Queda no preço do frango vivo em fevereiro pressiona rentabilidade da avicultura e reduz relação de troca com milho e farelo de soja, aponta levantamento do Cepea
Frango vivo cai ao menor nível desde maio de 2024 e reduz poder de compra do avicultor

A queda nas cotações do frango vivo ao longo de fevereiro deve resultar no quarto mês consecutivo de perda no poder de compra dos avicultores paulistas, segundo levantamento divulgado pelo Cepea.
De acordo com o Centro de Pesquisas, a retração ocorre na comparação com dois dos principais insumos da atividade – milho e farelo de soja, refletindo principalmente a desvalorização do frango vivo no mercado paulista.
Frango vivo atinge menor patamar real desde maio de 2024
Nesta parcial de fevereiro (até o dia 25), o preço do frango vivo no estado de São Paulo registra média de R$ 5,04 por quilo, valor 2,1% inferior ao observado em janeiro, conforme dados do Cepea.
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Considerando a série deflacionada pelo IGP-DI de janeiro de 2026, esse patamar representa o menor nível real desde maio de 2024, evidenciando a pressão recente sobre a rentabilidade da atividade.
Enquanto as cotações do frango recuam, os preços dos insumos apresentam comportamento distinto. Segundo o Cepea, o milho tem se mantido praticamente estável, enquanto o farelo de soja registra leve valorização, o que contribui para reduzir o poder de compra do produtor.
Relação de troca com milho e farelo recua
O levantamento mostra que, na atual parcial de fevereiro, o avicultor paulista consegue adquirir menos insumos com a venda do frango vivo.
Com a comercialização de um quilo de frango, é possível comprar:
- 4,47 quilos de milho, volume 1,9% menor que o registrado em janeiro;
- 2,73 quilos de farelo de soja, quantidade 2,6% inferior à do mês anterior.
Essa redução na relação de troca reflete a combinação entre queda no preço do frango e estabilidade ou leve alta nos custos de alimentação, principal componente do custo de produção da avicultura de corte.
Exportações recordes ajudam a limitar queda mais intensa
Apesar do cenário de pressão sobre os preços internos, pesquisadores do Cepea destacam que o ritmo recorde das exportações brasileiras de carne de frango tem ajudado a evitar uma desvalorização ainda mais intensa no mercado doméstico.
O forte desempenho das vendas externas contribui para absorver parte da produção nacional, equilibrando a oferta interna e reduzindo o impacto da demanda doméstica mais fraca.
Setor monitora custos e demanda interna
Diante desse cenário, produtores seguem atentos ao comportamento do mercado nas próximas semanas, especialmente à evolução dos preços dos insumos e ao ritmo de consumo interno.
Caso as exportações continuem firmes e a demanda doméstica apresente recuperação gradual, o setor pode encontrar maior equilíbrio entre custos e receita ao longo dos próximos meses.
Referência: Cepea





















