Para conter os impactos do El Niño na safra de soja 2026/2027, Embrapa recomenda Zarc, palhada, escalonamento do plantio e rigor fitossanitário
Manejo
Embrapa orienta manejo da soja diante dos riscos do El Niño
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A confirmação do fenômeno El Niño para a safra 2026/2027 exigirá atenção redobrada dos sojicultores brasileiros. Os modelos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontam mais de 90% de chance de permanência do fenômeno até o início de 2027, trazendo cenários antagônicos: excesso de chuvas, erosão e alta pressão sanitária no Sul, contra seca e irregularidade pluviométrica no Norte e Nordeste.
Pesquisadores da Embrapa destacam que o planejamento antecipado e a adoção de boas práticas agrícolas são fundamentais para atenuar as perdas em todas as regiões.
De acordo com Maurício Meyer, pesquisador da Embrapa Soja, “no Norte e Nordeste, a falta de chuva reduz doenças foliares, mas favorece a mosca-branca. Já no Sul, a umidade prolongada exige monitoramento rigoroso para determinar o momento exato do controle químico, principalmente da ferrugem-asiática.”
A esquisadora da Embrapa Trigo, Leila Costamilan, informou que “em anos chuvosos, a podridão-radicular de fitóftora é o primeiro grande gargalo em solos mal drenados, levando a perdas na emergência e ressemeadura. A indicação é usar cultivares resistentes e tratamento específico nas sementes.”
Principais Estratégias de Manejo
- Cumprimento do Zarc: Respeitar rigidamente os períodos de semeadura definidos pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático.
- Formação de palhada (plantas de cobertura): No Sul, o cultivo de aveia, centeio e nabo forrageiro no inverno protege o solo contra a erosão hídrica. No Norte e Nordeste, braquiária, milheto e crotalária aumentam a retenção de água e reduzem a temperatura do solo.
- Escalonamento e diversificação: Combinar diferentes épocas de plantio com cultivares de ciclos variados (precoces, médios e tardios) para distribuir os riscos de eventuais extremos climáticos.
Impactos Regionais e Atenção Fitossanitária
- Região Sul: As chuvas frequentes criam o ambiente ideal para doenças fúngicas. A prioridade é conter a ferrugem-asiática com aplicações preventivas de fungicidas e controlar a podridão-radicular de fitóftora em solos compactados via sementes tratadas e materiais resistentes.
- Norte e Nordeste: A estiagem reduz enfermidades foliares, mas prejudica o controle de plantas daninhas e favorece pragas como a mosca-branca, exigindo monitoramento constante.
- Centro-Oeste e Sudeste: Têm impactos mais sutis, mas podem registrar calor elevado e atrasos nas chuvas, devendo estender as mesmas práticas conservacionistas.
Segundo José Renato Bouças Farias, pesquisador da Embrapa Soja, “mesmo sendo um ano de risco, o produtor pode se precaver adotando desde já práticas que diminuam os efeitos do fenômeno. A cobertura vegetal diminui o impacto direto da gota da chuva, combatendo o principal fator de erosão hídrica.”
Fonte: Canal Rural
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