Em entrevista a Suinocultura Industrial, Fernando Pereira, diretor-superintendente da Agroceres PIC fala sobre os desafios da suinocultura brasileira em tempos de crise global.
Suinocultura em momento de ajustes
Por Rodolfo Antunes, de Cascavel (PR)
A suinocultura brasileira vive um momento de ajustes. A redução das exportações no último trimestre de 2008, reflexo da falta de liquidez causada pela crise internacional, desequilibrou a oferta de suínos no mercado interno. Com a oferta superior à demanda e os estoques subindo nas indústrias, os preços pagos ao produtor caíram. Como se não bastasse, a quebra parcial da safra brasileira de milho elevou o preço do insumo. Em várias partes do País já existe produtor pagando para produzir.
Suinocultura Industrial aproveitou a participação de Fernando Pereira, diretor da Agroceres PIC, no Show Rural Coopavel para bater um papo franco com ele sobre o desempenho da suinocultura brasileira em tempos de crise mundial.
Suinocultura Industrial – Tendo a crise global como pano de fundo quais as perspectivas para o setor suinícola nos próximos meses?
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Fernando Pereira – Infelizmente teremos um cenário complicado para a atividade nestes primeiros três meses. Principalmente em razão das exportações, que estão travadas por conta dos problemas de liquidez no mercado internacional. Não podemos, no entanto, tomar esta situação como uma extensão para o resto do ano. As oportunidades para a carne suína brasileira no mercado internacional nunca foram tão boas quanto hoje, ao menos sob o ponto de vista potencial. Os preços internacionais estão acima da média histórica, se prevê importante queda adicional de produção na América do Norte e na Europa e temos um câmbio muito mais competitivo. É óbvio que temos que trabalhar para transformar esse cenário favorável em negócio, mas as oportunidades estão aí. Temos uma sobra de produção em função da baixíssima exportação nos últimos três meses e esse volume vai influenciar o mercado pelo menos até abril.
SI – O senhor acredita numa melhora do desempenho do setor antes do segundo semestre?
Pereira – Uma melhora sim, mas nada parecido com os bons momentos vividos pelo setor no ano passado. Em 2009 teremos uma produção maior e portanto, a oferta de carne no mercado interno será maior. Não se espera um ano com altas margens de lucratividade. Vivemos um período de ajuste entre produção e demanda que vai perdurar por todo o ano de 2009.
SI – Diante desse cenário qual o comportamento mais recomendado para o produtor?
Pereira – Cada produtor tem um perfil e vive uma situação particular. Não existe fórmula pronta. Controlar bem o fluxo de caixa é vital. Fora isso vale a regra de sempre: buscar extrair a eficiência máxima de seu negócio. Em tempos de mercado adverso manter-se competitivo é fundamental. Além disso, grande foco tem que ser dado à oportunidade que virá depois desse período de ajuste. Vai se dar melhor na história aquele que souber visualizar com antecedência o que vai acontecer mais à frente.
SI – Como fica o abastecimento de milho depois da quebra da safra brasileira?
Pereira – A quebra de safra elevou o preço do milho. Entretanto, sob o ponto de vista do consumidor de milho, as perspectivas de abastecimento são melhores neste momento. E é simples de entender o porquê. Estávamos correndo um risco enorme devido ao grande excedente de milho no mercado brasileiro. Como se sabe, quando a oferta é muito grande os preços caem e essa situação desestimula o plantio. No entanto, a excelente exportação de milho registrada em dezembro e janeiro reduziu os estoques e estimulou o produtor de milho para o plantio da próxima safra. Isso indica uma maior possibilidade de termos um abastecimento normal em 2009, embora seja ainda prematura uma quantificação mais segura disto. Por outro lado, é também provável que os preços não devam recuar de forma substancial durante o período de colheita.





















