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Abipecs defende investimento em mercados estáveis

A conquista do mercado japonês para a carne suína de Santa Catarina animou todo o setor no Brasil.

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Abipecs defende investimento em mercados estáveis

A conquista do mercado japonês para a carne suína de Santa Catarina animou todo o setor no Brasil. O Japão é considerado por muitos países como uma referência e, assim, a relação mercadológica com os catarinenses pode fortalecer os negócios brasileiros com outros países, bem como colaborar para abrir novos mercados. Neste contexto, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Carne Suína (Abipecs), Rui Vargas, defende a busca por mercados mais sólidos como Japão, para que o Brasil sofra menos oscilações na suinocultura devido ao acúmulo de estoque, provocadas por instabilidades de parceiros comerciais. Ele deu entrevista a O Presente Rural em que ele também avalia as novas conquistas e perspectivas futuras da suinocultura.

O Presente Rural – O que significa para a suinocultura a abertura do mercado com o Japão? Resolve todos os problemas?

Rui Vargas – A abertura para o Japão é um marco muito importante para as exportações de carne suína porque até então não tínhamos acesso e não temos acesso ainda para algumas carnes, como a de bovino. Vamos ter um ganho importante para a evolução da carne suína no Brasil porque é um mercado bastante sólido e mais equilibrado, com requisito de qualidade muito importante, sendo considerado como referência para outros países.

OP – E os demais Estados, porque é tão difícil melhorar os status?

Rui Vargas – O grande empecilho para exportarmos para o Japão, Coreia, EUA e outros países é a vacinação da febre aftosa, exercitada no bovino, mas atinge a suinocultura diretamente, porque onde há vacinação impede a exportação de carnes de animais suscetíveis a essa enfermidade. Para mudar essa exigência depende de uma grande política, o que é muito difícil hoje.

OP – O que é preciso fazer para melhorar a competitividade no Japão?

Rui Vargas – Não há muito interesse para a suinocultura de aumentar volume de exportações. A intenção é manter essa relação de 80% do que se produz ser destinado ao mercado interno e 20% a 25% para exportação, que colabora para dar equilíbrio de preço interno e também externo. Quando colocamos uma boa porcentagem de produto no mercado externo, garantimos um preço bom e também equilibramos a produção, no que tange a insumos, cuja maioria é importada. A saída da carne para exportação dá um equilíbrio nesse processo.

OP – Mas a relação do Brasil com a Rússia, que ainda é o principal destino da carne suína brasileira, é bastante instável. Na sua opinião, o que precisa ser feito para efetivamente se fortalecer?

Rui Vargas – Dentro da expectativa de exportarmos 25% do que produzimos, nós temos a Rússia, Ucrânia e Hong Kong como os principais destinos. Realmente temos tido mais trabalho porque, principalmente os russos, são bastante instáveis. Há uma interferência muito forte no aspecto comercial do desempenho de produção de carne suína de cada país. Ora querem comprar, ora não, não há um preço mínimo a ser exercitado. Então é muito difícil a relação comercial com esses países. Para fortalecer precisamos realmente investir em mercados mais estáveis, como o próprio Japão, a Coréia e outros que mantêm relação comercial mais estável, para nos permitir escolher mercados e, se houver instabilidade mercadológica em algum destino, que possamos canalizar produtos para outros países, que queiram comprar, ou que ofereçam preço melhor, para não haver desequilíbrio do preço exercitado no mercado interno.

OP – Que mercados, então, podemos considerar alvos importantes para o Brasil?

Rui Vargas – Brasil precisa pensar em Japão, investir na abertura do mercado da Coréia e México. São hoje três grandes importadores de carne suína do mundo. A China é um mercado aberto, mas é um processo lento e deve demorar mais a sua consolidação, embora seja um país que exercita um preço baixo, muitas vezes não compensando tirar produto do mercado interno para exportar para os chineses. Além disso há de ser considerado o custo de produção, que muitas vezes para nós é muito elevado e acaba não compensando vender para a China, que vai pagar menos. São pontos que precisam ser avaliados.
 

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