Veja como a suinocultura sustentável e os biodigestores estão transformando a produção no Agreste, reduzindo despesas nas propriedades
Suinocultura sustentável avança no Agreste com uso de biodigestores e redução de custos nas propriedades

A adoção de biodigestores em pequenas propriedades do Agreste Meridional de Pernambuco tem promovido ganhos econômicos e ambientais na suinocultura regional. A tecnologia permite transformar dejetos de suínos em biogás e fertilizante natural, reduzindo despesas com energia e insumos, além de melhorar o manejo ambiental nas granjas.
A iniciativa integra o projeto “Fortalecimento da suinocultura sustentável: inovação e valor na produção do Agreste Meridional”, conduzido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Pernambuco, em parceria com a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco. Com investimento superior a R$ 320 mil, a ação já beneficia 20 produtores nos municípios de São Bento do Una, Lajedo, Canhotinho e Tupanatinga.
Na prática, os biodigestores utilizam os resíduos gerados na criação de suínos para produzir biogás, que pode ser empregado diretamente no consumo doméstico, substituindo o gás de cozinha. Em média, cada unidade é capaz de gerar o equivalente a dois a quatro botijões por mês. Além disso, o subproduto do processo é utilizado como biofertilizante em lavouras, contribuindo para a redução de custos com adubação.
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A suinocultora Cleidiane Souza de Almeida, produtora em São Bento do Una, relata ganhos diretos com a tecnologia. Desde que implantou o biodigestor, passou a utilizar o gás gerado na própria propriedade, além de aproveitar os resíduos como adubo em culturas como palma e milho. O sistema também contribui para maior organização no manejo dos dejetos, com reflexos positivos na sanidade da produção.
Outro produtor beneficiado, Jakelson do Nascimento Silva, de Tupanatinga, destaca a versatilidade do equipamento ao integrar resíduos da suinocultura e da bovinocultura leiteira. O uso combinado amplia a geração de biogás e potencializa o aproveitamento energético na propriedade.
As atividades do projeto tiveram início em junho de 2025 e incluem assistência técnica contínua, capacitação prática e acompanhamento dos produtores. Entre as metas estabelecidas estão a redução de até 15% nos custos de produção e a diminuição em até 12% no tempo necessário para que os animais atinjam o peso de abate, resultado associado à melhoria das condições sanitárias.
Além da eficiência produtiva, o uso de biodigestores contribui para a mitigação de impactos ambientais, ao evitar a contaminação do solo e de recursos hídricos pelo descarte inadequado de dejetos. A tecnologia também se alinha às exigências crescentes por sustentabilidade na cadeia de proteína animal.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Pernambuco registrou um rebanho de 160.532 suínos em 2024, com destaque para São Bento do Una como principal polo produtivo. Apesar disso, a atividade ainda é considerada complementar à bovinocultura de leite na região e enfrenta desafios estruturais, como a necessidade de maior tecnificação, melhoria no manejo produtivo e ampliação de investimentos em sustentabilidade.
Nesse contexto, a disseminação de tecnologias como os biodigestores representa um avanço estratégico para o fortalecimento da suinocultura no estado, contribuindo para maior eficiência econômica, segurança sanitária e sustentabilidade ambiental nas pequenas propriedades.





















