Delegação do Mapa participou de assembleia com 183 países em Paris; debates sobre controle de enfermidades transfronteiriças balizam as regras de exportação da carne brasileira
De olho no mercado global de proteína animal, Brasil articula diretrizes sanitárias na OMSA

A manutenção do status sanitário e a garantia de acesso aos mercados mais exigentes para a proteína animal brasileira pautaram a participação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na 93ª Sessão Geral da Assembleia Mundial de Delegados da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA). O encontro, encerrado nesta quinta-feira (22) na capital francesa, reuniu representantes de 183 países-membros para revisar e aprovar as normas que guiam o comércio internacional de produtos de origem animal.
Para o complexo exportador de carnes do Brasil — líder mundial em carne de frango e bovina —, as resoluções da OMSA possuem força de lei de mercado. Os códigos sanitários atualizados durante a assembleia servem como base para a derrubada de barreiras comerciais e para a formulação de exigências em certificados bilaterais.
Foco em enfermidades transfronteiriças e modernização
Ao longo de cinco dias de debates, a delegação brasileira acompanhou de perto a modernização da governança da entidade e o fortalecimento dos sistemas veterinários nacionais. No topo da agenda do setor de proteína animal esteve o enfrentamento de enfermidades transfronteiriças, tema sensível e estratégico para o agronegócio nacional em tempos de monitoramento constante contra a Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) e a Peste Suína Africana (PSA).
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As diretrizes validadas pelo fórum buscam padronizar as ações globais de prevenção e controle dessas doenças, oferecendo maior previsibilidade para os fluxos comerciais. A harmonização técnica evita que bloqueios unilaterais e desproporcionais sejam aplicados a países que mantêm seus plantéis protegidos e controlados.
Agendas bilaterais e abertura de mercados
Além das plenárias deliberativas, os técnicos do Mapa intensificaram os contatos nos bastidores de Paris. A programação oficial incluiu reuniões técnicas e agendas bilaterais com autoridades sanitárias de parceiros comerciais estratégicos e de mercados potenciais para a carne brasileira.
“Esse tipo de articulação direta, no ambiente da OMSA, acelera a troca de informações técnicas e agiliza o alinhamento de protocolos de importação que, em última análise, se revertem na abertura de novos campos e na consolidação da liderança brasileira no mercado global de alimentos”, avaliam analistas do setor de proteína.
Com o encerramento da assembleia, as atenções do setor produtivo se voltam para a implementação prática das novas diretrizes, que devem nortear as fiscalizações de fronteira e os requisitos de biossegurança nas granjas e frigoríficos do país ao longo dos próximos meses























