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Câmbio e UE sustentam venda recorde de frango

Exportações chegam a 245 mil toneladas, com alta de 118%.

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Redação AI 23/10/2002 – As exportações brasileiras de frango alcançaram apenas em setembro um volume de 245,1 mil toneladas, 118,6% a mais que em igual mês de 2001 e 74,6% acima de agosto deste ano. Os números são do Ministério de Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC). Desse total 104,2 mil toneladas são frango inteiro e 140,8 mil cortes de frango. Em receita, as exportações totalizaram US$ 191,45 milhões, um crescimento de 70% em relação a setembro de 2001.

A exportação recorde em setembro tem relação com a antecipação dos embarques para a União Européia por conta da legislação que elevou o imposto de importação dos cortes de frango salgado. A desvalorização cambial e as vendas para Rússia e Oriente Médio também sustentaram os números expressivos.

Câmbio e UE sustentam venda recorde de frango

“As empresas tentaram embarcar de julho a setembro o que seria embarcado até fevereiro do ano que vem”, avalia José Carlos Godoy, secretário-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Pintos de Corte (Apinco). As vendas para a União Européia somaram 27,4 mil toneladas em setembro, bem acima das 19,7 mil de igual mês de 2001.

A resolução da União Européia entrou em vigor no fim de julho, mas alguns grandes frigoríficos tinham licenças para vender pelas regras antigas até outubro. Uma fonte do setor exportador afirma que empresas como Sadia, Doux Frangosul e Perdigão embarcaram o que puderam para a Europa.

Também a desvalorização cambial – até setembro o dólar teve alta de 67,85% sobre o real – fez as empresas “exportarem tudo o que podiam”, nas palavras de Dilvo Grolli, presidente da Coopavel, de Cascavel. “Nosso produto ficou mais competitivo no mercado internacional”, explica Valdemir Paulino, supervisor comercial da Copacol. Segundo ele, o importador “faz as contas” considerando a desvalorização cambial e pede descontos na hora de comprar o produto brasileiro.

Mas além do câmbio estimular as vendas, o Brasil também ganhou espaço na Rússia e Oriente Médio. Paulino diz que o país aproveitou o período em que os Estados Unidos ficaram fora da Rússia e pegou uma fatia daquele mercado. A Copacol entrou na Rússia em setembro passado.

Outro crescimento significativo se deu nas vendas para o Oriente Médio. Segundo o sistema Alice, do Ministério do Desenvolvimento, somaram 86,2 mil toneladas em setembro, quase 60 mil toneladas a mais que no mês anterior. O Brasil vende principalmente frango inteiro para a região. A explicação para o forte avanço é o período em que a França ficou fora do Oriente Médio, diz Ione Farias, encarregado da área de carnes da Cotrefal.

Apesar de o grande volume exportado de frango em setembro ter deixado o mercado interno mais enxuto, o produto continua com preço fraco. Pelos cálculos da Apinco, a oferta de carne de frango em setembro foi semelhante à de agosto – 640 mil toneladas. Mas considerando a exportação, a oferta interna diminuiu em relação a agosto. Godoy lembra que os preços subiram, mas não tiveram fôlego. Um analista afirma que os preços mais altos fizeram o consumidor – cuja renda está estagnada – se retrair.

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