Análise do 3T25: JBS lidera, mas setores como aves enfrentam pressão nas margens devido a preços internacionais
JBS lidera preferência, mas setor de aves pressiona margens dos frigoríficos

O setor brasileiro de frigoríficos inicia sua temporada de balanços do terceiro trimestre de 2025 (3T25) com expectativas de melhora sequencial, mas com um cenário de rentabilidade misto entre as diferentes proteínas. Analistas apontam que o impulso positivo de lucros visto nos últimos trimestres pode estar chegando ao fim. Segundo o Bank of America (BofA), a dinâmica é clara: as margens da carne bovina no Brasil devem permanecer sólidas, sustentadas pelos preços de exportação apesar das tarifas dos EUA. Em contrapartida, o segmento de aves deve apresentar uma retração de margens tanto no mercado brasileiro quanto no norte-americano, impactado pela queda nos preços internacionais e um pior mix de exportação.
A cautela dos bancos de investimento reflete-se na preferência seletiva por ações. O BTG Pactual, que vê o 3T25 como o “fim do impulso positivo de lucros”, mantém recomendação de compra apenas para a JBS (JBSS32), com preço-alvo de R$ 110 para as BDRs. A visão é compartilhada pelo BofA, que também reitera a JBS como sua única escolha de compra (preço-alvo de US$ 20 na NYSE). A justificativa para a cautela no setor avícola é a rápida mudança de ciclo nos EUA. “A oferta de frango está aumentando nos EUA, e a queda de 45% nos preços médios desde maio mostra como os ciclos das aves podem mudar rapidamente”, alertam os analistas do BTG, Thiago Duarte e Guilherme Guttila. Para a MBRF (preço-alvo de R$ 26) e Minerva (R$ 7,40), o BofA mantém uma postura neutra.
A Minerva (BEEF3), que divulga seus resultados nesta quarta-feira (5), deve apresentar números robustos. O BofA projeta um Ebitda de R$ 1,4 bilhão (alta de 7,5% sobre o 2T25), impulsionado pelo sucesso no ramp-up das plantas adquiridas da Marfrig. A XP Investimentos também está otimista, projetando um lucro líquido de R$ 239 milhões, um avanço de 154% sobre o mesmo período do ano anterior.
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A JBS (JBSS32) e a MBRF (MBRF3) reportam seus números no dia 13 de novembro. Para a JBS, a expectativa é de melhora na comparação com o segundo trimestre. O BTG destaca o desempenho acima do esperado da Pilgrim’s Pride Corporation (PPC), subsidiária da JBS nos EUA, e projeta um Ebitda consolidado de R$ 10,1 bilhões. No caso da MBRF, que apresentará seu primeiro balanço pós-fusão, a XP espera que a diversificação geográfica e de proteínas seja o destaque, com a América do Sul mantendo margens sólidas. A corretora estima um Ebitda ajustado de R$ 3,4 bilhões (alta de 10% sequencial) e receita de R$ 42,6 bilhões.
Referência: Money Times





















