Analistas comparam “Sadigão” a Ambev para defender direitos do consumidor.
União da Sadia e Perdigão pune consumidores
Para Sadia e Perdigão, a fusão entre as duas empresas, que pode ser anunciada ainda hoje, permitirá melhor negociação com fornecedores e clientes, redução de custos e ganhos de sinergia estimados em R$ 2,2 bilhões. Já para os consumidores e o governo, que deve aportar dinheiro no negócio por meio do BNDESPar (a área de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o negócio pode trazer prejuízos, segundo órgãos de defesa do consumidor e especialistas do mercado.
“A rigor, o Cade [Conselho Administrativo de Defesa Econômica] não deveria aprovar um negócio desse”, diz José Eduardo Balian, professor de economia da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing). “É ruim para a sociedade duas vezes: consolida um monopólio que reduz a concorrência e usa dinheiro público, que poderia ser direcionado a projetos mais prioritários, como em infraestrutura.”
O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) vê a fusão com preocupação. “Esperamos que o Cade e os órgãos competentes façam uma boa análise, mas concentração indica sempre aumento de preços”, diz Marcos Pó, do Idec.
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Os ganhos com sinergias, que poderiam significar redução de preço ao consumidor, não tiveram esse resultado nas últimas grandes fusões e aquisições no país, afirma ele. “A união entre Brahma e Antarctica, que resultou na criação da AmBev, trouxe muitos ganhos de sinergia, mas eles não chegaram ao consumidor”, diz Pó. “Ao contrário. A AmBev usou o poder conquistado para pressionar concorrentes menores e tirar ainda mais opções do mercado. Quando duas empresas se unem, elas não o fazem em benefício do consumidor, mas para aumentar sua lucratividade.”
Maria Inês Dolci, do Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), tem a mesma opinião. Levantamento da entidade mostrou que nenhum dos casos de fusão e aquisição no país resultou em redução de preços. “São raros os casos rejeitados pelo Cade mesmo que, para o consumidor, nunca tenha havido benefícios. Apenas menos opções, já que as concorrentes menores são eliminadas de vez com a criação de gigantes”, diz Dolci, colunista da Folha.
Com o negócio, a nova empresa será uma das maiores companhias de alimentos das Américas. Segundo a consultoria Economática, ocupará a décima posição em faturamento no setor. Nos últimos 12 meses, a receita consolidada somada seria de US$ 9,466 bilhões. Para a corretora Brascan, a fusão eleva o valor de mercado das duas em quase 25%.
Quase 90% do mercado
A nova empresa também terá quase 90% de participação de mercado em massas prontas, quase 70% em pizzas semiprontas e mais de 50% em produtos industrializados em geral, de acordo com relatório da corretora Santander.
No caso da AmBev, o Cade obrigou a cervejaria a vender fábricas e a marca Bavária. Para Sadia e Perdigão, a expectativa é que os negócios sejam mantidos independentes por um período, até o aval da entidade.





















