Presidente falou que há emergentes com “muito mais importância” que os integrantes do G-8 e defendeu que o G-20 seja ampliado .
G-8 é “coisa meio defeituosa”, afirma Lula
Redação (30/03/2009)- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem, durante entrevista à rede de televisão americana CNN, duras críticas ao G-8, grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo e a Rússia, qualificando-o de "uma coisa meio defeituosa". Lula afirmou que há emergentes com "muito mais importância" que os integrantes do G-8 e defendeu que o G-20 seja ampliado e passe a tratar não apenas de assuntos econômicos, mas também de questões climáticas e políticas.
"Porque [o G-20] é muito mais representativo, heterogêneo, e representa com muito mais fidelidade a geografia política e econômica do mundo de hoje", disse o presidente, que no próximo dia 2 participará da reunião de cúpula do G-20, em Londres. Na entrevista ao jornalista Fareed Zakaria, Lula defendeu também a ampliação da influência dos emergentes no Conselho de Segurança da ONU e em organizações multilaterais como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, controladas, segundo ele, por europeus e americanos.
"Nós queremos ter mais incidência nas decisões políticas do mundo", declarou Lula, segundo a íntegra da entrevista obtida pelo Valor – a CNN levou ao ar uma versão editada de 30 minutos, com intervalos comerciais. Na gravação, Lula criticou parceiros do Brasil que se recusam a apoiar a reforma do Conselho de Segurança. "Tem divergência da Itália, que não quer que a Alemanha participe; tem divergência da China, que não quer o Japão. Mas eu acho isso tudo uma bobagem."
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Lula passou grande parte da entrevista elogiando o presidente dos EUA, Barack Obama, e lhe fazendo recomendações. Disse, por exemplo, "que ele não tem que se preocupar tanto com a Guerra do Iraque". Sugeriu que os EUA sejam mais "otimistas" em relação à América Latina e que desempenhem um novo papel, mas "não aquele de ingerência política". Recomendou que Obama "leia com atenção" sobre a crise japonesa dos anos 90 e que se aproxime da Venezuela de Hugo Chávez. Por fim, qualificou de "absurdo" o bloqueio americano a Cuba.
À vontade na entrevista, depois de ser apresentado por Zakaria como "um dos mais populares presidentes do mundo", o presidente disse que a crise econômica mundial é "uma boa provocação", algo que está lhe dando ânimo e disposição para brigar. "Quanto mais crise, mais política social; quanto mais crise, mais investimento do Estado", celebrou.





















