Mercado de ações fecha em território negativo afetado pelo recuo de mineradoras e petroleiras
Moeda norte-americana avança para R$ 5,20 e retoma teto de três meses

O mercado financeiro doméstico experimentou uma jornada de forte volatilidade, resultando na valorização do dólar para o patamar mais elevado em quase três meses. Paralelamente, o índice de referência da bolsa de valores local interrompeu uma sequência positiva recente e encerrou as operações diárias com recuo de quase 0,5%, pressionado de forma direta pelas perdas nas ações dos segmentos de mineração e petróleo.
O rearranjo das carteiras globais foi motivado pela perspectiva de manutenção ou elevação das taxas de juros na economia dos Estados Unidos e pelo tombo expressivo nas cotações internacionais do petróleo, que atingiram os menores patamares desde o começo das tensões bélicas na região do Oriente Médio. Esse conjunto de fatores reduziu a disposição dos investidores globais em alocar capital em ativos indexados a commodities. No fechamento, o dólar comercial registrou incremento de 0,28%, estabelecido em R$ 5,202, após registrar um pico de R$ 5,22 nas primeiras horas de negócios. O resultado marcou o segundo dia seguido de valorização e o maior preço de encerramento desde o final de março.
A sustentação da divisa estrangeira ocorreu em linha com a percepção de que o Federal Reserve possa endurecer as condições monetárias para conter as pressões inflacionárias norte-americanas, antecedendo a divulgação do índice de inflação do consumo (PCE). Esse cenário fortaleceu o índice DXY diante de uma cesta de moedas globais de referência. Em âmbito local, especialistas apontam que a redução no diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos diminuiu as vantagens das operações de arbitragem financeira baseadas na disparidade de taxas (carry trade).
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Perda de fôlego do mercado acionário
O Ibovespa finalizou os negócios posicionado em 170.506 pontos, acusando uma desvalorização de 0,44% e quebrando uma série de três altas consecutivas. O indicador chegou a ensaiar ganhos no início do pregão, mas sucumbiu diante do peso das empresas exportadoras de matérias-primas.
A retração nos contratos de petróleo e o fortalecimento cambial prejudicaram as cotações das indústrias extrativistas e de metais básicos, movimento que foi acompanhado pelo recuo do setor bancário. No sentido oposto, as companhias voltadas aos negócios de consumo doméstico encontraram espaço para valorização, impulsionadas pelo recuo registrado nos contratos de juros futuros de longo prazo.
Geopolítica global e queda expressiva no petróleo
No panorama internacional, as atenções estiveram voltadas para a evolução dos diálogos diplomáticos entre o governo dos Estados Unidos e as autoridades iranianas, somada à desobstrução progressiva do transporte de cargas marítimas pelo Estreito de Ormuz.
Essa acomodação nos riscos geopolíticos eliminou parte do prêmio de segurança que sustentava o preço dos combustíveis fósseis, penalizando diretamente as ações de companhias ligadas à exploração energética. Com isso, o petróleo amargou a terceira sessão consecutiva de perdas, reagindo ao potencial incremento de oferta no mercado internacional.
O barril de petróleo tipo Brent com vencimento para setembro caiu 3,81%, finalizando cotado a US$ 73,87. Já o indicador WTI norte-americano para entrega em agosto encolheu 3,92%, fixado a US$ 70,34 por barril, tendo testado valores inferiores a US$ 70 ao longo do dia de negociações. As sinalizações de livre tráfego de navios e eventuais flexibilizações sobre a comercialização do produto vindo do Irã reduziram os temores de desabastecimento na cadeia global.
Fonte: Agência Brasil























