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Economia

Um pacote ‘requentado’ para agilizar o escoamento

Ministros se unem para divulgar medidas que já existem ou demorarão anos para surtir efeito.

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Preocupado com os engarrafamentos de caminhões nas rodovias brasileiras, o governo federal tentou costurar ontem, em evento realizado em Brasília, um pacote de medidas de curto, médio e longo prazos para descentralizar o escoamento da produção agrícola.

Como lembrou o ministro da Agricultura, Antônio Andrade, apenas as exportações de grãos do país tendem a crescer 15 milhões de toneladas em 2014 em relação ao volume deste ano, quando o escoamento talvez tenha sido o mais tumultuado de todos os tempos, com reflexos sobre os custos dos fretes, que foram às alturas.

Apesar da urgência, nenhuma medida concreta capaz de amenizar significativamente os gargalos no primeiro semestre do ano que vem foi anunciada. Velhos atenuantes, porém, foram reforçados. O uso de “equipamentos eletrônicos”, como realçou Andrade, é um deles; a ampliação da capacidade de armazenagem em regiões produtoras, anunciada em junho – e que não depende apenas do governo, uma vez que parte dela é privada, é outro. Também faz parte desse pacote o funcionamento dos principais portos durante 24 horas por dia em alguns períodos, como já acontece.

E o agendamento de cargas em sintonia com o cronograma dos navios que transportarão as exportações a seus destinos, que também é feito em muitos casos, poderá ser melhor trabalhado. Para isso, o governo afirma estar conversando com as principais tradings do país – que no ano passado procuraram o governo em busca de soluções para agilizar o escoamento uma vez que alta dos fretes “sobrou” para elas.

Sobre rotas alternativas ou maior estímulo ao uso dos modais ferroviário e hidroviário, nada ao alcance da vista, ainda que o Ministério dos Transportes tenha prometido construir novas estradas e viadutos, o que não costuma acontecer de um dia para o outro.

No médio prazo, soluções já conhecidas voltaram a emergir. Entre elas estão projetos para facilitar o acesso da produção aos portos e as obras na BR 163 em Mato Grosso, que poderão finalmente tornar viável o aumento do fluxo de mercadorias pelo Norte do país. Atualmente, 58% da produção nacional de grãos, ou cerca de 80 milhões de toneladas, são produzidas longe da região Sudeste, mas apenas 15% desse total são exportadas por portos do Norte.

Mesmo que nada de peso tenha sido anunciado para o curto prazo, o ministro dos Transportes, César Borges, afirmou que o país precisa de medidas imediatas para descentralizar o escoamento da produção agrícola. E ressaltou que é urgente a duplicação da BR 163 para ajudar a escolar a safra dos grandes centros produtores de grãos de Mato Grosso tanto para o Norte quanto para o Sul e o Sudeste. Mas o próprio ministro lembrou que essa duplicação só será concluída em cinco anos. E isso se tudo correr às mil maravilhas, o que também não costuma acontecer com obras dessa envergadura, sobretudo no bioma amazônico.

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