Análise econômica Suinocultura: semana de retração nos preços em meio à lentidão nas vendas

A semana que se encerra marca um período de desafios para o setor da suinocultura brasileira, com os preços da carne suína registrando quedas significativas ao longo do mês de março, conforme apontam os levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A análise detalhada revela um cenário de menor dinamismo nas vendas e uma oferta de animais para abate que supera a demanda atual, impactando diretamente a competitividade da proteína suína frente às suas principais concorrentes: as carnes de frango e bovina.
Os dados do Cepea referentes a março de 2025 indicam que os preços médios da carne suína sofreram uma retração mais acentuada em comparação com as proteínas de frango e bovina. Pesquisadores do Centro explicam que a lentidão nas negociações da carne suína no decorrer do mês foi um fator determinante para esse cenário, coexistindo com uma oferta de animais para abate considerada ligeiramente elevada. Essa dinâmica resultou em um aumento da competitividade da carne suína no mercado.
Em termos de valores, a média de março aponta que a carcaça suína foi comercializada a R$ 4,20/kg acima da proteína avícola. Essa diferença, embora ainda positiva para a suinocultura, representa uma queda de 11,9% em relação à observada em fevereiro, sinalizando uma aproximação nos preços entre as duas proteínas.
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No comparativo com a carne bovina, a carcaça casada de boi se manteve mais cara, sendo negociada a R$ 9,36/kg acima da suína. Essa diferença, no entanto, apresentou uma ampliação de 2,8% em relação ao mês anterior, indicando que a carne suína ganhou competitividade em relação à bovina no período analisado. É importante ressaltar que a competitividade da carne suína é favorecida quando a diferença de preço em relação ao frango diminui e quando a diferença em relação à carne bovina aumenta.
Comparativo com a semana anterior: tendência de queda persiste
A semana que se encerra dá continuidade ao cenário de pressão sobre os preços da suinocultura observado na semana anterior. Conforme o Cepea já havia apontado, a baixa liquidez no mercado atacadista e a oferta de animais acima da demanda dos frigoríficos persistiram ao longo desta semana. A diferença é que, enquanto na semana passada a proximidade do final do mês era apontada como um fator de enfraquecimento da demanda, nesta semana, mesmo com a virada do mês, a recuperação das vendas não se mostrou suficiente para reverter a tendência de queda nos preços da carne suína em março. A competitividade da carne suína frente ao frango aumentou, como já vinha sendo observado, enquanto a diferença em relação à carne bovina se ampliou, intensificando a busca por alternativas mais acessíveis pelos consumidores. As cotações do suíno vivo, embora apresentem variações regionais, refletem a dificuldade do setor em sustentar os valores diante do quadro geral de mercado.
Preços do suíno vivo nas principais praças: disparidade regional
Encerrando a semana, as cotações do suíno vivo nas principais praças produtoras do país apresentaram a seguinte configuração:




Perspectivas:
Para as próximas semanas, o mercado da suinocultura deverá permanecer atento ao comportamento da demanda interna, influenciada pelo ciclo econômico e pelo poder de compra do consumidor. A gestão da oferta de animais para abate, buscando um equilíbrio com a procura dos frigoríficos, será fundamental para a estabilidade dos preços. Adicionalmente, a evolução dos preços das proteínas concorrentes, especialmente o frango, e a percepção do consumidor em relação ao custo-benefício de cada tipo de carne, continuarão ditando a competitividade da suinocultura no cenário nacional. A capacidade do setor em ajustar a produção à demanda e em otimizar seus custos será determinante para a sustentabilidade e rentabilidade da atividade nos próximos meses.
Fatores que influenciam o mercado:
- Demanda do consumidor: O nível de consumo interno de carne suína é um fator primordial, diretamente ligado ao poder de compra da população, às preferências alimentares e a eventos sazonais (festas, datas comemorativas).
- Oferta de animais para abate: A disponibilidade de suínos prontos para o abate impacta diretamente os preços. Uma oferta elevada tende a pressionar os valores para baixo, enquanto uma oferta restrita pode impulsioná-los.
- Custos de produção: Variações nos custos de insumos como ração (principalmente milho e farelo de soja), energia, medicamentos e mão de obra afetam a rentabilidade dos produtores e, consequentemente, os preços da carne suína.
- Mercado de proteínas concorrentes: Os preços e a disponibilidade das carnes de frango e bovina exercem influência significativa sobre a demanda e os preços da carne suína, dada a possibilidade de substituição entre as proteínas pelos consumidores.
- Exportações e mercado internacional: A demanda e os preços praticados no mercado internacional de carne suína podem direcionar parte da produção nacional, impactando a oferta disponível no mercado interno e, consequentemente, os preços.
Aquicultura: tilápia em alta e peixes nativos com demanda crescente

