
    kg
  • Soja - Indicador
    Porto de Paranaguá (PR)
    R$ 130,01
    kg
  • Suíno Carcaça - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 9,95
    kg
  • Suíno - Estadual
    SP
    R$ 6,92
    kg
  • Suíno - Estadual
    MG
    R$ 6,69
    kg
  • Suíno - Estadual
    PR
    R$ 6,53
    kg
  • Suíno - Estadual
    SC
    R$ 6,35
    kg
  • Suíno - Estadual
    RS
    R$ 6,63
    kg
  • Ovo Branco - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 171,75
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Branco
    R$ 174,34
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Grande São Paulo (SP)
    R$ 191,17
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Vermelho
    R$ 198,74
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Bastos (SP)
    R$ 163,94
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Bastos (SP)
    R$ 187,34
    cx
  • Frango - Indicador
    SP
    R$ 6,95
    kg
  • Frango - Indicador
    SP
    R$ 6,95
    kg
  • Trigo Atacado - Regional
    PR
    R$ 1.268,96
    t
  • Trigo Atacado - Regional
    RS
    R$ 1.136,66
    t
  • Ovo Vermelho - Regional
    Vermelho
    R$ 195,44
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Santa Maria do Jetibá (ES)
    R$ 177,50
    cx
  • Ovo Branco - Regional
    Recife (PE)
    R$ 160,52
    cx
  • Ovo Vermelho - Regional
    Recife (PE)
    R$ 179,73
    cx

Relacionados

SUINOCULTURA 328
Anuário AI – Edição 1342
Anuário SI – Edição 327
SI – Edição 326
AI – 1341