Estrutura altamente verticalizada e integrada das cadeias despontam como as mais preparadas para implementar o controle sanitário rigoroso e a rastreabilidade exigidos pelos compradores europeus
Exportação
Suínos e aves lideram adaptação às regras da UE na exportação
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A pressão da União Europeia (UE) para restringir o uso de antimicrobianos na produção animal está forçando a criação de linhas de produção segregadas no Brasil. Graças à estrutura altamente verticalizada e integrada, as cadeias de aves e suínos despontam como as mais preparadas para implementar o controle sanitário rigoroso e a rastreabilidade exigidos pelos compradores europeus.
Vantagem Competitiva de Aves e Suínos
- Integração vertical: O modelo produtivo de aves e suínos permite que as agroindústrias acompanhem todo o ciclo produtivo — da nutrição e manejo sanitário ao abate e processamento.
- Rastreabilidade de lotes: A gestão unificada facilita a comprovação do histórico de medicamentos e a separação física e documental dos lotes destinados ao mercado europeu.
- Adequação frigorífica: Indústrias exportadoras conseguem organizar fluxos específicos de fornecedores e escalas de abate para cumprir os requisitos internacionais sem interromper a produção voltada ao mercado interno.
Custos e Diferenciação do Uso de Medicamentos
- Uso terapêutico vs. preventivo: As regras internacionais vetam o uso preventivo de antimicrobianos e como melhoradores de desempenho, mas mantêm a permissão para o tratamento pontual de enfermidades (uso terapêutico).
- Impacto financeiro: Estimativas do setor indicam que a implementação de protocolos restritivos, auditorias e controles adicionais pode aumentar os custos de produção em cerca de R$ 100 por animal.
- Risco do pioneirismo: Produtores e frigoríficos que investem antecipadamente em cadeias segregadas assumem o custo adicional antes de haver garantia de remuneração (prêmio) no mercado global.
Contraste com a Pecuária Bovina
Enquanto suínos e aves contam com controle unificado, a pecuária bovina enfrenta maior complexidade na rastreabilidade devido à fragmentação da cadeia. Por passar por etapas distintas de cria, recria e engorda em diferentes propriedades ao longo de um ciclo produtivo mais longo, o bovino exige um histórico documental mais difícil de ser consolidado e auditado.
Transição na Indústria de Saúde Animal
De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), o setor tem migrado para soluções focadas em prevenção, imunidade e nutrição. Dados da entidade mostram que a participação dos antimicrobianos no faturamento da indústria de saúde animal caiu de 17% em 2015 para 12% em 2025.
Gabriela Moura, diretora de Mercado e Assuntos Regulatórios do Sindan, disse que “enquanto aves e suínos trabalham com sistemas mais integrados, a pecuária bovina precisa lidar com diferentes produtores e propriedades. Em aves e suínos, a empresa pode acompanhar desde a alimentação e o manejo sanitário até o abate, permitindo registrar com precisão quais produtos foram utilizados e quais lotes seguirão para determinados mercados.”
Ela afirmou ainda que “medicamentos continuam sendo ferramentas importantes para tratar doenças. A questão está em diferenciar o uso terapêutico de aplicações preventivas ou destinadas a melhorar o desempenho. O desafio passa a ser construir uma cadeia capaz de separar fisicamente e documentalmente os animais conforme o protocolo adotado.”
Fonte: CNN
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