Surto de H5N1 afeta principalmente granjas comerciais e reforça alerta para biossegurança no setor avícola
Inglaterra concentra maioria dos casos de influenza aviária e perdas superam 3,8 milhões de aves

A Inglaterra concentrou o maior número de ocorrências de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP) H5N1 na temporada 2025/26, com 79 casos registrados. Também foram confirmados 9 casos na Escócia, 7 no País de Gales e 5 na Irlanda do Norte. Um caso adicional de H5N1 de baixa patogenicidade foi identificado por meio de vigilância zonal.
Ao longo do período, mais de 3,8 milhões de aves morreram ou foram abatidas em decorrência dos surtos, com maior impacto sobre galinhas e perus. Apesar de números absolutos considerados baixos, o avanço da doença atingiu 40% da população de patos reprodutores e 7% dos perus. A maior parte dos focos, cerca de 73%, ocorreu em granjas comerciais com mais de mil aves, enquanto 27% foram registrados em criações de fundo de quintal. A região de East Anglia esteve entre as mais afetadas, reflexo da elevada densidade de aves domésticas.
Chefe da divisão de controle de doenças exóticas do Departamento de Meio Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais (Defra), Gordon Hickman avaliou que, apesar das perdas significativas na temporada, a adoção antecipada de medidas de confinamento contribuiu para conter o avanço da doença em relação a anos anteriores.
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Segundo Hickman, aves aquáticas seguem como principal reservatório do vírus. Das 930 aves que testaram positivo, 914 apresentaram a cepa H5N1, distribuídas em 91 condados e 48 espécies.
Durante participação na Feira Britânica de Suínos e Aves, o especialista reforçou o pedido para que produtores comuniquem a presença de aves selvagens mortas, especialmente em East Anglia, destacando que resultados positivos podem trazer implicações para os produtores.
Ele também ressaltou que o vírus segue em constante mutação e recombinação, apresentando diferenças significativas em relação à variante identificada em 2020/21. Surtos recentes do H5NX altamente patogênico, especialmente do clado 2.3.4.4b, foram registrados na Europa, Ásia, Américas e Antártica, com menor impacto relativo na Australásia.
Hickman mencionou ainda a transmissão do vírus para o gado nos Estados Unidos, mas afirmou que não há evidências de circulação no rebanho leiteiro do Reino Unido após testes em amostras de leite. Casos em outros mamíferos, como lontras, focas, ratos e raposas, seguem sendo registrados em diferentes partes do mundo.
A biossegurança foi destacada como principal ferramenta para conter a disseminação do vírus. O especialista alertou para a necessidade de manter medidas rigorosas nas propriedades, evitando o contato com aves silvestres e o acesso de roedores às granjas.
Resultados
Os resultados do programa de vacinação de perus no Reino Unido devem ser divulgados ainda neste verão. No entanto, Hickman enfatizou que a vacina não estará disponível neste ano e reforçou que a imunização não substitui práticas adequadas de biossegurança.
Além dos desafios sanitários, o setor segue enfrentando barreiras comerciais, especialmente em mercados de países terceiros.
Fonte: Poultry World























