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Argentina pede ”reflexão” a produtores rurais

Governos os acusou de interromper o diálogo, com a decisão de fazer um locaute de seis dias a partir desta sexta-feira.

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Redação (01/10/2008)- O filme se repete na Argentina: os produtores rurais voltam aos protestos em todo o país sob o argumento de que o governo não toma medidas concretas para o setor, enquanto o Executivo os acusa de preferir as medidas de força em lugar de negociar. O governo argentino pediu "reflexão" aos produtores rurais e os acusou de interromper o diálogo, com a decisão de fazer um locaute de seis dias a partir desta sexta-feira.

"Esta medida nos surpreendeu muito porque não esperávamos um protesto em um momento em que vínhamos dialogando, inclusive íamos voltar a nos reunir nesta semana", afirmou ontem à noite o secretário de Agricultura, Carlos Cheppi. Segundo ele, o locaute "impede a continuação do diálogo", já que se um "setor anuncia um protesto é porque não quer dialogar". O conflito entre o campo e o governo teve início em março e durou até julho, com a derrota do aumento dos impostos sobre exportações (as chamadas retenciones). Desde então, as entidades rurais tentam negociar com o governo uma política para o setor, mas nenhuma medida concreta foi anunciada.

"Fizemos muitas coisas neste tempo. É um momento no qual a política internacional e a crise financeira nos apresentam um panorama difícil. Nesse contexto, esta medida de protesto ajuda muito pouco o país", reclamou Cheppi. As quatro entidades rurais mais representativas da Argentina anunciaram ontem a volta do locaute e dos protestos por um período inicial de seis dias. O motivo é o mesmo que detonou a maior crise de sua história entre o governo e o setor agropecuário, em março deste ano: elevadas taxas sobre exportações, controles de preços e limitações para as exportações de carne, trigo e milho.

O novo presidente da Sociedade Rural Argentina (SRA), Hugo Biolcati, disse que o setor está pior do que antes das retenciones móveis, que o governo tentou aprovar no Congresso em julho passado e foi derrotado em uma votação desempatada pelo "voto não positivo" do vice-presidente Julio Cobos. Na Argentina, a Constituição diz que o vice-presidente é o presidente do Senado e tem a prerrogativa de votar em caso de empate. "Estamos em uma situação muito pior porque agora não são só as retenciones, mas a queda dos preços internacionais e a pior seca dos últimos 100 anos", reclamou Biolcati.

O presidente da Federação Agrária, Eduardo Buzzi, criticou a falta de diálogo do governo. Segundo ele, Cheppi se sentou poucas vezes para negociar e nunca apresentou uma proposta concreta para os problemas apresentados pelo setor. Buzzi afirmou que a secretaria de Agricultura continua vazia de poder, apesar da troca de titulares, pois quem decide é a Casa Rosada. Reclamou que "depois do voto de (Julio) Cobos não houve mais reuniões com a presidente Cristina Kirchner".

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