Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) R$ 70,19 / kg
Soja - Indicador PR R$ 153,81 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) R$ 161,73 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 7,27 / kg
Suíno - Estadual SP R$ 4,83 / kg
Suíno - Estadual MG R$ 5,04 / kg
Suíno - Estadual PR R$ 4,43 / kg
Suíno - Estadual SC R$ 4,52 / kg
Suíno - Estadual RS R$ 4,52 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 141,85 / cx
Ovo Branco - Regional Branco R$ 143,59 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 154,01 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 158,78 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) R$ 134,15 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) R$ 146,79 / cx
Frango - Indicador SP R$ 7,74 / kg
Frango - Indicador SP R$ 7,74 / kg
Trigo Atacado - Regional PR R$ 1.473,16 / t
Trigo Atacado - Regional RS R$ 1.358,79 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 166,55 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) R$ 137,33 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) R$ 151,17 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) R$ 161,05 / cx
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Comércio e Protecionismo sob Trump – Por Marcos Sawaya Jank

Cenário protecionista obriga o Brasil a buscar outros parceiros comerciais
 

Comércio e Protecionismo sob Trump – Por Marcos Sawaya Jank

A eleição de Donald Trump torna o mundo menos globalizado. Não há dúvida de que a sua vitória reflete um movimento latente na sociedade americana contra políticas e políticos tradicionais e a busca por algo novo e diferente. É difícil saber o que vai acontecer após as eleições, uma vez que governar é diferente de discursar e sempre há grandes limitações, institucionais e monetárias, no que pode de fato ser feito.

Mas tudo indica que Trump fará movimentos simbólicos em pelo menos duas áreas de grande apelo para o seu eleitorado: contenção de imigrantes e imposição de restrições comerciais em áreas que afetam a indústria americana.

Nesse sentido, um dos golpes mais duros poderá ser dado contra o multilateralismo e os grandes acordos comerciais. Se somarmos a vitória de Trump ao crescente nacionalismo europeu simbolizado pelo “brexit”, é inevitável enxergarmos um paralelo com o período entreguerras do século 20. A exemplo do que aconteceu nos anos 1930, tudo indica que caminhamos para um novo período dominado por escaladas protecionistas, nacionalismos e xenofobia.

Aqui na Ásia, a percepção geral é que a eleição de Trump enterra de vez a TPP (Parceria Transpacífico), conduzindo o Sudeste Asiático a uma inevitável aproximação com a China, traduzida no reforço do Regional Comprehensive Economic Partnership (RCEP), acordo comercial que reúne 16 países da Ásia e Oceania, e da iniciativa chinesa “One Belt One Road (Obor)” na área de infraestrutura.

Trump declarou que os EUA abandonariam a TPP, renegociariam os termos do acordo de livre-comércio com o Canadá e o México (Nafta) e elevariam em 45% as tarifas de importação sobre produtos chineses.

Desde o colapso da Área de Livre-Comércio das Américas (Alca), em 2003, as relações do Brasil com os EUA no governo do PT nunca foram boas. O governo Temer trouxe grande esperança de forte alinhamento e retomada das relações. Agora é esperar para ver como a retórica da campanha vai se traduzir na realidade das políticas americanas, principalmente as políticas externa e comercial.

Mas não podemos ficar parados. Com a Europa e os Estados Unidos revendo relações internas e externas, na direção de rotas mais isolacionistas e protecionistas, creio que deveríamos olhar com mais cuidado para a região mais dinâmica do mundo, a Ásia. Esse imenso continente, ainda pouco conhecido pela maioria dos brasileiros, pode ser a grande esperança para o comércio e os investimentos num cenário de incerteza no Ocidente, ainda mais se considerarmos a vocação de setores globais do Brasil como alimentos, fibras, bioenergia, florestas plantadas e mineração. Desde 2000, o vetor dinâmico das exportações desses setores tem sido a Ásia. Nos investimentos, caminhamos no mesmo sentido.

Num mundo multipolar, é fundamental antecipar jogadas e definir claramente o que queremos e como chegar lá. Neste momento, o país que mais deseja incrementar as relações e investir no Brasil é a China. Exemplos são a compra recente de grandes empresas geradoras de energia no país e os investimentos anunciados nos setores do agronegócio e infraestrutura.

Contudo, contrapartidas adequadas são necessárias e precisam ser negociadas. Oportunidades imensas também existem na Índia e nos dez países que formam a Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como comprovado pelo ministro Blairo Maggi em recente viagem pela região.

Num momento em que tanto o multilateralismo como o regionalismo sofrem um grande baque, talvez a única saída seja incrementar as relações bilaterais com parceiros que há um ano não estavam no nosso radar. A tempestade que se formou no horizonte da globalização parece ser negra e duradoura, mas não tem jeito: teremos de navegar através dela. 

 (*) Marcos Sawaya Jank é especialista em questões globais do agronegócio. Escreve aos sábados, a cada duas semanas.

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