Infestação sem precedentes atinge lavouras, invade cidades e desafia controle de produtores e autoridades
Praga de ratos provoca prejuízos milionários e expõe crise no campo australiano

Uma infestação de ratos de grandes proporções tem causado prejuízos expressivos e levado comunidades rurais ao limite na Austrália. Em regiões produtoras de grãos da Austrália Ocidental e da Austrália Meridional, a presença massiva de roedores já afeta lavouras, estruturas de armazenamento e até residências, criando um cenário considerado crítico por agricultores e especialistas.
O avanço da praga surpreendeu até produtores experientes. Em algumas áreas, a densidade de roedores chegou a níveis muito acima do considerado padrão para caracterizar uma infestação. Relatos apontam presença de ratos em paredes, telhados, depósitos de alimentos e até em camas, além de circulação intensa nas estradas durante a noite.
O impacto também é sensorial. O odor provocado pelos animais se espalha por cidades inteiras, impregnando estabelecimentos comerciais e residências, resultado da combinação de urina, fezes e carcaças em decomposição.
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Perdas no Campo
Os prejuízos econômicos já são significativos. Agricultores relatam perdas que variam de 5% a 50% nas lavouras recém-semeadas, com destruição de sementes e mudas logo após a germinação. Em alguns casos, áreas inteiras precisaram ser replantadas.
A estimativa é de que as perdas na Austrália Ocidental ultrapassem dezenas de milhões de dólares. Além disso, os custos com controle aumentaram de forma expressiva, com produtores investindo grandes quantias na aplicação contínua de iscas.
As condições climáticas e agrícolas contribuíram para o cenário. Colheitas abundantes, associadas a tempestades que espalharam grãos pelo solo, criaram uma oferta elevada de alimento. Um outono quente e seco completou o ambiente ideal para a rápida multiplicação dos roedores.
Controle e impactos ambientais
O combate à infestação tem se mostrado limitado. O uso de iscas com fosfeto de zinco é a principal estratégia adotada, mas a eficácia depende da quantidade de alimento disponível no ambiente. Em situações de abundância, os roedores tendem a evitar o consumo das iscas.
Diante da gravidade, foi autorizada a utilização de versões mais potentes do produto em caráter emergencial. No entanto, o uso desses compostos exige cautela, devido ao risco de intoxicação de outras espécies e impactos ambientais.
Especialistas destacam que a liberação desses produtos envolve decisões complexas, que equilibram a necessidade de controle da praga com a proteção da fauna e da saúde pública.
Rotina afetada
Além das perdas econômicas, a infestação tem alterado a rotina das comunidades. Comerciantes passaram a retirar alimentos das prateleiras diariamente para evitar contaminação, enquanto instituições enfrentam dificuldades para manter os ambientes livres de roedores.
O problema também afeta o bem-estar dos moradores, que convivem com barulhos constantes e, em alguns casos, são levados a deixar suas casas temporariamente.
Embora surtos de ratos tenham um ciclo natural e possam desaparecer de forma repentina, ainda não há clareza sobre quando a situação será controlada. Produtores seguem aplicando medidas de contenção enquanto aguardam uma redução na população dos animais, sem garantia de que isso ocorrerá no curto prazo.
Fonte: The Guardian























