Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) R$ 70,94 / kg
Soja - Indicador PR R$ 152,61 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) R$ 160,99 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 7,16 / kg
Suíno - Estadual SP R$ 4,83 / kg
Suíno - Estadual MG R$ 5,02 / kg
Suíno - Estadual PR R$ 4,45 / kg
Suíno - Estadual SC R$ 4,52 / kg
Suíno - Estadual RS R$ 4,53 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 141,20 / cx
Ovo Branco - Regional Branco R$ 140,88 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 153,04 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 152,41 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) R$ 133,95 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) R$ 147,00 / cx
Frango - Indicador SP R$ 7,34 / kg
Frango - Indicador SP R$ 7,35 / kg
Trigo Atacado - Regional PR R$ 1.453,63 / t
Trigo Atacado - Regional RS R$ 1.355,88 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 168,21 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) R$ 134,14 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) R$ 152,75 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) R$ 161,54 / cx
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Economia

Valor agregado distorce balança, mostra estudo

Relatório da OCDE e OMC ressalta diferenças de medição da balança em termos de valor agregado.

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Valor agregado distorce balança, mostra estudo

Um amplo estudo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização Mundial do Comércio (OMC) que será divulgado hoje mostra resultados bem diferentes na balança comercial do Brasil, quando medida em termos de valor agregado. E aponta perda de oportunidades para o país ampliar exportações.

Primeiro, o superávit comercial do país com a China seria 45% menor (de US$ 12,1 bilhões para US$ 4,9 bilhões) comparado com o fluxo bruto, pois o país vende basicamente commodities usadas por exportadores chineses. Já com os EUA, o superávit seria maior do que mostram as estatísticas convencionais em 2009 (US$ 6,6 bilhões em termos de valor agregado, ante US$ 5,6 bilhões no fluxo total), e maior o destino final do consumo. Ou seja, os EUA, e não a China, seriam na prática o maior parceiro comercial do Brasil
 
Segundo, o conteúdo estrangeiro nas exportações brasileiras e a fatia de bens intermediários usados na exportação são menores no Brasil do que em todos os países desenvolvidos e em boa parte do resto do mundo.

De US$ 176 bilhões exportados, US$ 160 bilhões representaram o valor agregado brasileiro em 2009. “O Brasil tem um conteúdo doméstico muito importante nas exportações”, diz o analista Sebastien Miroudot, da OCDE. “É positivo na medida em que o país conserva uma ampla parte do valor que exporta, mas pode ser negativo se representa ocasiões perdidas para ser mais competitivo importando bens e serviços intermediários com custo menor.”

Terceiro, o setor de serviços tem um peso muito maior do que se pensa no comércio exterior brasileiro. Representa uma fatia significativa de valor agregado em commodities e indústrias intermediárias, e mais de 40% do total do valor agregado das exportações.

O estudo leva em conta as complexidades do comércio internacional onde o design, fabricação e montagem de produtos frequentemente envolvem vários países. Procura medir os fluxos comerciais com base no valor que é agregado (salário do trabalhador, taxas, lucros) por um país na produção de qualquer bem ou serviço que é exportado.

Constata, de maneira geral, que as cadeias globais de valor se tornaram dominante nas trocas globais. Não é só a de localização, mas de nova organização da produção, mais sofisticada, e novos consumidores nos emergentes. Outros cálculos da renda gerada pela cadeia global mostram que a parte dos emergentes aumenta. Assim, em vez de medir o valor da exportação entre dois países, procura traçar o valor até o consumidor final.

A competitividade de exportações se define por insumos baratos, estratégias de abastecimento e facilitação de importações para reduzir custos. A produção, da matéria-prima até o produto final, está crescentemente sendo feita onde há qualificação e material disponível a custo competitivo e qualidade.

Com a crescente fragmentação da produção, as tarifas acabam sendo acumuladas quando um produto intermediário passa por países diferentes.

O debate sobre estatísticas tradicionais no comércio e a medida em valor agregado pode ter consequências sérias no mundo real. E alguns emergentes, como o Brasil, acompanham o tema com bastante cuidado. Basta ver que as estatísticas atuais, que mostram enorme superávit da China com os EUA e União Europeia, alimentam batalhas políticas contra o câmbio chinês e suas alegadas práticas exportadoras desleais. Se for considerado que um produto chinês embute muito de conteúdo americano, o superávit chinês cai bastante.

Da mesma maneira, a medida em valor agregado pode facilitar argumentos de Pequim contra sobretaxas impostas pelo Brasil a seus produtos. Os chineses podem alegar que, afinal, o produto não é totalmente deles, apenas uma parte da montagem.

Conforme o estudo, os EUA são o principal parceiro comercial do Brasil e consomem 17% das exportações brasileiras em termos de valor agregado, mais do que os 15% em termos brutos. O oposto ocorre com a China, já que 60% do que o Brasil exporta para os chineses são commodities, muitas das quais terminam como produto final consumido nos EUA e na Europa.

Também em termos de valor agregado, os déficits do Brasil com países europeus e a Índia são menores.

Quanto ao valor agregado estrangeiro nas exportações brasileiras, não passam de 10% do total, refletindo o tamanho e a especialização do país em commodities e no estágio inicial da cadeia de fornecimento de produtos.

Por sua vez o setor de serviços representa parte significativa no valor de exportações de commodities e manufaturas, por exemplo em produtos alimentares, transportes e produtos de mineração. No total, os serviços representam 15% das exportações brasileiras nas estatísticas convencionais, mas 40% em agregação de valor.

As conclusões da OCDE e OMC se somam a recente estudo do Banco Mundial apontando queda na competitividade das exportações brasileiras. Essa pesquisa confirma a baixa no número de empresas exportadoras no Brasil. E aponta a falta de integração na cadeia global de produção como possível explicação para o baixo dinamismo do setor exportador brasileiro.

A extensão pela qual o Brasil está fora da cadeia global de suprimento pode ser avaliada, pelo menos parcialmente, olhando o comércio em partes e componentes, segundo o Banco Mundial.

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