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Com sorte, real cai após IOF

Governo abriu “saco de maldades”, como se diz nas mesas de operação, e tirou mais duas medidas para controlar o câmbio.

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O governo abriu o “saco de maldades”, como se diz nas mesas de operação, e tirou mais duas medidas para o câmbio na noite de segunda-feira.

A reação no mercado na terça-feira foi de valorização no preço do dólar, mas muito da alta (para não dizer toda) tem relação, mesmo, com a forte degradação de ambiente externo que pautou o pregão de terça-feira. Ainda assim, o dólar subiu menos por aqui do que em outras praças de negociação.

Vamos aos números. O dólar comercial subiu 1,26% e fechou a R$ 1,687. O contrato futuro de dólar, com vencimento em novembro, avançou 1,07%, para R$ 1,687 na BM&F (veja gráfico abaixo). Vale lembrar que na máxima do dia tanto o dólar à vista quanto o contrato futuro chegaram a superar a marca de R$ 1,70. Mas foi visível a pressão vendedora logo depois que tal patamar de preço foi atingido.

Já no câmbio externo, o Dollar Index, que mede o desempenho da divisa americana ante uma cesta de moedas, subiu 1,70%, para a linha dos 78,2 pontos (veja gráfico abaixo). O euro caiu 1,5% e voltou à linha de US$ 1,37. E captando o aumento na aversão ao risco, o VIX saltou mais de 10%, para 21 pontos.

Considerando esses números, vemos que o mercado local ainda ficou parcialmente descolado de todo o pessimismo externo.

De forma resumida, foram os seguintes eventos que levaram ao mau humor de ontem: a China subiu a taxa de juros pela primeira vez desde 2007, empresas americanas apresentaram fracos resultados trimestrais e a já chamada “crise” dos contratos de execuções hipotecárias, que atinge os bancos nos Estados Unidos, continuou se agravando.

Podemos dizer que a Fazenda teve um pouco de sorte ao anunciar as medidas, pois elas casaram com esse movimento global de valorização do dólar.

Vale lembrar que em 5 de outubro, primeiro pregão que pegou a alta do IOF de 2% para 4%, o Japão tinha cortado ainda mais seus juros, estimulando uma onda global de queda no preço da moeda americana para azar da Fazenda.

Mais uma vez, então, a medida do governo faz pouco para conter a alta do real? A avaliação racional diz que sim. O investimento de longo prazo continua atrativo, mesmo com 6% de IOF, e essa taxação sobre os depósitos de margens por estrangeiros na BM&F não pega o grosso das garantias depositadas que são os títulos públicos, que representam mais de 80% do total.

O que pesa, mesmo, é a sinalização. O “saco de maldades” está aberto. Esse foi o recado dado pelo governo. Ou seja, novas elevações de IOF ou outras medidas não estão descartas.

Com isso, cria-se certa insegurança em se apostar de forma mais incisiva na queda do dólar para abaixo de R$ 1,65, por exemplo, último piso testado e respeitado.

Outra questão levantada é que quanto mais medidas o governo toma, mais distante o País fica do regime de câmbio flutuante.

Atenção aos dados da BM&F sobre a movimentação no mercado futuro ontem. Qual terá sido o comportamento do estrangeiro? Compraram ou venderam ainda mais contratos de dólar? Até a segunda-feira, dia 18, os gringos estavam vendidos em US$ 10,60 bilhões em dólar futuro. Na outra ponta estavam os bancos, com US$ 10,28 bilhões em contratos comprados.

Ainda na agenda do dia, o IPCA-15 de outubro, que pode confirmar inflação mais forte, entre 0,50% e 0,60%. E a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que deve reafirmar a manutenção da Selic em 10,75% ao ano.

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