Queda expressiva nas cotações do suíno vivo em fevereiro reflete retração na demanda da indústria, enquanto exportadores monitoram possíveis impactos logísticos de tensões no Oriente Médio
Preço do suíno despenca 16,1% em fevereiro e mercado acompanha impactos de tensão no Oriente Médio

As cotações do suíno vivo registraram forte queda em fevereiro no mercado brasileiro, pressionadas principalmente pela retração da demanda da indústria no mercado independente. Levantamento do Cepea mostra que os preços recuaram de forma significativa nas principais praças acompanhadas.
Na praça SP-5, que engloba os municípios de Bragança Paulista, Campinas, Piracicaba, São Paulo e Sorocaba, o animal foi negociado à média de R$ 6,91 por quilo em fevereiro, uma queda expressiva de 16,1% em relação a janeiro, quando o valor médio foi de R$ 8,24/kg.
Na comparação anual, a desvalorização também foi significativa: o preço ficou 20% abaixo do registrado em fevereiro de 2025, quando o suíno vivo havia sido negociado a R$ 8,66/kg.
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Demanda da indústria recua e pressiona mercado independente
Segundo pesquisadores do Cepea, o principal fator por trás da queda foi a redução na procura da indústria por lotes de animais no mercado independente.
Esse movimento provocou um desequilíbrio entre oferta e demanda, ampliando a disponibilidade de animais no mercado e pressionando as cotações ao longo do mês.
No sistema independente, onde produtores negociam diretamente com frigoríficos, a diminuição do interesse da indústria tende a ter impacto imediato sobre os preços pagos pelo animal vivo.
Setor monitora tensões no Oriente Médio
Com a entrada de março, agentes do setor passaram a acompanhar também fatores geopolíticos que podem afetar o comércio internacional de carnes.
Segundo o Cepea, o conflito no Oriente Médio envolvendo principalmente o Irã tem gerado atenção no mercado, diante do risco de ampliação das tensões para outros países da região.
Embora o Oriente Médio não seja um destino relevante para a carne suína brasileira, principalmente por questões religiosas, a preocupação está relacionada a eventuais impactos logísticos no comércio marítimo global.
Fretes e seguros marítimos podem pressionar exportações
Pesquisadores destacam que um eventual fechamento ou restrição de rotas estratégicas de transporte marítimo pode elevar os custos de fretes e seguros internacionais, cenário que preocupa especialmente os exportadores.
Esse tipo de impacto logístico pode afetar a competitividade da proteína brasileira no mercado internacional e alterar as estratégias comerciais do setor.
Mercado segue atento ao equilíbrio entre oferta e demanda
Enquanto o setor monitora os desdobramentos no cenário externo, o comportamento da demanda doméstica e das compras da indústria continuará sendo determinante para a evolução das cotações do suíno vivo no curto prazo.
Caso a procura volte a ganhar ritmo nas próximas semanas, o mercado pode iniciar um processo de reacomodação dos preços após as fortes quedas registradas em fevereiro.





















