Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) R$ 69,51 / kg
Soja - Indicador PR R$ 152,90 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) R$ 160,44 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 7,33 / kg
Suíno - Estadual SP R$ 4,92 / kg
Suíno - Estadual MG R$ 5,10 / kg
Suíno - Estadual PR R$ 4,47 / kg
Suíno - Estadual SC R$ 4,53 / kg
Suíno - Estadual RS R$ 4,57 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 142,03 / cx
Ovo Branco - Regional Branco R$ 144,10 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 154,08 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 158,62 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) R$ 134,19 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) R$ 147,33 / cx
Frango - Indicador SP R$ 7,87 / kg
Frango - Indicador SP R$ 7,87 / kg
Trigo Atacado - Regional PR R$ 1.504,29 / t
Trigo Atacado - Regional RS R$ 1.357,21 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 166,55 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) R$ 137,33 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) R$ 145,73 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) R$ 157,70 / cx
Destaque Todas Páginas
Economia

Mercosul vs UE

França mantém ameaça à retomada de negociação de acordo da União Europeia com Mercosul. Brasil tem reação dura.

Compartilhar essa notícia

A França continuava ameaçando ontem à noite a retomada da negociação do acordo de livre comércio entre a União Europeia (UE) e o Mercosul, à véspera do anúncio oficial marcado para hoje em Madri, pelos líderes dos dois blocos. “A França não é um país sério”, reclamou um delegado sul-americano, em meio ao “esperneio” francês. Até a reunião final dos negociadores, para concluir o comunicado conjunto, foi adiada para hoje, em meio a incertezas.

Na prática, a negociação já foi relançada, pois a Comissão Europeia tem o mandato para levar adiante a discussão e o presidente José Durão Barroso divulgou até comunicado. A França busca apoio de outros países sob a alegação de que um acordo com o Mercosul vai ser devastador para a agricultura europeia. Mas poucos entendiam porque Paris insiste tanto em se opor agora, quando não se tem sequer uma ideia do que poderá ser a abertura agrícola.

A posição francesa provocou uma dura reação do Brasil, na 2ª reunião do Comitê Técnico para Promoção Comercial e Investimentos Brasil-França, ocorrida na semana passada em Brasília.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e o Itamaraty manifestaram “insatisfação” com a posição da França na negociação birregional, lembrando que a parceria estratégica é completa e vai de temas culturais a militares e econômicos.

A irritação é tanta que o MDIC começou a articular com o Itamaraty uma vinculação entre a compra de jatos de combate a uma flexibilização da posição francesa na negociação com o Mercosul.

O Ministério da Defesa, porém, resiste. Alega que já há enormes questões técnicas para a aquisição dos jatos e misturá-las com pressão diplomática sobre outros temas comerciais é um complicador a mais. Insatisfeito, o MDIC procurou diretamente a Casa Civil da Presidência da República e pediu para o governo segurar o anúncio do ganhador da licitação dos jatos até que a negociação seja relançada e a França atenue sua posição.

Mas os franceses alertam mesmo para o ganho que o Mercosul teria, de € 4,5 bilhões por ano, que foi mencionado pela própria Comissão Europeia. Na prática, o presidente Nicolas Sarkozy, cada vez mais impopular, não quer afundar ainda mais junto à opinião pública, porque sua própria candidatura à reeleição está ameaçada.

Já para o Mercosul, a dificuldade francesa é um problema entre os europeus. “O Mercosul já alcançou consenso sobre todos os temas e está pronto a negociar”, afirmou o secretário de Comércio Exterior do MDIC, Welber Barral.

Negociadores continuavam tentando superar divergências ontem sobre a declaração conjunta dos chefes de Estado e de governo a ser divulgada amanhã no fim cúpula UE-América Latina e Caribe.

Combalida pela crise do endividamento e pelo crescente desemprego, a UE mostrava racha também sobre outras questões mais gerais. Por exemplo, resistia à demanda da América Latina para os chefes de Estado condenarem a lei de imigração do Estado americano do Arizona, provavelmente porque teme ser criticada também pela dureza de suas regras.

O México tomou a iniciativa de mobilizar contra a nova lei do Arizona, que dá poder à polícia para verificar a situação migratória e prender estrangeiros irregulares. Fontes identificam a Grã-Bretanha, com o novo governo conservador de David Cameron, como um dos países que estão forçando a retirada da condenação do texto, enquanto os latino-americanos insistem em sua manutenção.

O tema da migração volta à tona ao mesmo tempo em que estudos mostram que a UE representa hoje apenas 7,5% da população do mundo, comparado a 14% em 1960, e tende a cair a 5% da população mundial em 2050, marcada pelo número de idosos . A população em idade de trabalhar se reduzirá em 68 milhões de pessoas. Significa que cada quatro pessoas em idade de trabalhar terá nas suas costas três aposentados. Para compensar o déficit populacional, a Europa atrairá 100 milhões de pessoas de fora nos próximos 40 anos.

Outro tema de controvérsia é Cuba. A delegação de Havana participará da cúpula sob tensão, com os 27 países do bloco europeu rachados sobre que política continuar adotando em relação à ilha de Fidel Castro. A morte em 23 de fevereiro do preso Orlando Zapata, depois de uma greve de fome de 85 dias, provocou forte protesto do Parlamento Europeu. Negociadores indagam como não reagir à situação em Cuba, ao mesmo tempo em que a cúpula excluiu o presidente eleito de Honduras.

A Espanha e a França são mais favoráveis ao diálogo, enquanto os ex-países comunistas do Leste Europeu endurecem contra Cuba. Só ontem a UE aceitou colocar na declaração dos chefes de Estado uma citação que rejeita o “caráter unilateral e coercitivo” da lei Helms-Burton, dos EUA, que impõe sanções a empresas e países que negociarem com Cuba. Mas a confusão diplomática continua, porque os europeus agora querem esconder esse parágrafo mais para o fim do documento e Cuba não aceita.

Assuntos Relacionados
agriculturacomérciomercosulUE
Mais lidas

Relacionados

AI – 1345
SI- edição 330
AI – Edição 1344
SI – Edição 329
AI – 1343