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Peste Suína Africana: importância das práticas de mitigação no Brasil na revista Suinocultura Industrial de Junho

Importância das práticas de mitigação da Peste Suína Africana no Brasil: proteja a suinocultura e a economia nacional.

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Peste Suína Africana: importância das práticas de mitigação no Brasil na revista Suinocultura Industrial de Junho

Por Luizinho Caron, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves

Introdução

A Peste Suína Africana (PSA) é uma enfermidade viral altamente contagiosa que afeta suínos domésticos e selvagens, causando elevadas taxas de mortalidade e enormes prejuízos econômicos à suinocultura mundial (Dixon et al., 2020). Desde a sua identificação na África no início do século XX, a PSA tem se disseminado para diversas regiões do mundo, tornando-se uma das maiores ameaças sanitárias à produção de suínos.

Embora não ofereça risco à saúde humana, a PSA impacta diretamente a segurança alimentar, o comércio internacional e a estabilidade socioeconômica de países dependentes da suinocultura. O Brasil, como um dos maiores produtores e exportadores de carne suína do mundo, deve manter vigilância constante e implementar práticas eficazes de mitigação para evitar a introdução e disseminação da doença (MAPA, 2023).

No Brasil, a Peste Suína Africana (PSA) permanece ausente desde a sua erradicação oficial em 1984, após um rigoroso programa sanitário conduzido pelo governo brasileiro com apoio de organismos internacionais, como a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH). Desde então, o país mantém o status de livre da PSA, o que representa uma vantagem competitiva importante no comércio internacional de carne suína. Contudo, a crescente disseminação da doença em regiões próximas, como o Caribe, onde foi detectada a PSA na República Dominicana e no Haiti em 2021, aumentou o nível de alerta das autoridades sanitárias brasileiras (MAPA, 2024). Nesse contexto, o Brasil reforçou as medidas preventivas por meio do Plano de Contingência para Peste Suína Africana (PC-PSA), que inclui ações de vigilância ativa e passiva, capacitação de profissionais e fortalecimento da biosseguridade nas propriedades, a fim de evitar a introdução e disseminação do vírus no território nacional (MAPA, 2024; WOAH, 2024).

Após recente diagnóstico do primeiro caso de influenza aviária em aves comerciais no Brasil, é importante lembrar que técnicos e produtores permanecem como uma ameaça importante para a saúde dos plantéis suínos do país.

Situação Atual da Peste Suína Africana no Mundo

A PSA, causada por um vírus DNA de fita dupla pertencente à família Asfarviridae, é caracterizada por febre alta, hemorragias internas e morte súbita dos suínos afetados (Blome et al., 2020). O vírus é resistente em ambientes externos e produtos cárneos, o que facilita sua disseminação por meio do comércio internacional de animais, alimentos contaminados e fomites.

Desde 2007, quando o vírus foi introduzido na Geórgia, a PSA se disseminou por toda a Europa Oriental, Ásia e, mais recentemente, Caribe e América Central. A China, maior produtora e consumidora de carne suína, enfrentou surtos devastadores a partir de 2018, resultando na morte e abate sanitário de milhões de suínos e acentuando a crise global de proteína animal (Zhou et al., 2018).

Em 2021, casos foram confirmados na República Dominicana e no Haiti, marcando a reintrodução da PSA no continente americano após quatro décadas de ausência (FAO, 2022). Esse fato elevou o nível de alerta em todos os países das Américas, incluindo o Brasil.A Peste Suína Africana (PSA) permanece como uma das principais ameaças à suinocultura mundial, com surtos recorrentes em diversas regiões da Europa, Ásia e, ocasionalmente, África onde é endêmico e onde já foram identificados mais de 20 genótipos diferentes do vírus em carrapatos do gênero Ornithodorus em suideos selvagens e domésticos.

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