Com a crise financeira, é provável que o ritmo de crescimento da demanda e das economias mundiais caia.
Produção recorde seria imprudente, diz ministro
Redação (21/10/2008)- A tendência de a crise mundial atingir as commodities nos próximos seis meses interrompe a corrida pelo aumento contínuo na produção de grãos no Brasil. Na safra de verão, cujo plantio ganha força nesta semana no Paraná, não é aconselhável bater recordes. A avaliação partiu do ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes, no lançamento da Expedição Safra 2008/09 da Rede Paranaense de Comunicação (RPC), ontem pela manhã, em Curitiba.
Num pronunciamento sobre a crise mundial e o mercado agrícola, Stephanes lembrou que, há seis meses, o Brasil se preparava para elevar a produção de grãos em 50% na próxima década. Tal planejamento tinha como objetivo aproveitar o aumento da demanda mundial por alimentos e o uso de milho e soja na produção de energia. Agora, com esse quadro alterado pela crise financeira, é provável que o ritmo de crescimento da demanda e das economias mundiais caia. Nesse contexto, o melhor para o Brasil é manter a produção de grãos, apontou o ministro. “Não é aconselhável que se tenha recorde de produção neste momento.”
Para Stephanes, só no início de 2009 será possível avaliar as conseqüências da crise financeira para o setor rural. O primeiro levantamento oficial sobre o plantio brasileiro de verão indica que a área de plantio deve se manter em 48,6 milhões de hectares em 2008/09, mas a produtividade pode cair, com menor investimento em insumos e novas tecnologias. No entanto, mesmo com clima normal, a colheita pode ser 1,2% menor que a da safra 2007/08, que chegou a 143,9 milhões de toneladas, informa a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Apesar do quadro menos empolgante que o da safra passada, o Brasil continua sendo o país com maior capacidade de aumentar a produção de alimentos, avaliou o ministro. Ele lembrou que a área agrícola pode ser triplicada, com o uso de 50 milhões de hectares de pastagens e outros 50 milhões de hectares ociosos.
Leia também no Agrimídia:
- •Mato Grosso do Sul abre consulta pública para controle de Salmonella em aviários comerciais
- •APCS completa 59 anos fortalecendo a suinocultura paulista e ampliando mercados para a carne suína brasileira
- •Mercado de carne suína na Rússia enfrenta queda de preços diante do aumento das importações
- •Influenza Aviária avança na Ásia com novos focos na Coreia do Sul, Japão e Índia
Stephanes prometeu que o governo federal vai acionar os mecanismos disponíveis para garantir renda mínima ao produtor na época da colheita, referindo-se a leilões e demais programas que influenciam oferta, demanda e escoamento.
Comitê da crise
O ministro da Agricultura contou que há dois meses o governo federal realiza semanalmente reuniões para discutir a crise financeira e definir sua linha de ação. Segundo ele, é a primeira vez que a pasta que comanda integra uma cúpula do gênero. Participam do comitê outros três ministérios da área econômica: Fazenda, Indústria e Comércio e Planejamento. Uma das principais preocupações é manter o ritmo das exportações e o saldo positivo da balança comercial, relatou Stephanes.
O secretário estadual da Agricultura e Abastecimento, Valter Bianchini, disse que, independentemente das dificuldades da crise financeira, o Paraná vai continuar como líder nacional na produção anual de grãos, com cerca de 30 milhões de toneladas. Em sua avaliação, o entrosamento entre setor produtivo e governos estadual e federal nunca foi tão alto e isso facilitaria o enfrentamento dos problemas mundiais.
Brasil estuda retormar reserva de potássio
O plano de metas para a auto-suficiência em fertilizantes em dez anos, a ser divulgado no início de 2009, prevê a retomada de reservas de potássio no estado do Amazonas, adiantou ontem o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes. O direito de exploração de uma jazida localizada em Nova Olinda do Norte, entre os rios Madeira e Amazonas, foi cedido pela Petrobras a uma empresa canadense, a Falcon. Stephanes disse que, desde que decidiu se debruçar sobre o problema da dependência do país em fertilizantes, o governo vem descobrindo muitos erros. A concessão de Nova Olinda seria um dos mais evidentes. O potássio é o ingrediente de fertilizantes que o Brasil tem mais dificuldade para produzir. “Funcionários da Petrobras aposentados vendem informações das jazidas para investidores estrangeiros”, acusou Stephanes.





















