Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) R$ 70,93 / kg
Soja - Indicador PR R$ 152,10 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) R$ 160,87 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 7,20 / kg
Suíno - Estadual SP R$ 4,83 / kg
Suíno - Estadual MG R$ 5,01 / kg
Suíno - Estadual PR R$ 4,42 / kg
Suíno - Estadual SC R$ 4,48 / kg
Suíno - Estadual RS R$ 4,53 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 141,73 / cx
Ovo Branco - Regional Branco R$ 141,81 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) R$ 154,61 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 154,39 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) R$ 134,09 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) R$ 147,74 / cx
Frango - Indicador SP R$ 7,61 / kg
Frango - Indicador SP R$ 7,61 / kg
Trigo Atacado - Regional PR R$ 1.457,55 / t
Trigo Atacado - Regional RS R$ 1.355,06 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho R$ 168,21 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) R$ 134,16 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) R$ 152,11 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) R$ 162,73 / cx
Destaque Todas Páginas
Entrevista

Você conhece o conceito One Health (Saúde Única)?

O professor e reitor associado do Western College of Veterinary Medicine, da Universidade de Saskatchewan, Baljit Singh, explica o conceito de One Health (Saúde Única), que trata da integração entre saúde humana, saúde animal, ambiente e políticas públicas.

Compartilhar essa notícia
Você conhece o conceito One Health (Saúde Única)?

O professor e reitor associado do Western College of Veterinary Medicine, da Universidade de Saskatchewan, Baljit Singh, explica o conceito de One Health

O termo One Health tem ganhado espaço gradativo dentro das discussões científicas que tratam de questões ligadas à epidemiologia. Traduzido como Saúde Única em português, o termo trata da integração entre saúde humana, saúde animal, ambiente e adoção de políticas públicas efetivas na prevenção e controle de enfermidades.

A expressão é de uso recente, mas os conceitos que o embasam são bem mais antigos. O médico patologista alemão Rudolf Virchow (1821-1902) já afirmava no século 19 que entre animais e medicina humana não há divisórias; e nem deveria haver. Ele foi o responsável por cunhar o termo zoonose.

Ao longo de todo o século seguinte, cientistas ligados a várias especialidades constataram haver similaridade entre os processos infecciosos causados por enfermidades em seres humanos e animais. No entanto, medicina humana e veterinária seguiram suas trajetórias como práticas totalmente independentes uma da outra. Somente nos últimos anos é que se tem início um esforço de aproximação entre essas duas áreas.

Com o lançamento em 1984 da obra “Veterinary Medicine and Human Health”, o médico veterinário norte-americano Calvin W. Schwabe (1927-2006) discutiu e reforçou a importância da junção entre saúde humana, animal e ambiente. No livro, adota a expressão “One Medicine” e passa a defender esse conceito, que pouco mais tarde passaria a ser mais conhecido como “One Health”.

Em 2007, durante a Conferência Ministerial Internacional sobre Influenza Aviária e Pandêmica, realizada em Nova Deli, na Índia, e que contou com a presença de representantes de 111 países e de 29 organizações internacionais, os governos foram encorajados a aplicar o conceito de One Health, construindo pontes de ligação entre os sistemas de saúde humana e animal. No ano seguinte, organizações internacionais como a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), Organização Mundial de Saúde (OMS) e Organizações das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) passam a desenvolver estratégias conjuntas dentro do conceito One Health, cujo objetivo é tentar reduzir os riscos de emergência e disseminação de doenças infecciosas resultantes da interface entre animais, humanos e ecossistemas.

Especialista no conceito One Health, Baljit Singh, professor e reitor associado do Western College of Veterinary Medicine, da Universidade de Saskatchewan, no Canadá, esteve no Brasil em março participando do One Health Summer School. O evento foi promovido pelo Departamento de Higiene Veterinária e Saúde Pública da FMVZ-Unesp, em Botucatu (SP), resultado de um convênio firmado entre a universidade brasileira e canadense para o intercâmbio de informações e debate sobre o tema. Em Saskatchewan, Singh coordena o Programa Integrado de Formação em Doenças Infecciosas, Segurança Alimentar e Políticas Públicas (ITraP), o primeiro curso de pós-graduação a tratar da questão do One Health no Canadá.

Durante sua passagem pelo Brasil, Singh recebeu a reportagem de Avicultura Industrial. Na entrevista, explica os principais pontos relacionados ao conceito One Health, aponta os grandes desafios para sua implantação e reforça a importância do trabalho conjunto e coordenado para que ele realmente funcione, o que exige uma mudança de mentalidade dos profissionais; algo só possível se iniciado ainda durante o período acadêmico. Confira.

Avicultura Industrial – O surgimento de velhas e novas zoonoses e seu impacto em saúde pública é hoje motivo de grande preocupação, tanto para instituições internacionais que cuidam da saúde humana quanto da saúde animal. Hoje, 60% das doenças infecciosas humanas têm sua origem em animais. Ao longo das últimas três décadas, 75% das novas doenças infecciosas emergentes em humanos foram zoonoses. Em sua opinião, quais fatores têm favorecido o surgimento, reemergência e disseminação dessas enfermidades zoonóticas?

Baljit Singh – O conceito de doenças zoonóticas é muito antigo; remonta centenas de anos. Na história da humanidade sempre existiram vírus e bactérias transmitidos de animais para humanos. A diferença é que hoje há alguns fatores altamente favoráveis ao surgimento e reemergência dessas enfermidades. O contato mais próximo entre seres humanos e animais, principalmente os selvagens, é um deles. A degradação do meio ambiente e o aumento populacional intensificou esse contato entre humanos e animais em seus habitats, o que tem favorecido em muito a transmissão de agentes infecciosos. Os meios de transporte também. A facilidade e rapidez com que as pessoas se deslocam atualmente pelo mundo é um fator relevante na disseminação de doenças. Um aspecto interessante, que não tem relação direta com transmissão das doenças, mas gera forte impacto na opinião pública, é o papel dos meios de comunicação nesses casos. Hoje, sabemos de maneira quase imediata se há alguém doente do outro lado do mundo. Em poucos dias ou semanas é possível se ter informações sobre ocorrências sanitárias em qualquer parte do planeta. É algo positivo se pensarmos na importância dessas informações circularem e termos acesso a elas. Por outro lado, gera um alarde muitas vezes desproporcional junto à população mundial.

Mais lidas

Relacionados

AI – 1345
SI- edição 330
AI – Edição 1344
SI – Edição 329
AI – 1343