Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) R$ 69,77 / kg
Soja - Indicador PR R$ 152,82 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) R$ 160,55 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 7,27 / kg
Suíno - Estadual SP R$ 4,88 / kg
Suíno - Estadual MG R$ 5,08 / kg
Suíno - Estadual PR R$ 4,43 / kg
Suíno - Estadual SC R$ 4,48 / kg
Suíno - Estadual RS R$ 4,54 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 141,85 / cx
Ovo Branco - Regional Branco R$ 143,59 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 154,01 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 158,78 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) R$ 134,15 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) R$ 146,79 / cx
Frango - Indicador SP R$ 7,76 / kg
Frango - Indicador SP R$ 7,76 / kg
Trigo Atacado - Regional PR R$ 1.489,65 / t
Trigo Atacado - Regional RS R$ 1.358,79 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 166,55 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) R$ 137,33 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) R$ 151,17 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) R$ 161,05 / cx
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Economia

Para socorrer frigoríficos médios, governo estuda patrocinar fusões

Cerca de 15 indústrias precisariam de R$ 2,5 bilhões para se reerguer. Solução aponta para a fusão desses frigoríficos em grupos que concorreriam com JBS, Marfrig e Brasil Foods.

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O governo avalia socorrer frigoríficos de carne bovina de médio porte debilitados por dificuldades financeiras derivadas da crise econômica global. Ao menos 15 indústrias precisariam da injeção de R$ 2,5 bilhões de capital por meio de uma nova linha de crédito oficial, apurou o Valor. Algumas dessas empresas já entraram em recuperação judicial e outras ainda buscam saídas para evitar um recurso à Justiça.

Uma solução costurada nos bastidores aponta para a fusão desses frigoríficos em um ou dois grupos que concorreriam com JBS, Marfrig e Brasil Foods. Além disso, qualquer crédito estatal seria “carimbado” para garantir o pagamento das dívidas com pecuaristas (estimadas em R$ 800 milhões) e instituições financeiras, além do capital de giro necessário para tornar viáveis a nova operação.

A ação do governo também obrigaria as empresas a profissionalizar sua gestão. Antes resistentes a ceder o controle de suas empresas, todos os industriais se mostram favoráveis à união patrocinada pelo governo. A fatia dos novos sócios no futuro grupo seria equivalente ao patrimônio e ao endividamento atuais de cada empresa.

O assunto entrou no radar do governo nesta semana em conversas reservadas da indústria com alguns ministros. E foi levado à reunião ministerial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo ministro da Agricultura, Wagner Rossi. Representante da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) esteve ontem com Rossi e o ministro do Desenvolvimento, Miguel Jorge, para reforçar o pedido de socorro. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, já foi informado do situação.

A situação financeira dos frigoríficos tem piorado desde a imposição de restrições da União Europeia à venda de carne brasileira, em 2007. Depois, a crise internacional fez secar linhas de crédito antes fartas e baratas. O mau momento pegou as empresas alavancadas, com altos investimentos, margens apertadas e com capital de giro rarefeito. Em 2009, as exportações sofreram um tombo de US$ 1 bilhão. Com planos de crescimento frustrados, as indústrias alegam ter ficado sem condições de quitar as pesadas dívidas e com uma capacidade ociosa que beira 30%. Neste ano, as vendas externas devem estacionar nos mesmos US$ 5 bilhões de 2009.

Os frigoríficos médios reclamam apoio do governo e apontam como desequilibrada a atuação do BNDES no setor. Criticam o que chamam de “Carnebrás”, patrocinada com dinheiro público. Nas conversas de bastidor, o governo tem defendido de forma intransigente a estratégia do banco estatal de concentrar o foco em JBS e Marfrig. Mas admite ter faltado uma ação mais sistêmica de ajuda ao setor, sobretudo para pequenas e médias indústrias.

Uma linha de R$ 10 bilhões foi lançada no início de 2009 para tentar ajudar as agroindústrias, inclusive frigoríficos. Mas o nível de exigência em garantias reais e a alta taxa de juros de 11,25% ao ano (mais “spreads”) impediram algumas empresas de emprestar os recursos. Apenas R$ 6,4 bilhões foram desembolsados e, segundo o governo, metade do dinheiro destinado a frigoríficos acabou nas mãos de JBS e Marfrig.

Executivos que acompanham as negociações com os ministros avaliam que a demanda foi recebida com boa vontade pelo governo. Parte da equipe do presidente Lula avalia que a situação é realmente difícil. O cenário econômico tampouco é animador, segundo esses relatos. A crise na UE e a forte pressão política interna para barrar a carne brasileira no bloco seguem uma trava importante para a superação da restrição de demanda. Os sinais de desaceleração nos EUA e na China também reforçaram a sensação de urgência na ação do governo. Por fim, questões operacionais no Irã e barreiras não-tarifárias na Rússia dificultam uma retomada das exportações.

Mas a questão que mais angustia uma parcela do governo é o impacto social de uma quebradeira generalizada no setor. Os empresários fizeram chegar ao governo que estão em jogo 80 mil empregos diretos nos médios e pequenos frigoríficos. Além disso, o Ministério da Agricultura está preocupado com os efeitos de um calote das indústrias na atividade pecuária.

O domínio de JBS e Marfrig sobre o mercado não interessa ao governo porque esse seria o caminho mais curto para uma ampla crise de renda na pecuária via depressão de preços. O governo lembra dos impactos da crise da Parmalat no setor leiteiro, em 2004, que deixou milhares de pequenos produtores sem ter para quem vender e deprimiu os preços do leite.

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