A Superintendência de Defesa do Consumidor de Mato Grosso (Procon) alertou ontem à população mato-grossense para que fique atenta e denuncie ao órgão qualquer suspeita.
Sem denúncia de fraude no peso do frango congelado no MT
Redação (15/07/2008)- Mato Grosso ainda não registrou neste ano nenhuma denúncia de fraude no peso do frango congelado, em razão de teor de água acima do permitido pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. A última irregularidade foi registrada no final do ano passado e culminou com a suspensão das vendas de uma indústria no Estado. A notícia é bem recebida, já que em tempos de elevação dos cortes bovinos em até 30% nos açougues, o consumidor cria novas alternativas para uma alimentação rica em proteínas, que passa sempre pelo frango.
Preocupada com as denúncias de fraude por maior adição de água à carcaça de frango pelas indústrias em vários estados – que culminou recentemente na autuação e apreensão de produtos pelo País afora – a Superintendência de Defesa do Consumidor de Mato Grosso (Procon) alertou ontem à população mato-grossense para que fique atenta e denuncie ao órgão qualquer suspeita de fraude no produto.
De acordo com o Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa) do Ministério da Agricultura (Mapa), a carne de frango congelada pode ter, no máximo, 6% de água. O excesso de hidratação aumenta o peso do produto, lesando os consumidores e ampliando os ganhos de indústrias que descumprem a legislação.
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No final do ano passado a Anhambi, com sede em Mato Grosso, chegou a ser autuada e ficou com a comercialização de seus produtos suspensa por um período de 23 dias por apresentar maior teor de água na carcaça do frango.
Uma fonte do abatedouro informou ontem ao Diário que a indústria mantém programas internos de controle do teor de água no frango e, como o processo é “sensível”, pode apresentar falhas. Segundo o funcionário, os desvios na indústria “são pequenos em relação à produção total de frangos no abatedouro”. Ele não informou o volume de frangos abatido diariamente pela planta.
PROCON – Segundo a superintendente do Procon, Gisela Simona Viana de Souza, no período de 5 de dezembro de 2007 até agora, sete empresas de todo o Brasil foram fiscalizadas e autuadas pelo Dipoa e ficaram impossibilitadas de comercializar seus produtos.
Em Mato Grosso, o Mapa continua realizando blitz nos abatedouros para averiguar a proporção de adição de água ao frango.
“Esta fiscalização é mais eficaz para o consumidor quando realizada na indústria, como vem acontecendo”, diz ela, acrescentando que é preciso impedir que o produto saia do abatedouro com peso irregular por incidência de teor de água acima do permitido.
Segundo Gisela, este tipo de fraude começa geralmente na fase de pré-resfriamento do produto, na fábrica. “Na maioria das vezes o supermercado não tem culpa, pois recebe o produto com excesso de água e apenas o revende”. No caso do Anhambi, o índice de água estava acima de 20%. Gisela informou que a empresa, depois de autuada, tomou as providências e, a partir daí, o Ministério da Agricultura não constatou mais nenhuma fraude em Mato Grosso. “Mas, precisamos ficar atentos, pois em outras regiões os consumidores continuam sendo lesados pela indústria”.
A superintendente do Procon chamou à atenção das donas-de-casa e dos consumidores em geral para verificar bem o produto antes de comprar. “Em caso de alguma suspeita o fato deve ser comunicado ao Procon ou à Vigilância Sanitária do município”, recomendou.
DENÚNCIA – Segundo ela, os órgãos de controle sanitário estão trabalhando em parceria e a fiscalização agora é permanente. “Por isso, entendemos que houve redução na incidência deste tipo de fraude”, completa.
Gisela afirmou que é importante que os consumidores “façam esse monitoramento diário (verificação as condições do produto), e vejam se no processo de descongelamento haverá perda significativa de peso no produto”.
Ela informou que para coibir as irregularidades, o Mapa fez uma parceria com o Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério da Justiça. “O Dipoa elaborou também um programa que prevê regime especial de fiscalização em algumas indústrias que continuam violando as normas”, disse ela.





















