De acordo com Paolinelli, é possível mais do que dobrar a produção de alimentos sem que seja necessário derrubar uma única árvore
É preciso imediatamente começar a construir um mundo melhor para as pessoas e para o planeta

Alysson Paolinelli, Presidente do Instituto Fórum do Futuro, faz uma reflexão sobre o papel do Brasil na conjuntura global dos próximos anos. “Uma árvore em pé vale muito mais do que tombada. Isto é uma grande verdade, mas hoje praticamente reservada aos cientistas, que podem enxergá-la e compreendê-la completamente. O mundo – principalmente os jovens – precisa conhecer o verdadeiro significado do que a inclusão social e tecnológica de milhões de pequenos e médios produtores pode representar para a solução das crises agudas e diversas vivenciadas atualmente”, salienta.
De acordo com Paolinelli, é possível mais do que dobrar a produção de alimentos sem que seja necessário derrubar uma única árvore, e que já existe tecnologia para isso. No entanto, é indispensável que as lideranças globais percebam a dificuldade em oferecer segurança alimentar com mais de 200 mil novas bocas sendo acrescentadas à demanda a cada dia, até 2050. “Lidar com essa realidade e ao mesmo tempo cumprir as exigências da pauta ESG exige aprimorar a gestão, o planejamento e assegurar o engajamento comprometido de líderes globais”, observa o líder do Instituto.
Estima-se que mais da metade das tecnologias sustentáveis já existentes ainda não conseguiram atingir os pequenos e médios produtores tropicais que, por sua vez, são praticamente condenados ao extrativismo que sobrevive de saques contra natureza como se fosse um almoxarifado inesgotável. Paolinelli acrescenta ainda que “é indispensável gerar renda e emprego para os excluídos com base em projetos sustentáveis orientados pela ciência. Falta decisão política, falta virar essa página da história, falta assimilar o impacto positivo que esta decisão pode representar para todos os países”.
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Só no Brasil são 4,5 milhões de famílias de pequenos e médios produtores vítimas da exclusão tecnológica. Nessa ótica, o ex-ministro da Agricultura alerta em virtude da inclusão. “Sem inclusão social e tecnológica as metas da agenda do clima simplesmente não vão sair do papel. Tudo passa primeiro pela regulamentação ambiental das terras dos produtores. Isto, por sua vez, vai levar ao mecanismo de crédito de carbono, que beneficia a todos indistintamente”.
O ex-ministro da Agricultura ainda propõe o “Terceiro Salto da Oferta de Alimentos”, onde a proposta consiste em produzir um alimento com a qualidade sonhada pelos consumidores; reduzir o desperdício; montar processos produtivos transparentes e mensuráveis; escalar a produção industrial da bioeconomia. “Se temos as condições de produzir Pirarucu de forma controlada e sustentável na Amazônia, por que não industrializar o “bacalhau” brasileiro? São perto de 30 milhões de amazônidas no Brasil. Alguma dúvida que sem renda e emprego eles vão pressionar a floresta?”, pondera o líder do Fórum do Futuro, afirmando que “é plenamente possível “Desenvolver sem Desmatar” e “é totalmente viável transformar a Amazônia no maior celeiro global de produtos naturais”.





















