A falha de energia provoca morte de 1.1 milhão de peixes. Entenda os impactos da interrupção no fornecimento elétrico em Tupãssi
Falha de energia provoca morte de 1,1 milhão de peixes no Oeste do Paraná

A morte de cerca de 1,1 milhão de peixes em Tupãssi, no Oeste do Paraná, foi provocada por falhas no fornecimento de energia elétrica que interromperam o funcionamento dos aeradores, reduzindo o oxigênio dissolvido na água e causando asfixia dos animais.
Segundo Giovanni Vitti Moro, pesquisador da Embrapa Pesca e Aquicultura, em sistemas de piscicultura intensiva a interrupção de energia compromete rapidamente a oxigenação. “Sem energia e sem aeradores, o risco de perda é muito alto, porque o peixe depende de oxigênio na água”, afirma.
Alta densidade amplia risco no fim do ciclo
Em viveiros escavados ou tanques-rede com alta densidade de estocagem, comuns na região, a dependência de energia elétrica é elevada, especialmente no período noturno.
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Durante o dia, as algas realizam fotossíntese e produzem oxigênio. À noite, além dos peixes, esses organismos passam a consumir oxigênio, elevando o risco de esgotamento do oxigênio dissolvido na água. Quanto mais próximo do abate, maior o consumo, em função do alto volume de biomassa no viveiro.
Medidas emergenciais e prevenção
Entre as recomendações técnicas estão:
Manter geradores de energia a combustível na propriedade;
Dispor de aeradores de emergência;
Implantar sensores e sistemas digitais para monitoramento da qualidade da água em tempo real;
Utilizar aplicativos para automação e acompanhamento de painéis elétricos e disjuntores;
Avaliar a instalação de sistemas de energia solar para reforço da autonomia energética.
De acordo com a Embrapa, os aeradores são essenciais para evitar mortalidade por asfixia e permitem trabalhar com maiores densidades, aumentando produtividade e bem-estar animal.
Prejuízo superior a R$ 9 milhões
O caso ocorreu na propriedade do piscicultor Paulo Michelon, que perdeu mais de 900 mil quilos de tilápia pronta para abate. O prejuízo estimado ultrapassa R$ 9 milhões. O produtor atua de forma independente e afirma que não há seguro para esse tipo de perda.
As mortes ocorreram após equipamentos da rede elétrica queimarem, paralisando os aeradores. Michelon relatou oscilações no fornecimento desde o início do ano e informou ter protocolado solicitações junto à Companhia Paranaense de Energia (Copel).
Apesar de possuir gerador, o equipamento também teve a placa de controle danificada devido às oscilações. O produtor havia obtido decisão judicial determinando que a Copel regularizasse o fornecimento em até 48 horas, sob pena de multa. Em nota, a empresa informou que a ação tramita em segredo de Justiça e que ainda não foi oficialmente intimada da decisão.
Quedas de energia afetam outras cadeias
O Sistema Faep relatou que casos semelhantes têm ocorrido no meio rural paranaense. O presidente da entidade, Ágide Eduardo Meneguette, afirmou que as falhas no fornecimento de energia têm gerado prejuízos recorrentes aos produtores.
Entre os exemplos citados está o do avicultor Pedro Riffel, de Marechal Cândido Rondon, que perdeu 800 frangos após oscilações elétricas comprometerem o acionamento do gerador da granja.
Especialistas alertam que, sem alternativas de emergência para garantir a oxigenação e a ventilação, sistemas intensivos de produção aquícola e avícola permanecem altamente vulneráveis a falhas no fornecimento de energia.
Referência: Globo Rural
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