Produção gaúcha de milho, soja e trigo soma 22 milhões de toneladas, mas capacidade é de 18 milhões.
Armazenar a safra ainda preocupa
Da Redação 12/01/2004 -04h45 – A combinação entre a produção recorde de grãos a cada safra e a manutenção da capacidade de armazenagem tende a piorar o problema de falta de espaço nos silos e armazéns gaúchos. A situação no RS é o reflexo da realidade nacional: 22 milhões de toneladas de milho, soja e trigo produzidas neste ano para uma capacidade de 18 milhões de t. No Brasil, a relação é de 130 milhões de t de grãos para uma área física de 85 milhões de t. “Vamos ter problemas de estoque a curto prazo”, observa o superintendente da Conab/RS, Carlos Manoel Farias. Conforme o dirigente, apesar de a capacidade estar ajustada, sempre há um jeito de acomodar os cultivos dos ciclos de inverno e verão, “desde que haja agilidade na comercialização”. Esse, porém, não tem sido o caso. De acordo com o chefe do escritório da Emater de Passo Fundo, Cláudio Doro, o triticultor gaúcho – que colheu a maior safra de trigo da história – está retendo o produto a fim de melhorar o preço mínimo. Até o final de dezembro, haviam sido vendidos mais de 9% da safra, quando, no mesmo período de 2002, o percentual era de 36%.
A situação se agrava com estoque de cerca de 23% da última safra de milho e 17% da de soja. O pesquisador de Pragas e Produtos Armazenados da Embrapa Trigo, Irineu Lorini, considera difícil que exista espaço para acomodação das novas safras de milho e soja a partir de março. “A tendência é esse trigo sair na metade do ano.” Lorini recomenda controle redobrado no manejo contra as pragas para manter a qualidade e evitar perdas.
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Os estoques de trigo paranaense também comprometem as vendas gaúchas. “Os moinhos estão abastecidos. A única alternativa é a exportação.” O mercado externo já adquiriu 262,2 mil t de trigo do Estado e a meta é chegar entre 600 mil t e 700 mil t.























