Fim do vazio sanitário no Rio Grande do Sul confirma eficácia da resposta brasileira e reforça confiança do mercado global na avicultura nacional
Brasil vence a Influenza Aviária, prova sua força sanitária e projeta retomar exportações

Chega ao fim nesta quarta-feira (18) o vazio sanitário de 28 dias imposto após a confirmação de um caso de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja comercial na cidade de Montenegro, no Rio Grande do Sul. Com a medida concluída sem novos focos da doença, o Brasil dá mais um passo importante para garantir sua posição no mercado internacional e reafirma sua capacidade de resposta frente a situações sanitárias emergenciais.
O caso confirmado no mês passado foi o primeiro registrado em aves comerciais no país — até então, todos os registros haviam ocorrido apenas em aves silvestres e de subsistência. A pronta contenção do foco e a adoção de protocolos rigorosos evitaram a disseminação do vírus e permitiram a retomada gradual da normalidade no setor produtivo da região.
Para Ricardo Santin, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o episódio foi um teste importante que evidenciou tanto a vulnerabilidade quanto a maturidade do sistema brasileiro de defesa sanitária.
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“Esses 28 dias nos ensinaram que a gente tem que investir cada vez mais na preparação do enfrentamento de situações como essa. O Brasil era o último dos grandes produtores que nunca tinha tido um caso sequer em aves comerciais. Dessa vez teve um, controlou, não deixou se espalhar e mostrou ao mundo que estava preparado para isso”, afirmou Santin.
O dirigente ressaltou que, apesar do controle eficaz, o cenário mundial de disseminação da Influenza Aviária exige vigilância constante. A doença continua a circular em aves migratórias por toda a América Latina, o que reforça a necessidade de ampliar os investimentos em biosseguridade nas granjas e avançar em acordos sanitários com os mercados importadores.

“Precisamos conviver com essa doença que está aqui voando pelas aves. A lição que tiramos é a de que devemos nos dedicar à biosseguridade nas granjas, cada vez mais fortes, mais elevadas, e às negociações com os países, para que, dentro da normalidade — já que essa doença não se transmite pelo consumo da carne de aves nem pelos ovos —, possamos conviver com ela protegendo os animais e garantindo que não falte comida na mesa dos brasileiros”, completou o presidente da ABPA.
Com o fim do vazio sanitário e o controle eficaz do foco em Montenegro, o Brasil fortalece sua imagem como fornecedor confiável de proteína animal. A avicultura brasileira é líder global em exportações de carne de frango, tendo embarcado mais de 5 milhões de toneladas em 2024 para mais de 150 países. O setor movimenta mais de US$ 10 bilhões por ano em receita cambial e é considerado essencial para a segurança alimentar mundial. Embora alguns países tenham adotado restrições pontuais às compras do Brasil após o registro do foco, essas medidas são temporárias e restritas a áreas específicas, como preconizado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). A expectativa da ABPA é que, com o fim do vazio sanitário e a comprovação da contenção do caso, as barreiras sejam retiradas nas próximas semanas, permitindo a plena normalização dos fluxos comerciais sem prejuízo ao desempenho das exportações em 2025.





















