Conflitos geopolíticos e ameaça de greve na Argentina acirram disputa entre indústrias e exportadores locais
Soja: demanda por derivados nos EUA sustenta preços e eleva prêmios no Brasil

O mercado internacional de soja ganhou novo fôlego. O fortalecimento da demanda por derivados de soja nos Estados Unidos elevou as cotações do farelo e do óleo na Bolsa de Chicago (CME Group), revertendo a pressão baixista e dando forte sustentação aos contratos futuros do grão.
Abaixo, veja o comparativo das dinâmicas de mercado medidos pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea):
| Indicador de Mercado | Semana Passada (22/06) | Hoje (29/06) |
| Prêmios do Óleo de Soja | Em baixa histórica: Prêmios de exportação operavam nos menores patamares desde 2004. | Em recuperação: Valorização global dos derivados elevou os prêmios de exportação no Brasil. |
| Demanda por Biodiesel | Fraca: Consumo doméstico de óleo para biodiesel no Brasil rodava abaixo das expectativas. | Aquecida: Demanda firme por derivados, tanto nos EUA (doméstica e externa) quanto no Brasil. |
| Cenário Geopolítico | Estável: Foco do mercado estava concentrado na ampla oferta de produto na América do Sul. | Tenso: Conflitos no Estreito de Ormuz e ameaça de paralisação na Argentina mudaram o fluxo global. |
| Ambiente Doméstico | Competitivo: Prêmios baixos favoreciam embarques, mas limitavam ganhos do produtor. | Disputado: Indústrias esmagadoras e exportadores disputam o grão, sustentando os preços internos. |
Mudança de cenário: da calmaria sul-americana ao alerta global
Na semana anterior, o mercado do complexo soja operava sob o peso da ampla oferta sul-americana. Os prêmios do óleo de soja amargavam recordes negativos históricos devido ao ritmo lento do biodiesel nacional, embora a baixa de preços ajudasse a manter o produto brasileiro competitivo lá fora.
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O cenário virou nesta semana. Novos conflitos envolvendo navios no Estreito de Ormuz — uma das principais rotas de comércio do mundo — somados aos rumores de greve na Argentina ligaram o alerta dos compradores internacionais. Com o receio de gargalos logísticos nos concorrentes, a demanda migrou para os EUA e para o Brasil, gerando uma disputa acirrada entre as tradings exportadoras e as indústrias esmagadoras nacionais, o que acabou puxando as cotações domésticas para cima.
Fonte: Cepea























