Exportação para a China é cada vez maior, mas o Brasil não conseguiu avançar muito na fatia que ocupa nas importações do país asiático.
Venda sobe, mas BR patina no mercado chinês

A exportação brasileira para a China é cada vez maior, mas o Brasil não conseguiu avançar muito na fatia que ocupa entre as importações do país asiático.
Em 2009, a China tornou-se o principal parceiro do Brasil nas vendas ao exterior. De lá para cá, a dependência em relação ao país asiático aumentou a cada ano. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, no acumulado dos 12 meses terminados em junho daquele ano, o país asiático representava 11,04% do total embarcado pelo Brasil. Nos 12 meses terminados em junho do ano passado, a participação já era de 13,4%, e no mesmo período encerrado em junho deste ano avançou cinco pontos percentuais, para 16,2%.
Nesse mesmo período, porém, a participação do Brasil na importação total da China ficou praticamente estável. Saiu de 2,85% nos 12 meses encerrados em junho de 2009, caiu para 2,67% um ano depois e se recuperou para 2,81% em junho de 2011. As informações sobre a participação brasileira na importação chinesa são da Confederação Nacional da Indústria (CNI).
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“Isso mostra que, apesar do aumento da importância da China na exportação brasileira, ainda não conseguimos avançar muito em termos relativos nas importações chinesas”, diz José Augusto de Castro, vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Em boa parte, diz, porque a pauta de exportação brasileira à China é concentrada em poucos produtos.
“A sensação de que estamos elevando consideravelmente as vendas à China se deve muito à alta de preço das commodities exportadas, como soja e minério de ferro. Isso não quer dizer que estamos ganhando fatia de mercado nas compras dos chineses”, diz Castro.
Relatório do Observatório Brasil China, da CNI, mostra que o minério de ferro não aglomerado, principal produto exportado aos chineses pelo Brasil atualmente, não conseguiu ganhar espaço nas importações chinesas nos últimos anos. Em 2003, os brasileiros representavam 24,6% do mercado chinês do minério. No acumulado de 12 meses encerrados em junho deste ano, a fatia era de 23,4%.
Marcelo Azevedo, economista da CNI, explica que o Brasil perdeu uma oportunidade por não conseguir avançar mais em um mercado que cresceu na China, em média, 51,6% ao ano, de 2003 até o ano passado. O Brasil concorre com a Índia e com a Austrália no fornecimento de minério não aglomerado aos chineses.
Olhando as vendas brasileiras ao país asiático, porém, o minério de ferro não aglomerado foi a grande estrela em 2011. A participação desse item na pauta de exportação da China chegou a 38,7% do valor exportado no acumulado de janeiro a setembro. No mesmo período do ano passado, a fatia era de 33,9%. Em 2003, o item significava apenas 11,5% do total vendido aos chineses.
“Para ganhar mais espaço na importação chinesa é preciso ter maior diversificação. A pauta brasileira, ao contrário, ficou cada vez mais concentrada. Mais ainda quando se considera a pauta para a China”, diz Azevedo.
Castro lembra que a grande avalanca do crescimento da exportação brasileira aos chineses em 2011 foi o preço. O saldo do comércio entre Brasil e China bateu em US$ 10 bilhões no acumulado até outubro, praticamente o dobro do superávit das trocas entre os dois países durante o ano passado, como ressalta a secretária de Comércio Exterior, Tatiana Lacerda Prazeres. “Esse é um resultado positivo, porque a maior parte dos países tem déficit na balança comercial com a China e nós temos superávit.”
Especialistas acreditam, porém, que a forte alta de preços das commodities, que contribui significativamente para a elevação do superávit este ano, não deve ser mantida em 2012. A soja que está sendo embarcada agora, lembra Castro, foi contratada a US$ 515 a tonelada. O minério de ferro foi comprado a um preço perto de US$ 135 a tonelada. Hoje, porém, diz ele, o preço já caiu. O preço da soja já baixou para US$ 430 a tonelada e o do minério de ferro, para US$ 100 a tonelada.
“Esse superávit certamente não se repete no próximo ano”, diz Fábio Silveira, sócio da RC Consultores. O saldo positivo se deve à alta de preços concentrada exatamente nos produtos que o Brasil mais exporta para a China. No ano que vem, estima Silveira, os preços das commodities exportadas devem cair entre 10% a 20% em relação aos patamares médios praticados este ano. “Mesmo que, com a desaceleração prevista para o mercado internacional, haja crescimento relativamente alto da economia chinesa, essa demanda não irá compensar a queda de preços dos produtos exportados pelo Brasil”, avalia o economista.
No lado das importações brasileiras de itens “made in China”, o impacto de preços não será tão alto. Isso porque o Brasil importa da China predominantemente manufaturados. “Esse itens com maior valor agregado não apresentam amplitude de preços como a das commodities”, diz Silveira. Além disso, o Brasil, apesar da desaceleração, deve continuar com crescimento e com aumento de demanda doméstica, o que alavanca as importações.
De janeiro a outubro deste ano, o Brasil exportou à China US$ 37,13 bilhões, dos quais 85,5% são produtos básicos, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento. A importação brasileira com origem China no período foi de US$ 27,05 bilhões, dos quais 96,7% foram manufaturados.
Tatiana diz que ainda não é possível traçar cenários para 2012, mas lembra que a balança comercial é dinâmica. Provavelmente, diz, os US$ 10 bilhões de superávit existentes no comércio com a China em outubro não se mantenham até o fim de 2011. Isso porque a exportação para a China perde fôlego nos dois últimos meses do ano e a importação de produtos chineses deve se manter, até novembro, em ritmo mais acelerado.
A China, diz a secretária, é um “gigante” e qualquer aumento de participação no mercado é expressivo. Para Tatiana, o importante é que o Brasil está aproveitando o momento atual, que tem permitido retorno relativamente alto para a exportação.























