Bate-boca marca discussões sobre novo Código Florestal. Indicação de Sarney Filho para comissão especial desagrada ambientalistas.
Revisão do Código Florestal provoca debate acalorado na Câmara
Uma manobra da bancada ruralista e a reação estridente de parlamentares ambientalistas transformou ontem (29/09) a primeira reunião da comissão especial do novo Código Florestal em um festival de xingamentos, gritarias e ameaças que quase levou os deputados à agressão física.
Dedos em riste, os ambientalistas protestaram contra a formação da chapa que conduzirá os debates sobre a revisão das regras ambientais do País. Com o aval do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), os ruralistas incluíram o deputado Sarney Filho (PV-MA) como 1º presidente da comissão. O líder dos “verdes”, Edson Duarte (BA), estrilou, rejeitando qualquer acordo para legitimar a direção dos trabalhos. “Todo mundo já sabe o que se quer aprovar aqui. E não vamos participar desse teatro”, gritou. “Não fiz acordo com ninguém, não indiquei ninguém, e o deputado Sarney também não concordou com isso”.
A reunião havia sido transferida de um amplo auditório para a menor sala das comissões. A estratégia, acusaram os ambientalistas, era esvaziar a sessão para garantir o controle dos trabalhos.
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Constrangidos, os ruralistas passaram a defender a suspensão da sessão de instalação. “Vamos ter calma, buscar o acordo”, pregou Waldemir Moka (PMDB-MS). Mesmo assim, a manobra foi interpretada pelos ambientalistas como uma forma de “tratorar” a oposição à revisão do Código Florestal. Na prática, o embate reproduziu as divergências inconciliáveis dentro do governo entre os ministros Carlos Minc (Meio Ambiente) e Reinhold Stephanes (Agricultura).
O impasse provocou a ira dos ambientalistas, que montaram uma “blitz” com parlamentares de esquerda ligados a movimentos sociais para questionar a decisão. A deputada Vanessa Graziotin (PCdoB-AM) reclamou da composição da chapa. “Eles querem fazer as coisas na surdina, mas vão ter que nos enfrentar antes”, prometeu. Em seguida, o líder do PSOL, Ivan Valente (SP), e o deputado José Genoino (PT-SP) tentaram falar como “líderes”, o que lhes garantiria precedência e prioridade sobre os demais. Sob pressão dos ruralistas, o presidente da reunião, Valdir Colatto (PMDB-SC), decidiu encerrar a sessão de instalação.
A nova manobra desatou protestos e acirrou os ânimos dos dois lados. Sob ameaças de “denúncia internacional” da manobra pelos ambientalistas, os ruralistas reagiram afirmando que as indicações dos nomes da chapa foram feitas em reunião prévia dos líderes com o presidente Michel Temer. Aos gritos, Genoino esbravejou e passou a acusar os ruralistas de “golpe” na comissão. “Aqui, não é um fazendão. Vocês não estão tratando com boi”, gritou. O deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS) levantou e passou a insultar Genoino: “Sem vergonha. Querem vender o Brasil para essas ONGs internacionais”. Sob os holofotes, e aos berros, Genoino retrucou: “Aqui não passa trator. Os líderes não foram ouvidos. É bom para a imprensa registrar”. O tumulto contagiou todos os 20 deputados presentes. “Você chegou agora”, berrou Marcos Montes (DEM-MG) para Valente. “Esse presidente interino cassou a palavra de um líder”, retrucou o líder do PSOL. “Ele se exaltou para aparecer na TV. A minoria tem que respeitar a maioria”, gritou Valdir Colatto.























