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Combustível

EUA e UE criticam soja no biodiesel

“Disseram que estamos muito concentrados na soja. Rebati que temos uma multiplicidade de fontes”, afirmou o ministro da Agricultura.

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EUA e UE criticam soja no biodiesel

O grupo dos países agrícolas mais ricos do mundo cobrou do Brasil uma alternativa para reduzir a forte dependência do Programa Nacional de Biodiesel do uso do óleo de soja. Em reunião na semana passada, em Paris, os ministros da Agricultura do G-20 apontaram uma excessiva concentração da commodity como base do biodiesel brasileiro. “Eles disseram que estamos muito concentrados na soja. Mas eu disse que nós temos uma multiplicidade de fontes, como a mamona, o pinhão-manso e a palma”, revelou ontem o ministro da Agricultura, Wagner Rossi.

Acostumado a apontar a cana como uma matéria-prima mais sustentável e econômica do que o milho usado pelos Estados Unidos para fabricar etanol, o Brasil teve que se explicar a europeus e americanos. O questionamento dos países ricos deriva da discussão, ainda não superada nos fóruns internacionais, sobre a concorrência direta entre a produção de matérias-primas para bioenergia e para a alimentação. Os europeus temem um “desvio” de commodities alimentares para a produção de combustíveis. Isso também atua como fator fundamental para balizar os preços da soja, em franca ascensão há vários meses.

“Disse a eles que este momento vai ser superado sem afetar commodities alimentares. Agora, a soja está mais disponível. Mas somos os maiores produtores de soja do mundo. Hoje, é só uma fração da soja que vai para o biodiesel”, justificou Rossi. A preocupação dos países ricos está baseada nos dados do programa brasileiro de biodiesel. Em 2010, 75,22% do biodiesel produzido no país utilizou o óleo de soja como matéria-prima, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP). Mamona, girassol, palma e pinhão-manso não foram listados pela ANP. Outros 20,6% foram feitos a partir de gordura bovina. E 2,4% foram fabricados com caroço de algodão.

A censura ao biodiesel brasileiro nasceu como um contra-ataque de americanos e europeus à defesa enfática do etanol de cana feita pelo ministro Rossi nos debates do G-20 Agrícola. “Houve uma tentativa de caracterizar o programa do etanol como uma certa prevenção, limitando e impondo obstáculos”, disse ele.

“Salientei a diferença entre o etanol do Estados Unidos no milho e o de cana aqui”. Rossi afirmou aos colegas que há um “impacto muito pequeno” na questão alimentar em decorrência do uso da cana-de-açúcar para a produção de etanol no Brasil. “A cana não é um alimento direto. Por isso, o texto final do G-20 foi extremamente leve com o nosso programa (de etanol). Temos preocupação, sim, com o programa dos EUA”.

Na reunião de estreia do G-20 Agrícola, o Brasil também contabilizou como vitória o fato de ter evitado a imposição de mecanismos de controle sobre os preços agrícolas. A França tentava criar um consenso sobre a necessidade de evitar a forte instabilidade nos preços das commodities agropecuárias. “O presidente Sarkozy fez uma carga pelo controle de preços, retomou a tese da resposta à comunidade internacional contra a volatilidade e a elevação dos preços”, relatou o ministro. “Mas a posição do Brasil foi muito forte”. Rossi informou que, no texto final do encontro inédito, foi “reconhecida a importância do aumento da produção e a busca de um preço de equilíbrio” para enfrentar a questão alimentar.

O ministro afirmou que o resultado do G-20 consolidou a posição negociadora do Brasil. “Foi importante não aceitar interferências no mercado, sem penalizar os eficientes. Isso não tem cabimento”.

O Brasil também evitou, segundo Rossi, a imposição de controles sobre instrumentos financeiros, alcançou compromisso dos países em abrir informações de produção global, ajudou a criar ambiente para alertas de crises alimentares e estoques humanitários de emergência, assim como avançou nos entendimentos com a União Europeia para, em vez de questionar seus subsídios agrícolas, aumentar a fatia do Brasil nas importações de € 120 bilhões.

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