Elevação do milho e farelo de soja supera a reação nos preços dos ovos; cotações reais da proteína renovam os piores patamares em anos
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Ovos: Alta dos insumos corrói poder de compra na postura
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Embora o mercado de ovos tenha registrado reação de preços ao longo de agosto e iniciado setembro em alta, o avanço mais expressivo nos custos dos principais insumos da atividade — milho e farelo de soja — pesou contra a rentabilidade do avicultor paulista. Com isso, a relação de troca acumulou a segunda queda consecutiva, atingindo o menor poder de compra desde fevereiro de 2026, enquanto as cotações reais da proteína continuam ancoradas em picos historicamente baixos.
Esta semana (04/09): Custo de ração encarece e reduz poder de compra do avicultor
O fato da semana: Em agosto, o poder de compra do avicultor de postura em São Paulo atingiu o menor patamar real desde fevereiro de 2026 frente ao milho e ao farelo de soja, marcando a segunda retração consecutiva na relação de troca.
- Impacto dos insumos: As altas do milho e do farelo de soja entre julho e agosto foram mais intensas do que a valorização conseguida pela proteína no mesmo período, sufocando as margens das granjas.
- Troca pelo milho em queda: Com a venda de uma caixa de ovos brancos, o produtor conseguiu comprar 128,49 kg de milho (-1,3% frente a julho). No caso dos ovos vermelhos, a caixa garantiu 128,86 kg de milho (-1,3%).
- Abertura de setembro: As cotações da proteína iniciam setembro em tom de alta, impulsionadas pela virada de mês e pela expectativa de entrada da massa salarial.
Semana anterior (28/08): Média mensal supera julho, mas cotações reais seguem historicamente baixas
Na semana anterior, o balanço parcial de agosto apontava recuperação no acumulado mensal, apesar do descompasso no fim do mês:
- Frequência quinzenal: O forte ritmo de vendas na primeira metade de agosto garantiu média superior à de julho, mesmo com a perda de fôlego e quedas nas cotações registradas nos últimos dias do mês.
- Poder aquisitivo no varejo: O enfraquecimento das vendas no fim de agosto refletiu a perda do poder de compra do consumidor final, cenário típico de segunda quinzena.
- Piso em anos: Mesmo com a melhora mensal frente a julho, as cotações reais (deflacionadas pelo IGP-DI) fecharam agosto no menor patamar para o período desde 2021 para ovos brancos e desde 2020 para ovos vermelhos.
Comparativo direto: A pressão sobre a avicultura de postura
| Frente de Análise | Semana Anterior (28/08) | Esta Semana (04/09) — Destaque |
| Média de Preço dos Ovos | Parcial de agosto supera julho, mas recua na 2ª quinzena | Preços iniciam setembro em alta |
| Patamar Real das Cotações | Menor média para agosto desde 2021 (brancos) e 2020 (vermelhos) | Reação do ovo é insuficiente para cobrir a inflação dos insumos |
| Custos de Produção | Pressionados pelo encarecimento do milho e da soja | Poder de compra cai ao menor nível desde fev/26 (-1,3% de troca) |
| Demanda / Consumo | Desaceleração no encerramento de agosto (fim de mês) | Expectativa de retomada das compras com a virada do mês |
A dinâmica do setor de ovos ilustra o clássico aperto de margens provocado pela disparada dos custos operacionais. Embora a demanda de início de mês traga alívio temporário às cotações no atacado, a continuidade das altas do milho e do farelo de soja exige reajustes mais firmes na caixa de ovos para que o avicultor recomponha sua capacidade de custeio e rentabilidade.
Da Redação























