Fonte CEPEA
Milho - Indicador Campinas (SP) ↑ R$ 64,27 / kg
Soja - Indicador PR ↓ R$ 146,69 / kg
Soja - Indicador Porto de Paranaguá (PR) ↑ R$ 152,41 / kg
Suíno Carcaça - Regional Grande São Paulo (SP) ↑ R$ 10,48 / kg
Suíno - Estadual SP ↓ R$ 6,93 / kg
Suíno - Estadual MG ↑ R$ 6,96 / kg
Suíno - Estadual PR ↑ R$ 6,02 / kg
Suíno - Estadual SC ↑ R$ 5,99 / kg
Suíno - Estadual RS ↑ R$ 5,92 / kg
Ovo Branco - Regional Grande São Paulo (SP) ↓ R$ 129,09 / cx
Ovo Branco - Regional Branco ↓ R$ 131,45 / cx
Ovo Vermelho - Regional Grande São Paulo (SP) ↓ R$ 141,08 / cx
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↓ R$ 143,17 / cx
Ovo Branco - Regional Bastos (SP) ↓ R$ 121,08 / cx
Ovo Vermelho - Regional Bastos (SP) ↓ R$ 132,98 / cx
Frango - Indicador SP ↓ R$ 8,27 / kg
Frango - Indicador SP ↓ R$ 8,29 / kg
Trigo Atacado - Regional PR ↓ R$ 1.560,32 / t
Trigo Atacado - Regional RS ↓ R$ 1.473,40 / t
Ovo Vermelho - Regional Vermelho ↓ R$ 152,33 / cx
Ovo Branco - Regional Santa Maria do Jetibá (ES) ↓ R$ 128,04 / cx
Ovo Branco - Regional Recife (PE) ↓ R$ 138,21 / cx
Ovo Vermelho - Regional Recife (PE) ↓ R$ 150,17 / cx
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Agronegócio: nunca foi tão necessário ser sustentável

Por suas dimensões e vocação agrícola, o Brasil é um ator de primeira grandeza no jogo mais acirrado do momento: o dos biocombustíveis.

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Redação (06/06/2008)- O Brasil está prestes a oferecer ao mundo um sistema de certificação da produção agrícola. A notícia foi dada por Roberto Smeraldi, diretor da organização Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, durante o painel "Gestão Sustentável dos Agronegócios", na Conferência Internacional Ethos 2008. Smeraldi integra o grupo encarregado pela iniciativa e do qual fazem parte, também, porta-vozes de interesses variados, incluindo associações de empresas e de trabalhadores, como o Observatório Social da Central Única dos Trabalhadores (CUT). "O Brasil tem legitimidade para desenvolver esse sistema, capaz de credenciar e, ao mesmo tempo, reconhecer a diversidade de culturas e de usos do solo", explica.
Por suas dimensões e vocação agrícola, o Brasil é um ator de primeira grandeza no jogo mais acirrado do momento: o dos biocombustíveis. Nunca o cenário mundial impôs questões tão urgentes para o agronegócio. Da crise de abastecimento de alimentos à busca por novos padrões energéticos, em decorrência da alta do petróleo, o momento exige uma posição firme e sustentável dos envolvidos na produção agrícola.
Esse foi o panorama desenhado por Reginaldo Sales Magalhães, especialista em sociedade civil e representante no Brasil do International Finance Corporation (IFC), que moderou o debate. De um lado estavam representantes da agricultura de ponta (cana-de-açúcar e soja); de outro, críticos ao modo como a busca pelo incremento da produtividade vem sendo feita nos latifúndios.
Com a necessidade de se começar a substituir o petróleo por alternativas que emitam menos gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global, a demanda por etanol tem aumentado. A dúvida é se para atender ao crescente mercado os produtores estariam destinando áreas de cultivos de alimentos para a produção de cana-de-açúcar. Eduardo Leão de Souza garante que não. Ele é o diretor executivo da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), que congrega 110 usinas do Estado de São Paulo, responsáveis pela produção de 60% de todo o açúcar e etanol brasileiros.
Souza defendeu a eficiência do etanol de cana-de-açúcar do ponto de vista do impacto ambiental. Esse combustível reduz em quase 90% a emissão de CO2 em relação aos derivados de petróleo, contra os 35% de redução promovidos por seu similar à base de milho.
O diretor da Unica declarou também achar pouco provável que o avanço da cultura canavieira interfira na produção de alimentos. Para sustentar seu argumento, reproduziu dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que estima em 1,4 bilhão de hectares a área utilizada em todo o mundo para a produção de alimentos. "Segundo a FAO, apenas 1% desse total está sendo utilizado para a produção de etanol", disse. E acrescentou dados da realidade nacional: "No Brasil, 1% da terra arável com cana-de-açúcar, que vira etanol, substitui mais de 50% da gasolina usada no país".
No entender da Unica, os biocombustíveis representam oportunidade histórica para cerca de 100 países em desenvolvimento. "Trata-se de um importante processo de democratização da energia", acredita Eduardo Souza.
A voz dos trabalhadores – Em contrapartida, o presidente da Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), Elio Neves, afirma que a discussão deve abranger questões sociais. "A agenda tem de incluir trabalho decente, respeito aos direitos humanos no campo e críticas formuladas contra os agronegócios brasileiros no plano internacional", defende.
Neves toca num ponto vital: o mundo não dá conta desse modelo de desenvolvimento voltado para o fortalecimento dos transportes individuais. "Não importa mais se o carro é movido a gasolina ou a biodiesel. Tem de haver uma regulamentação para democratizar isso", diz.
Temas como reforma agrária, zoneamento ecológico e moratória da soja também foram discutidos no painel. Ocimar Villela, gerente de Meio Ambiente e Segurança do Trabalho do ´Grupo Amaggi´, um dos maiores produtores de soja do país, lembrou que grande parte dos conflitos fundiários se dão em terras devolutas: "A família sai do Sul e vai para a Amazônia legal no seu caminhãozinho, com esperança de ganhar um pedaço de terra. Instala-se ali, na fronteira do desmatamento, em que 85% das áreas pertencem ao governo. Um lugar sem lei".
Para Villela, o zoneamento é a grande solução para esses conflitos. Sobre a moratória de soja, ele concorda que houve pressão européia para que ocorresse, já que 60% do produto é exportado. Mas provoca: "Não existe moratória da pecuária porque 80% da carne se destina ao mercado interno. Temos de discutir a migração de 1,2 milhão de bois de São Paulo para a Amazônia. É preciso desmatar? Não, basta ocupar as terras devolutas".
Smeraldi, diretor da Amigos da Terra, cutuca Villela: "A moratória da soja deu certo porque aconteceu num momento de preços baixos, favorável à retração", explica. Para ele, o desafio agora é reforçá-la e mantê-la dentro dessa nova realidade de preços ascendentes. 

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