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Ferrugem da soja explode no país e se aproxima do recorde

O número de casos registrados no Paraná é 40% superior ao verificado no ano passado e, no país, já se aproxima do recorde da safra 2006/07.

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Redação (26/03/2009) – As chuvas do início do ano, que estancaram as perdas causadas pela estiagem do final de 2008 à safra de verão do Paraná, também multiplicaram os casos de ferrugem asiática da soja no estado. Apesar da seca do final do ano passado, que poderia reduzir a incidência da doença, o número de casos registrados no Paraná é 40% superior ao verificado no ano passado e, no país, já se aproxima do recorde da safra 2006/07.

Conforme o Sistema de Alerta do Consórcio Antiferrugem da Embrapa Soja, até ontem haviam sido notificadas mais de 2,5 ocorrências no Brasil, contra 2.778 há dois anos. O Paraná é o líder do ranking, com mais de metade dos focos. São quase 1,5 mil reportes neste ano contra 1.038 em todo o ano anterior, recorde até então.

Até o dia 29 de janeiro havia poucos pontos de ferrugem e a situação estava sob controle no Paraná, relata Maria Celeste Marcondes, agrônoma do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). “Os focos começaram a aparecer em maior número em fevereiro”, recorda. No final de janeiro de 2009, o Paraná contabilizava 87 ocorrências e o Brasil 379. No início de março, o número de reportes saltou para 903 no estado e 1.837 no país. Agora, são, respectivamente, 1.447 e 2.598 focos.

“Não foi o número de casos ou a severidade da doença que aumentou, mas sim a eficiência da coleta de informação”, justifica Celeste. Na safra passada, havia 21 postos de coleta e análise de amostras no estado, diz a agrônoma. Hoje, são 33.

A velocidade do avanço da doença, entretanto, é inegável. Em apenas três semanas, os reportes de ferrugem cresceram 60% no Paraná – contra cerca de 40% no Brasil. Para o pesquisador da Embrapa Soja Rafael Moreira Soares a eficiência da rede estadual de informação é também a principal explicação para o acelerado ritmo de disseminação do fungo em território paranaense.

“O número de focos é mais expressivo no Paraná que no Mato Grosso, por exemplo, porque há uma maior eficiência na detecção dos casos”, diz. O estado do Centro-Oeste brasileiro, que é hoje o maior produtor nacional de soja, com quase 8 milhões de toneladas de 1,7 milhão de hectares a mais que o Paraná, tem atualmente 12 postos de coleta cadastrados.

Na contramão

Na área da Coamo, cooperativa sediada em Campo Mourão (Noroeste) que atua em 55 municípios do Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, o número de casos de ferrugem registrados no ciclo 2008/09 é o mais baixo dos últimos cinco anos, garante o supervisor de assistência técnica Antonio Carlos Ostrowski, sem citar números. Depois de quase 10 anos convivendo com a ferrugem, o produtor já aprendeu a controlar a doença, argumenta o técnico. Ele conta que a média de aplicações de fungicida caiu com relação ao ano passado. “Na temporada anterior eram necessárias entre 1,8 e 2 aplicações para combater a doença. Nesta safra, a média tem variado entre 1 e 1,5 aplicação”, relata.

Com mais de 50% da área colhida e cerca de 30% das lavouras que ainda estão no campo já em estágio de maturação, menos de um terço das plantações paranaenses está suscetível à doença. Mas nem por isso o produtor pode descuidar do monitoramento, adverte Ostrowski. “Até agora, apesar do alto número de focos, a ferrugem não deve gerar grandes prejuízos. Mas é preciso ficar atento porque é uma doença que, se não for combatida, pode causar perdas de até 90%”, completa.

Desde a primeira ocorrência, na temporada 2001/02, até a safra passada (2007/08), estima-se que a ferrugem asiática da soja tenha causado prejuízos de mais de US$ 10 bilhões ao país, somando-se as perdas de produtividade e o custo para o controle da doença, segundo informações do Consórcio Antiferrugem.

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