No SIAVS 2026, lideranças das cadeias de aves, suínos, bovinos, lácteos e pescados destacam a necessidade de articulação institucional para fortalecer a competitividade e ampliar a segurança alimentar internacional
Mercado
Setor de proteína animal defende integração produtiva para expandir escala
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A competitividade, a sustentabilidade ambiental e a capacidade de expansão da oferta brasileira de alimentos dominaram as discussões do painel “Cenário da Proteína Animal na Visão Setorial”, promovido durante a abertura da programação do segundo dia do Salão Internacional de Proteína Animal (SIAVS 2026), no Distrito Anhembi, em São Paulo.
O debate reuniu os principais porta-vozes das cadeias de avicultura, suinocultura, pecuária de corte, bovinocultura de leite e aquicultura. O consenso entre os palestrantes apontou para a urgência de consolidar a imagem institucional do Brasil no exterior como um fornecedor confiável, biosseguro e estruturado para suprir a demanda crescente por alimentos nos mercados globais.
Panorama do Painel Setorial: Representação e Metas Estratégicas
| Setor Representado | Entidade / Liderança | Movimentação / Indicador Destaque | Foco Estratégico |
| Aves e Suínos | ABPA (Ricardo Santin) | +1,1 milhão de km² preservados em propriedades rurais | Comunicação internacional, biosseguridade e uso de pastagens degradadas. |
| Promoção Comercial | ApexBrasil (Laudemir Müller) | Recorde de exportações simultâneo ao abastecimento interno | Consolidação da imagem sanitária e abertura de novos mercados. |
| Pescados | ABIPESCA (Eduardo Lobo) | US$ 400 milhões em exportações atuais | Abertura de parcerias com a União Europeia e ampliação da aquicultura. |
| Lácteos | Sindilat (Guilherme Portela) | Balança comercial setorial ainda deficitária | Busca por eficiência, ganho de escala e aproximação institucional com a ABPA. |
| Pecuária de Corte | ABIEC (Roberto Perosa) | US$ 20 bi em exportações e US$ 80 bi no mercado total | Superação de barreiras não tarifárias e manutenção da relação público-privada. |
Comunicação Estratégica e Sustentabilidade no Campo
O presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, destacou a importância de investimentos contínuos em comunicação para valorizar os diferenciais ambientais e sanitários da produção nacional no exterior. Santin frisou que o país possui mais de 1,1 milhão de quilômetros quadrados de vegetação nativa preservada dentro de propriedades privadas sob o regime de reserva legal e APPs, além de áreas de pastagens que podem ser convertidas em uso agrícola de alta produtividade sem a necessidade de desmatamento.
“O Brasil tem clima favorável, produtores altamente capacitados e vocação para alimentar o mundo. Precisamos mostrar essa realidade, reforçando nossa imagem como fornecedor de proteína produzida com biosseguridade, sustentabilidade, segurança alimentar e responsabilidade ambiental”, disse.
Complementando a visão de promoção comercial, o gerente de Agronegócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, ressaltou que a organização da cadeia produtiva e a confiabilidade sanitária diferenciam o Brasil em um cenário internacional marcado por instabilidades geopolíticas. Segundo Müller, a atuação coordenada entre produtores, agroindústrias e o governo federal foi determinante para consolidar a liderança do país nos rankings mundiais de exportação sem desabastecer o mercado doméstico.
Pescados, Lácteos e Pecuária: Desafios de Escala e Competitividade
Expansão do Setor de Pescados
Representando a cadeia de frutos do mar e cultivo de peixes, o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (ABIPESCA), Eduardo Lobo, enfatizou o potencial de crescimento da atividade no mercado interno e nas vendas externas. Atualmente, o setor movimenta cerca de US$ 400 milhões em exportações, mas projeta expansão acelerada ao negociar parcerias estratégicas com importadores da União Europeia e focar no intercâmbio de dados com outras cadeias de proteína.
Busca por Liderança no Setor Lácteo
Ao analisar o segmento de leite e derivados, o presidente do Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat), Guilherme Portela, apontou os gargalos que ainda mantêm o país como importador líquido de lácteos. Portela defendeu maior integração entre a cadeia leiteira e a estrutura de promoção internacional da ABPA como caminho para alcançar ganhos de competitividade, acessar mercados de maior valor agregado e remunerar melhor o produtor rural.
“Faltava uma liderança direcional para apontar caminhos de como podemos atingir níveis de competitividade e novos mercados de exportação para fortalecer a cadeia. Essa relação fortalecerá a atuação conjunta no setor”, informou Guilherme Portela, Presidente do Sindilat.
Sustentação Econômica da Pecuária de Corte
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), Roberto Perosa, apresentou o balanço financeiro da carne bovina brasileira, que movimentou cerca de US$ 20 bilhões em exportações e atingiu movimentação total de US$ 80 bilhões somando as vendas internas. Perosa ressaltou que as exportações não entram em concorrência com o mercado interno, atuando na verdade como elemento de sustentação de preços e amortecimento de custos para a cadeia produtiva.
Mudança no Consumo Redesenha a Estratégia das Agroindústrias
Dando sequência aos trabalhos do SIAVS 2026, o painel “Futuro das Proteínas” reuniu os principais executivos das maiores empresas de alimentos do país: João Campos (CEO da Seara), Miguel Gularte (CEO da MBRF) e Neivor Canton (Diretor-Presidente da Aurora Coop).
Os executivos discutiram como as transformações no perfil demográfico e nos hábitos do consumidor exigem adaptação rápida do parque industrial. A mesa redonda apontou que a manutenção da liderança global brasileira dependerá de:
- Eficiência Energética e Operacional: Redução de custos de produção por meio de inovação tecnológica na fábrica e no campo.
- Resposta a Tendências de Consumo: Diversificação de portfólio direcionada à conveniência, porções individuais e itens enriquecidos com nutrientes.
- Rigidez Sanitária: Manutenção dos status de área livre de enfermidades graves para contornar protecionismos velados e barreiras não tarifárias no comércio global.
Lançamento Literário Registra a Trajetória de Francisco Turra no Agro
Como parte da programação cultural e institucional do SIAVS, o ex-ministro da Agricultura e ex-presidente da ABPA, Francisco Turra, lançou a biografia “O Embaixador do Agro”, publicada pela Critério Editorial. A sessão de autógrafos ocorreu no estande das Agroindústrias de Aves.
A obra resgata os bastidores da política agrícola brasileira, narrando a trajetória de Turra desde a infância na zona rural de Marau (RS), sua atuação como prefeito e deputado, até a liderança no Ministério da Agricultura e a atuação institucional na projeção internacional da avicultura e suinocultura brasileiras. O livro enfatiza a relevância do diálogo e da diplomacia corporativa na construção das bases do agronegócio moderno no Brasil.
Fonte: Assessoria de imprensa