A semana no mercado de peixe de cultivo no Brasil foi marcada por variações de preços e um cenário promissor para os produtores, conforme apontam os dados do Cepea e da Peixe BR.
Tilápia em ascensão:
- A região dos Grandes Lagos registrou um aumento de R$ 0,03, com o preço médio da tilápia atingindo R$ 7,82.
- Em Minas Gerais, a região de Morada Nova de Minas apresentou o maior aumento, com R$ 0,10, elevando o preço médio para R$ 8,23.
- O Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba também viram um aumento de R$ 0,04, com o preço médio chegando a R$ 8,14.
- Em contraste, as regiões do Paraná registraram reduções: Norte do Paraná com queda de R$ 0,06 e preço médio de R$ 8,56 e Oeste do Paraná com queda de R$ 0,05 e preço médio de R$ 7,43.
- É importante notar que, com exceção das regiões do Paraná, as demais áreas produtoras de tilápia acumulam oito semanas consecutivas de aumento nos preços pagos aos produtores.

Peixes nativos em destaque:
- A oferta de peixes nativos está em baixa, o que tem impulsionado os preços, especialmente para o tambaqui.
- O pintado, por sua vez, enfrenta uma escassez ainda maior, com dificuldade de encontrar o peixe mesmo com preços elevados.
- A reposição de peixes nativos está alta em diversos estados, e a expectativa é de uma boa Quaresma para o setor.
Comitê de Competitividade da Tilápia:
Durante a semana, o Conselho Nacional de Pesca e Agricultura (CONAPE), do Ministério da Pesca e Agricultura, oficializou a formação do Comitê de Competitividade da Tilápia.
A Peixe BR assumiu a presidência do comitê, com Francisco Medeiros na liderança e Felipe Torquato como vice-presidente.
O comitê, composto por diversas entidades do setor, tem como objetivo principal aprimorar a competitividade da tilapicultura brasileira, ajustando fatores regulatórios e de mercado.
Grãos: demanda externa aquece mercado da Soja, Milho tem negociações pontuais e Trigo sobe impulsionado pela sazonalidade

