Soja convencional brasileira arrebata interesse europeu. Mercados tradicionais da Europa não permitem o consumo de grãos transgênicos.
Grande mercado para a soja brasileira
É fim de tarde na movimentada estação de trem de Zurique quando Ricardo Tatesuzi de Sousa, secretário-executivo da Associação Brasileira de Produtores de Grãos Não Geneticamente Modificados (Abrange), desce do trem já com o telefone celular tocando.
Primeiro, é um importador da Áustria que quer confirmar um encontro para o dia seguinte em Viena. Logo em seguida é um empresário de Copenhague (Suécia) querendo informações para importar soja não transgênica brasileira.
“Não negociamos, mas podemos colocá-lo em contato com nossos associados”, repete Tatesuzi, que pouco antes tinha visitado a empresa suíça Fenaco, importadora de farelo para ração animal, localizada nos arredores de Zurique.
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Ele está em visita a importadores na Alemanha, Suíça, Áustria, Inglaterra, Holanda e Dinamarca promovendo os grãos convencionais certificados. Focou especialmente em mercados tradicionais que por questões ambientais e/ou de segurança alimentar não permitem o consumo de grãos transgênicos. Na Alemanha, onde começou a visita, foi informado de que a rejeição aos trangênicos pela população é de 80%.
Tatesuzi diz ter constatado que os importadores querem a linha inteira de produtos não transgênicos. Desde a soja ou farelo como o milho, mas também o frango e até o ovo com a certificação de que são convencionais. Sua mensagem na Europa é que o Brasil tem volume significativo para atender todos os mercados, tanto soja convencional, como orgânica ou transgênica. Diz que a soja convencional, que é o seu negócio, tem 24 milhões de hectares plantados, ou 45% da produção. Atualmente, 6 milhões de soja convencional certificada são exportadas por ano e o objetivo é aumentar o volume em 5% por ano até 2015.
A Abrange foi criada pelos grupos Caramuru, AMaggi, Imcopa, Brejeiro e Vanguarda, além de cooperativas, justamente de olho nesse mercado que garante um preço maior. “Desde então estamos organizando a produção para possibilitar a segregação, rastreabilidade e certificação da produção de grãos convencionais”, diz. “Ao contrário do Brasil, a Europa alterou sua legislação para garantir o fornecimento de grãos NGMO para aos consumidores como opção comercial de produtos”.
Tatesuzi conta que alguns encontros que terá na Europa partiram de iniciativa de importadores. “Vamos ser um ‘hub’ de negócios”, diz. Ele não esconde dificuldades pela frente, por exemplo na certificação de milho convencional, quando existe o perigo de contaminação do produto plantado a 20 metros de transgênicos. Mas se diz convencido sobre o crescimento do mercado de grãos convencionais e de maior rentabilidade. Além disso, argumenta que transgênicos trazem problema de resistência de pragas. “Há 9 milhões de hectares no Brasil infectados por uma só erva, a buva”, exemplifica.





















