Um dos entraves para adequar a criação aos padrões exigidos é a dificuldade de financiamento
Câmara Setorial de Carne Suína quer manual de boas práticas para a suinocultura
Produtores rurais, pesquisadores, técnicos e representantes de entidades ligadas à suinocultura paulista se reuniram, na quinta-feira (07/07), na sede da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, na Capital, para discutir os principais entraves que afetam o setor. Um dos problemas recorrentes é produzir suínos de forma sustentável, questão que contará com estudo e proposta da Pasta para normatização da produção de acordo com a legislação ambiental.
Pesquisadora da Secretaria de Agricultura que atua no Polo Regional Apta – Centro Sul, situado em Piracicaba, Edna Bertoncini expôs os resultados de seu trabalho “Diagnóstico de Efluentes da Suinocultura nas Bacias Hidrográficas dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) e Tratamento em Estação Piloto”, que trata da adequação das granjas para não emissão de contaminantes.
A reunião decidiu que um Grupo de Trabalho formado pela pesquisadora responsável pelo estudo; o coordenador das Câmaras Setoriais, Alberto Amorim; João Pimentel, da Assessoria Técnica da Pasta de Agricultura; dois representantes da Secretaria do Meio Ambiente; e dois indicados pelo setor, se encarregariam de discutir os resultados da referida pesquisa e transformá-lo em um manual de boas práticas de tratamento de dejetos e efluentes para o segmento de suinocultura.
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José Luiz Fontes, dirigente da Assessoria Técnica da Secretaria, fez uma breve explanação do Plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC), informando que está em fase de aprovação – após um trabalho de quase seis meses, reunindo esforços de diversas Secretarias de Estado, Universidades e entidades da sociedade civil e tendo a Agricultura como gestora. O Plano pretende incentivar a adoção de sistemas de produção sustentáveis, que assegurem a redução de emissões de gases de efeito estufa e o tratamento de dejetos dos animais para a geração de biogás e de composto orgânico, o que contribuirá para a elevação da renda dos produtores.
Auxílio
Um dos entraves para adequar a criação aos padrões exigidos é a dificuldade de financiamento, mas, a Secretaria de Agricultura possui linhas de financiamento disponibilizadas pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap), vinculado à Pasta, não incompatíveis e passíveis de serem acumuladas a outras fontes de crédito.
Rafael Bergamaschi apresentou a Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP), instituição financeira do Governo do Estado de São Paulo que promove o desenvolvimento sustentável por meio de operações de crédito consciente e de longo prazo para as pequenas e médias empresas paulistas. No caso dos suinocultores, o grande problema é a falta do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), uma vez que 90% da categoria atuam como pessoa física. Nesse sentido, o técnico da Desenvolve SP se comprometeu a levar essa questão à atenção do conselho e tentar buscar uma solução.
O grupo se dedicou também à discussão sobre a lei que rege a agroindústria familiar. São Paulo é um mercado bastante cobiçado, produtores de todo o Brasil almejam colocar seus produtos à disposição dos consumidores paulistas. Nessa disputa, o grande sempre leva a melhor. Como garantir o espaço dos pequenos produtores sem perder o foco da sanidade do produto é o desafio que um grupo de trabalho formado por técnicos da Secretaria de Agricultura assumiu junto ao titular da Pasta.
No caso dos suinocultores, essa readequação é mais que bem-vinda, uma vez que, dos 600 estabelecimentos comerciais que compõem a cadeia, apenas 25 possuem liberação do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sisp) Artesanal.
O secretário Arnaldo Jardim observou que a pauta proposta pelo setor guarda fina sintonia com os eixos prioritários identificados por ele, seguindo orientações do governador Geraldo Alckmin, sobre os quais se estrutura a sua gestão: harmonia entre agricultura e meio ambiente, premissa defendida também pelos suinocultores; sinergia entre pesquisa e produção, construída pelo constante movimento de assistência técnica e extensão rural realizado pelos técnicos da Secretaria de Agricultura, no intuito de levar as descobertas tecnológicas aos produtores rurais, especialmente os pequenos e médios e, não menos importante, trazer aos pesquisadores as demandas geradas no campo; demonstrar todos os produtos e serviços que o governo estadual disponibiliza com o objetivo de empoderar o pequeno produtor, torná-lo mais competitivo e eficiente; e garantir a sanidade dos alimentos, por meio de pesquisa, transferência de conhecimento e fiscalização.
A Secretaria de Agricultura dispõe de seis institutos e 14 polos regionais de pesquisa, reunidos na Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), onde são feitos os mais diversos tipos de estudos envolvendo desde o desenvolvimento de novas cultivares, estratégias para ganho do peso dos animais e para adoção do controle biológico de pragas, acompanhamento de preços e análises econômicas e mercadológicas, controle do pescado e técnicas para acondicionar e garantir a saudabilidade dos alimentos.
Esse caldo cultural permite que o Estado de São Paulo, o mais industrializado e ao mesmo tempo o que detém o maior valor da produção agropecuária (VPA) da Federação, se mantenha também como o principal centro de conhecimento agropecuário.