A última semana de março e os primeiros dias de abril trouxeram movimentações distintas para o mercado brasileiro de grãos. A soja se destacou pela forte demanda externa, impulsionada pela valorização do dólar, enquanto o milho registrou negociações mais localizadas em meio ao avanço das colheitas e o trigo continuou sua trajetória de alta, influenciado pela sazonalidade e contrastando com o cenário internacional.
Soja: demanda externa robusta e colheita avançada
De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a demanda externa aquecida pela soja brasileira impulsionou o ritmo de negócios no mercado spot nacional na última semana de março. A valorização do dólar frente ao Real tornou a commodity brasileira mais atraente para compradores estrangeiros, estimulando as negociações.
Além disso, o Cepea observou um maior interesse dos sojicultores em comercializar parte da safra 2024/25 no mercado spot, visando obter recursos para o custeio de financiamentos da próxima temporada. Dados preliminares da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), analisados pelo Cepea, revelam que o Brasil embarcou expressivos 10,25 milhões de toneladas de soja até o dia 21 de março, um volume 59,5% superior ao total exportado em fevereiro.
No front da produção, a colheita da safra avança em ritmo acelerado, beneficiada pelas condições climáticas favoráveis que têm contribuído para produtividades consideradas excepcionais em grande parte do país. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reportou que, até 23 de março, 76,4% da área total de soja havia sido colhida, superando os 66,3% registrados no mesmo período de 2024 e a média dos últimos cinco anos (66,2%).
Confira os valores da soja (03/04):
- Paranaguá: R$ 131,37
- Paraná: R$ 126,98
Milho: negociações pontuais em meio à colheita e semeadura
O mercado de milho tem apresentado um cenário de negociações pontuais e regionalizadas, conforme levantamentos do Cepea. Os produtores estão majoritariamente focados nas atividades de campo, com a colheita da safra de verão em bom ritmo na maioria das praças e a semeadura da segunda safra caminhando para a fase final.
Do lado da demanda, muitos consumidores se mostram bem abastecidos, o que os mantém afastados do mercado spot nacional ou os leva a adquirir apenas lotes específicos. Esse contexto tem exercido pressão sobre as cotações em algumas regiões, como Campinas (SP), segundo o Cepea. Apesar dessa pressão pontual, os valores do milho se mantêm em patamares elevados e acima dos praticados no mesmo período do ano anterior, em termos nominais.
- O valor do milho (03/04) é de R$ 84,82
Trigo: sazonalidade impulsiona alta no mercado doméstico
Em linha com a sazonalidade, os preços do trigo continuam em trajetória de alta no mercado brasileiro, atingindo os maiores patamares do ano, de acordo com o Cepea. O movimento de valorização foi observado ao longo de todo o primeiro trimestre de 2025, tanto no Brasil quanto na Argentina.
Em contraste, nos Estados Unidos, o trigo registra desvalorização, influenciado pela guerra comercial, pela valorização do dólar (que torna os produtos norte-americanos menos competitivos) e pelas implicações do conflito na região do Mar Negro. O contrato Maio/25 negociado na Bolsa de Chicago (CME Group) atingiu o menor patamar desde o início de sua negociação em julho de 2022.
Confira os valores do trigo (03/04):
- Paraná: R$ 1.533,86
- Rio Grande do Sul: R$ 1.459,99
Perspectivas:
Para as próximas semanas, o mercado de soja deverá seguir atento à dinâmica da demanda externa e à evolução do câmbio, que continuarão sendo fatores cruciais para sustentar o ritmo de negócios. A conclusão da colheita da safra e as projeções para a próxima temporada também influenciarão as expectativas de oferta. No mercado de milho, a atenção se volta para o desenvolvimento da segunda safra e para o comportamento da demanda interna, que poderá se intensificar com o escoamento da produção e as necessidades dos setores consumidores. Já para o trigo, a tendência de alta no mercado doméstico, impulsionada pela sazonalidade, deverá persistir, enquanto o cenário internacional e a competitividade do produto brasileiro frente às importações seguirão sendo monitorados.
Fatores que influenciam o mercado:
- Condições climáticas: As condições meteorológicas em importantes regiões produtoras do Brasil e do mundo têm um impacto direto na produtividade das lavouras e, consequentemente, na oferta e nos preços dos grãos.
- Taxa de câmbio: A relação entre o Real e o Dólar americano influencia a competitividade dos grãos brasileiros no mercado internacional, afetando as exportações e os preços internos.
- Demanda global: A demanda por grãos em nível mundial, impulsionada pelo consumo humano, pela produção de ração animal e pela indústria de biocombustíveis, é um fator determinante para os preços internacionais e, por extensão, para o mercado brasileiro.
- Política agrícola e regulatória: As políticas governamentais relacionadas ao setor agrícola, como subsídios, linhas de crédito, tarifas de importação e regulamentações ambientais, podem ter um impacto significativo na produção, na comercialização e nos preços dos grãos.
- Dinâmica da oferta e demanda interna: O equilíbrio entre a produção nacional de grãos e a demanda interna (para consumo, indústria e exportação) é um fator fundamental na formação dos preços no mercado brasileiro. Variações nos estoques também exercem influência.























