Para Lanznaster se de um lado estamos favorecendo os concorrentes, de outro, prejudica-se a indústria nacional que, com a escassez do milho, sofre um brutal aumento de custo
Presidente da Aurora aponta “inutilidade” da Conab mediante a exportação do milho

O milho é um insumo essencial para gigantescas cadeias produtivas do Brasil. Duas delas estão em Santa Catarina, que detém o mais avançado parque agroindustrial da avicultura e da suinocultura do País. Para alimentar um rebanho anual de 1,2 bilhões de aves e 12 milhões de suínos por ano, empregam-se milhões de toneladas de rações cuja base nutricional em 70% é o milho.
Mário Lanznaster, presidente da Cooperativa Aurora, aponta que a produção brasileira de milho deveria situar-se neste ano em 84 milhões de toneladas (34 milhões na primeira safra e 50 milhões na segunda), todo ele necessário para alimentar a agroindústria de carnes e de lácteos. A última avaliação indica que deverá totalizar 78,9 milhões de toneladas, com recuo de 10,73% sobre a safra anterior, de 88,3 milhões de toneladas, segundo levantamento da Safras & Mercado. “Esse, entretanto, não é o maior problema. O governo permitiu que se realizasse uma imensa e desmedida exportação desse valioso grão que pode chegar a 38 milhões de toneladas embarcadas. A ironia é que esse insumo foi e está sendo exportado para concorrentes do Brasil que o transformarão em proteína animal na disputa do mercado internacional de carnes”, entende.
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Para Lanznaster se de um lado estamos favorecendo os concorrentes, de outro, prejudica-se a indústria nacional que, com a escassez do milho, sofre um brutal aumento de custo. “Chega a ser desconcertante assistir, nos portos brasileiros, o milho nacional sendo exportado, enquanto se desembarca milho da Argentina, numa operação kafkiana que poderia ter sido substituída pela racionalidade e pelos princípios da inteligência comercial agrícola, conceitos dominados e praticados por países mais desenvolvidos”, argumenta. “Nesse cenário, emerge e compreensão da completa inutilidade da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) cujo dever é o de regular os mercados para evitar esse tipo de tragédia”, afirma.

O cooperativista sublinha que o superencarecimento do milho resulta em milhões de reais de custos adicionais para as indústrias e a insolvência de praticamente todos os produtores rurais que não estão protegidos pelo sistema integrado de produção avícola e suinícola. “Com a falta de milho a indústria passou a comprar trigo e farelo de soja, consumindo todos os estoques que havia no mercado doméstico”, sinaliza.
Para o representante de uma das principais cooperativa do país, com a captura do trigo para formulação da nutrição animal, desviando-o do consumo humano, logo sentiremos o aumento do preço do pão e demais derivados desse cereal. “A consequencia inevitável será o aumento da inflação, que empobrece e vergasta as faixas mais vulneráveis da população brasileira, além do desemprego na cidade e no campo com o fechamento dos pequenos frigoríficos, granjas e outros estabelecimentos rurais. A economia não perdoa a má gestão”, concluí.





















