Assunto foi discutido na manhã desta quarta-feira (05) no Congresso da Abraves.
Distúrbios gastro-entéricos em leitões
Redação SI 05/10/2005 (Fortaleza/CE) – A busca contínua pelo aumento da produtividade na atividade suinícola e as conseqüentes mudanças nos sistemas de criação dos animais que essa busca acarreta, às vezes, acabam por impor novos desafios para o setor produtivo e de pesquisa. Uma demanda atual da suinocultura tecnificada é o aumento da reprodutividade das fêmeas.
Para garantir uma maior prolificidade dos rebanhos, os leitões estão sendo desmamados cada dia mais cedo. A intenção é garantir uma rápida recuperação das fêmeas e sua volta ao ciclo produtivo. Para se ter uma idéia, há duas décadas uma fêmea suína tinha dois partos por ano. Atualmente, essa taxa oscila entre 2,5 e 2,6 partos anuais. Um dos reflexos dessa nova prática, no entanto, é o desencadeamento de distúrbios gastro-entéricos nos leitões.
A utilização de agentes reguladores da flora entérica de leitões foi o tema da palestra de Paulo Tabajara Costa, professor e pró-reitor da Universidade de Santa Maria (RS) na manhã desta quarta-feira (05/10) no Congresso da Abraves. De acordo com ele, a necessidade de compatibilizar essa nova prática (aumento da reprodutividade das fêmeas) e a saudabilidade do sistema gastro-entérico dos leitões é hoje um dos principais desafios do setor técnico suinícola. “No passado, a área mais delicada e complicada nos suínos jovens era a pulmonar, hoje é a gastro-entérica”, diz o especialista.
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Tabajara explica que os distúrbios gastro-entéricos apresentados pelos leitões são reflexos da brusca modificação alimentar que sofrem durante o desmame. “O leitão passa de uma dieta líquida – o leite materno – para uma dieta sólida e artificial”, explica. “Esse alimento é um corpo estranho para os animais e pode gerar reações nos animais que tentam eliminar esse corpo estranho de seu organismo. São as famosas diarréias” , completa o professor.
De acordo com Tabajara, todos os problemas gastro-entericos dos leitões aparecem dos 21 aos 35 dias de idade. “Os leitões estão sendo desmamados muito cedo e seu sistema enzimático ainda é muito imaturo. Então esse período de 14 dias é muito crítico”, diz.
Agentes reguladores – Para contornar esse problema, explica Tabajara, vários tipos de substratos estão sendo administrados nas dietas dos leitões. “Estamos antecipando a maturidade enzimática dos leitões através do uso de probióticos, enzimas exógenas, lactobacilos, prebióticos, ácidos orgânicos, óleos essenciais, ácidos graxos, ácidos orgânicos, fitoterápicos etc.” .
Tabajara explica que as funções específicas desses agentes são: desenvolver no leitão uma microflora intestinal saudável, fornecer substratos à exclusão competitiva e minimizar as diarréias do pós-desmame.
De acordo com ele, todos esses substratos têm sido muito úteis para o controle das diarréias e problemas de digestibilidade, pois estimulam o crescimento e a formação das enzimas hepáticas e pancreáticas dos leitões.
Um desses agentes, as enzimas exógenas, são usadas para melhorar a digestibilidade dos alimentos. “Usa-se também produtos similares, parecidos com o leite, como a lactose – que é um açúcar derivado do leite – proteínas plasmáticas, como o soro de sangue liofilizado em pó. Esse soro tem hemoglobinas, albuminas e é altamente digestível e apreciado pelos leitões”, explica Tabajara. Os próprios cereais estão hoje passando por processos de cozimento pra melhorar sua digestibilidade, explica o pesquisador.
De acordo com o professor, é recomendável que se enriqueça as dietas dos leitões com produtos de alta digestibilidade, como os aminoácidos essenciais sintéticos (lisina, metionina, triptofano, treonina). “Porém, não adianta ter alimentos de alta digestibilidade se os leitões não consumi-los. É importante também acrescentar nos alimentos alguns aromatizantes que confiram apetecibilidade a dieta” . Segundo ele, atualmente, são usados vários aromatizantes para este fim, entre eles, a baunilha e óleos essenciais como o alho, orégano, cebola. “Esses aromatizantes conferem uma atratividade boa ao alimento”, afirma Tabajara.
Outras medidas – Além da utilização dos agentes reguladores, outras medidas simples podem ser postas em prática para garantir a saudabilidade do sistema gastro-entérico dos leitões.
Em primeiro lugar, diz Tabajara, é preciso garantir uma boa ambiência para os animais. “Os leitões aos 21 dias demanda uma temperatura ambiente superior a 26 C. Entretanto, na maioria das propriedades os leitões sofrem estresse térmico durante a noite”, afirma.
A limpeza e sanidade das instalações são outros quesitos considerados fundamentais pelo pesquisador. “O ambiente deve ser o mais higiênico possível. É fundamental realizar um vazio sanitário na maternidade e creche, desinfetar as instalações, enfim, adotar um bom programa de biosseguridade”, explica Tabajara.
Um outro componente essencial, diz o professor, é o fornecimento de água potável aos leitões. “Essa água deve ser tratada, ter cloro e ser potável, apta ao consumo humano. Normalmente nas propriedades a mesma água que é fornecida aos leitões é usada para lavar as instalações”, adverte. “Uma dieta sozinha não faz nada. Por mais equilibrada e rica que ela seja é preciso também melhorar o manejo dos leitões, garantir seu conforto térmico, diminuir os fatores de estresse nessa fase”, acrescenta o pesquisador.





















