Embarques atingem 852 toneladas em setembro, enquanto produtores buscam recuperação de margens após oscilações de preços no mercado interno durante o primeiro semestre
Exportação de tilápia cresce 32%, mas setor projeta repasse de custos operacionais

As exportações brasileiras de tilápia registraram um avanço expressivo de 32% no mês de setembro, totalizando 852 toneladas embarcadas, em comparação com as 646 toneladas consolidadas em agosto. Apesar do desempenho positivo e da expansão no mercado externo, o setor produtivo enfrenta um cenário de forte pressão nas margens financeiras, impulsionado pela elevação acumulada nos custos de produção ao longo do ano e pelos desafios de rentabilidade nas operações de campo.
O mercado interno de tilápia projeta uma recuperação gradual dos preços pagos ao produtor para os próximos meses, movimento aguardado com expectativa pelos piscicultores. Essa perspectiva de reajuste ocorre após um primeiro semestre marcado por fortes oscilações nas cotações, período em que a cadeia produtiva foi severamente penalizada pela queda sazonal no consumo doméstico e pelo avanço competitivo das importações de filés de peixe asiáticos. A necessidade de recomposição de caixa torna-se, portanto, o principal vetor para as negociações de contratos de fornecimento no último trimestre do ano.
Do lado dos custos operacionais, a formulação de ração segue como o principal componente de atenção para a viabilidade da aquicultura. No entanto, o cenário macroeconômico internacional apresenta sinais de alívio no curto prazo. As cotações do milho na Bolsa de Chicago registraram um recuo de 1,53%, pressionadas pelo avanço acelerado da colheita nos Estados Unidos e pelo aumento do volume de vendas na Argentina. Essa desvalorização do grão no mercado externo tem o potencial de atenuar a pressão sobre os custos de nutrição animal no Brasil, beneficiando diretamente a estrutura de custos da tilapicultura, além de favorecer as cadeias integradas de aves e suínos.
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Adicionalmente, o mercado monitora de perto o desenvolvimento da safra de verão, que ditará a disponibilidade futura de farelo de soja. O plantio da oleaginosa no ciclo 2026/27 alcançou 26% da área estimada no Brasil, de acordo com levantamento da AgRural. Enquanto a melhora dos níveis de umidade acelerou os trabalhos de campo em Mato Grosso e Goiás, o excesso de chuvas na região Sul, especialmente no Paraná, tem dificultado o avanço das plantadeiras. Esse cenário adiciona um fator de volatilidade climática à precificação dos insumos essenciais para a formulação de rações no próximo ano. Para mitigar esses gargalos de custo, o setor também busca soluções no âmbito tributário. A associação Peixe BR reuniu-se recentemente com o governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, para negociar a revisão de um decreto estadual que onera o setor produtivo, evidenciando a busca por maior competitividade regional.
Da Redação























